Entre os cinco brasileiros do card deste sábado (31/10), no Meta APEX, em Las Vegas, quem tem mais a ganhar fora do card principal é Talita Alencar. A peso-palha de 36 anos enfrenta a venezuelana Piera Rodriguez nas preliminares, que começam às 18h de Brasília, e a luta cabe numa pergunta: a brasileira consegue levar ao chão uma adversária que defende 82% das quedas?
Três vitórias seguidas e nenhum número no ranking
Talita chega com cartel de 8-1-1 e três vitórias consecutivas no UFC: decisão unânime sobre Vanessa Demopoulos em abril de 2025, mata-leão em Ariane Carnelossi a 4min36 do terceiro round em novembro de 2025 e decisão unânime sobre Julia Polastri em abril de 2026. A única derrota no octógono foi para Stephanie Luciano, por decisão, em agosto de 2024. Ainda assim, ela não aparece no top 15 oficial de uma divisão que tem sete brasileiras ranqueadas, de Virna Jandiroba, 3ª, a Amanda Ribas, 13ª.
Ao UFC.com, a faixa-preta de jiu-jítsu disse que quer disputar o cinturão no ano que vem e que acredita numa finalização neste sábado. Para furar uma fila tão ocupada por compatriotas, precisa vencer alguém com currículo, e Piera é esse nome: 12-2 na carreira, 5-2 no UFC, três vitórias seguidas, a mais recente sobre Sam Hughes, em março. Há até uma referência comum. Talita finalizou Carnelossi; Piera perdeu para a mesma Carnelossi em 2024, por desqualificação após uma cabeçada ilegal.
O que decide o combate
Dois números resumem o confronto. O primeiro é a defesa de quedas: Piera evita 82% das tentativas, segundo a ficha oficial, e nunca venceu por finalização. A única derrota dela antes do caso Carnelossi foi uma chave de braço aplicada por Gillian Robertson, em 2023, ou seja, quando a luta foi ao chão contra uma especialista, a venezuelana sofreu. Talita registra média de 3,01 quedas por 15 minutos e quatro finalizações nas oito vitórias.
O segundo é a trocação. Piera conecta 4,04 golpes significativos por minuto e absorve 3,13; Talita conecta 3,09 e absorve 3,67, sem nenhum nocaute na carreira. As duas costumam ir longe: o tempo médio de luta é de 14min56 para a brasileira e de 13min27 para a venezuelana. Se os 15 minutos passarem em pé, os juízes tendem a ver a luta de Piera. Se a brasileira encaixar as quedas cedo, o roteiro muda.
Os outros brasileiros da noite
- Tainara Lisboa (7-4) abre as preliminares contra a eslovaca Lucia Szabová, invicta em 12 lutas, estreante no UFC e com seis vitórias no primeiro round. A brasileira vem de duas derrotas: finalizada por Luana Santos em maio de 2025 e parada por golpes diante de Melissa Croden em outubro de 2025.
- Rodrigo Sezinando (9-2), revelado no TUF 33, encara o sueco Theodor Berggren (8-4) no meio-médio. Os dois foram nocauteados pelo mesmo adversário, Daniil Donchenko: Sezinando no primeiro round, em setembro de 2025, e Berggren no segundo, em junho de 2026.
O card principal começa às 21h, com Luana Santos contra Yana Santos e a luta principal entre Renato Moicano e Tom Nolan, analisada na nossa prévia de Moicano x Nolan. Uma mudança em relação ao card divulgado antes: Carlos Leal não aparece mais no UFC.com, e o jamaicano Randy Brown enfrenta agora o americano Jacobe Smith, invicto em quatro lutas no UFC. Para entender a fila do peso palha que Talita quer alcançar, veja a análise de Suarez x Jandiroba, além do calendário do UFC.
Fonte: UFC.com.
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