Os Milwaukee Brewers lideram a NLCS por 2 a 0 e visitam os Los Angeles Dodgers nesta quarta-feira (14), às 21h de Brasília, no Dodger Stadium. O Jogo 3 opõe dois canhotos: Robert Gasser pelo Milwaukee e Blake Snell por Los Angeles.
A leitura imediata dos dois primeiros jogos é que o ataque dos Dodgers desapareceu. Os números apontam para algo mais específico: o ataque de Los Angeles não foi neutralizado pelos arremessadores titulares do Milwaukee, e sim pelo bullpen. Foi ali que a série se decidiu até agora, e é ali que o Jogo 3 tende a se decidir também.
Os dois primeiros jogos não foram decididos pelos titulares
Nenhum dos quatro arremessadores titulares usados até aqui completou cinco entradas inteiras. Jacob Misiorowski trabalhou 4.1 entradas com apenas uma corrida limpa no Jogo 1; Logan Henderson fez 4 entradas e duas corridas no Jogo 2. Do outro lado, Tarik Skubal entregou 5 entradas com duas corridas e sete eliminações por arremesso no Jogo 1, e Yoshinobu Yamamoto saiu depois de 2.2 entradas e três corridas no Jogo 2.
Ou seja: os dois elencos pediram ao bullpen praticamente a mesma carga. A diferença está no que cada um devolveu.
- Bullpen do Milwaukee: 9.2 entradas, zero corrida limpa, apenas 2 rebatidas válidas cedidas, 3 bases por bolas e 10 eliminações por arremesso. Abner Uribe e Aaron Ashby trabalharam nos dois jogos e não cederam nada.
- Bullpen de Los Angeles: 8.1 entradas e 4 corridas limpas. O Jogo 2 terminou 7 a 4, e quatro das corridas do Milwaukee saíram contra o alívio: Kris Bubic, Brock Stewart e Edgardo Henriquez cederam uma, uma e duas.
Esse é o eixo da série. Duas rebatidas válidas em 9.2 entradas significa que, do quinto inning em diante, os Dodgers simplesmente não existiram. E quando um ataque não existe na metade final do jogo, a soma dos números fica brutal: Los Angeles bate .169 na série, com aproveitamento de potência de .186 — dez rebatidas válidas em 59 ao bastão, sem nenhum home run e com uma única rebatida extrabase nos dois jogos. Dezessete eliminações por arremesso contra oito bases por bolas.
O Milwaukee faz o oposto: .295 de média, .411 de porcentagem de chegada à base, 18 rebatidas válidas, 2 home runs e 11 bases por bolas. William Contreras rebateu 3 em 4 com home run e três corridas impulsionadas no Jogo 2; Brice Turang somou um home run no Jogo 1 e três corridas anotadas no Jogo 2; David Hamilton acrescentou três corridas impulsionadas. O ataque não depende de um nome.
Gasser x Snell: a conta que pode mudar o roteiro
Na comparação isolada dos titulares, Los Angeles tem vantagem clara. Blake Snell fez apenas 9 partidas como titular na temporada regular por causa de lesões, mas com 1.90 de ERA em 42.2 entradas, 55 eliminações por arremesso (11,6 por nove entradas), média de rebatidas adversária de .203 e — este é o dado relevante contra o Milwaukee — nenhum home run cedido na temporada regular. Robert Gasser chega com números mais modestos: 20 partidas como titular na temporada regular, 5-5, 3.87 de ERA, 15 home runs cedidos em 109.1 entradas e uma única aparição na pós-temporada, de 4 entradas e uma corrida limpa na série divisional.
O problema é que a diferença entre os dois na temporada não é a variável que decidiu os dois primeiros jogos — e Snell traz um risco próprio. Na série divisional, ele durou apenas 3.2 entradas e concedeu cinco bases por bolas, para um WHIP de 2.18. Entregar bases de graça ao elenco que está com .411 de chegada à base é exatamente o cenário que o Milwaukee aproveitou nos dois primeiros jogos: 11 bases por bolas recebidas e 18 corredores deixados em base, sinal de volume constante de tráfego.
Se Snell sustentar cinco ou seis entradas limpas, a série muda de forma, porque o Milwaukee ainda não mostrou capacidade de resolver um jogo com potência — são dois home runs em dois jogos. Se ele repetir o controle da série divisional, o jogo será entregue ao bullpen dos Dodgers com desvantagem no placar, e aí o padrão se repete.
O recorte histórico: 16 em 95
Perder os dois primeiros jogos de uma série melhor de sete não é sentença, mas é muito perto disso. Segundo levantamento da MLB, 16 equipes em 95 oportunidades reverteram uma desvantagem de 0 a 2 em séries melhor de sete na pós-temporada — cerca de 16,8%. Nas finais de liga, o número cai para seis casos em toda a história, e a Liga Nacional responde por três: Diamondbacks sobre os Phillies em 2023, Dodgers sobre os Braves em 2020 e Cardinals sobre os próprios Dodgers em 1985.
Há um detalhe que pesa a favor de Los Angeles: a franquia é uma das 16. E há um que pesa contra: o Milwaukee já provou que ganha neste estádio. Em agosto, os Brewers venceram três dos quatro jogos da série em Los Angeles (5-4, 4-1 e 6-2, com uma derrota por 3 a 1) e fecharam o confronto direto de 2026 em 4-3. O Milwaukee terminou a temporada regular com a melhor campanha da liga, 103-59, incluindo 48-33 fora de casa.
Ohtani é a variável que Los Angeles não controla
Dave Roberts confirmou que Shohei Ohtani estará na escalação do Jogo 3, batendo entre a segunda e a sexta posição contra o canhoto Gasser. A sequência do japonês é a pior de sua passagem pela MLB: 3 em 20 na pós-temporada, 0 em 4 com duas eliminações por arremesso no Jogo 2, e o encerramento da temporada regular com 11 em 70 e 29 eliminações por arremesso. Ohtani não rebate um home run desde 18 de agosto e impulsionou uma única corrida desde então.
Roberts disse que Ohtani estava “convicto de que pode nos ajudar” e que “nunca vacilou” na confiança nele, segundo a ESPN. O próprio jogador descartou os problemas no joelho esquerdo e no braço direito como explicação e afirmou: “Eu assumo total responsabilidade”. É a definição de uma variável de alta amplitude — um jogo dele reverte a série, e dois meses de dados dizem que não há como contar com isso.
Prognóstico para o Jogo 3
Quem vence: Milwaukee Brewers. O argumento não é a comparação de titulares, que favorece os Dodgers, e sim a estrutura dos dois jogos anteriores. O Milwaukee chega com 1.50 de ERA e 1.00 de WHIP na série, sem ceder home run em 18 entradas; Los Angeles está em 5.06 e 1.81. Enquanto o ataque de Los Angeles não produzir uma segunda rebatida extrabase, qualquer jogo apertado se resolve no alívio — e, nessa comparação, a diferença é de quatro corridas para zero.
O que observar: a contagem de bases por bolas de Snell nas três primeiras entradas, e o momento em que Murphy aciona Uribe e Ashby. Se a dupla entrar com o jogo empatado, a vantagem do Milwaukee é maior do que o placar sugere. Quem for acompanhar outros confrontos da pós-temporada pode checar o calendário da MLB e a cobertura de MLB do Quinto Quarto. A ALCS, empatada em 1 a 1 depois da vitória do Tampa Bay, foi analisada no prognóstico do Jogo 2 entre Guardians e Rays; o início desta rodada de finais está no texto sobre o Jogo 2 da NLCS e o Jogo 1 da ALCS.
No Brasil, a pós-temporada da MLB é transmitida pela ESPN, que renovou o acordo com a liga para o mercado brasileiro incluindo toda a pós-temporada. Nos Estados Unidos, o Jogo 3 vai ao ar pela FS1.
Fonte: MLB.com, ESPN e MLB.com — levantamento de reviradas de 0 a 2, consultados em 14 de outubro de 2026.
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