[UFC] Lucindo x Caliari: o duelo brasileiro do peso-palha se decide em dois rounds

Julien Josset | 21/10/2026 - 12:05

O card preliminar inicial do UFC 333, neste sábado (24) na Etihad Arena, em Abu Dhabi, coloca duas brasileiras frente a frente no peso-palha feminino: Iasmin Lucindo, de Fortaleza, contra Nicolle Caliari, de Curitiba. A tese deste texto é mensurável: a luta se resolve nos dois primeiros rounds ou não se resolve mais. Caliari não tem uma única vitória por decisão em nove — cinco vieram por nocaute e quatro por finalização —, enquanto Lucindo soma o maior tempo médio de luta das duas, 14:06, e nunca foi finalizada no UFC.

Caliari precisa acabar cedo porque o relógio joga contra ela

Os números do UFC.com explicam a urgência. Caliari absorve 5,59 golpes significativos por minuto e defende apenas 52% dos golpes recebidos, enquanto acerta 2,88 por minuto com 40% de precisão. Ou seja: aceita praticamente o dobro do volume que entrega. Em três rounds completos, essa conta não fecha. Seu tempo médio de luta é de 11:06 e sua única vitória na companhia veio por finalização — estrangulamento em triângulo de braço — no terceiro round contra Bannon, em maio de 2026. Antes disso, duas derrotas: nocaute no terceiro round diante de Judice, no UFC 318, e decisão para Kareckaite.

O caminho dela existe e tem nome: queda. Caliari tenta 3,38 quedas por 15 minutos e registra 1,01 tentativa de finalização no mesmo intervalo, número alto para a divisão. Do outro lado, Lucindo defende 69% das quedas. Não é uma muralha — e é exatamente nessa folga de 31% que os dez primeiros minutos podem virar.

Lucindo vence por acúmulo, não por explosão

Lucindo tem 18-6 e 24 anos, e construiu o cartel no UFC em cima do placar dos juízes: vitórias sobre Angela Hill (decisão unânime), Marina Rodriguez (decisão dividida) e Karolina Kowalkiewicz (decisão unânime), com uma derrota para Amanda Lemos no UFC 313. Sua média de knockdown é 0,00. Ela não apaga ninguém com um golpe: acerta 3,22 golpes significativos por minuto, com 45% de precisão, e defende 62%.

Cruzar as duas fichas é o que muda a leitura. Os 3,22 golpes por minuto de Lucindo batem em alguém que absorve 5,59 — a tendência é que a cearense acerte acima da própria média. No sentido inverso, os 2,88 de Caliari batem em quem absorve 2,80, praticamente o valor esperado. É a definição estatística de uma luta que melhora para Lucindo a cada minuto que passa, e explica por que a curitibana precisa de um momento, não de um plano de 15 minutos.

O que o leitor brasileiro tira disso

Há um detalhe que o card em inglês não sinaliza: este é um dos raros confrontos em que o Brasil tem, no mesmo resultado, uma vitória e uma derrota garantidas. O dado útil é outro. Lucindo, aos 24 anos, é a única das duas com histórico recente contra nomes ranqueadas, e uma vitória a recoloca na conversa de uma divisão em que o Brasil já disputa posição no topo, como mostramos ao analisar a fila do peso-palha. Caliari, com 9-4 e 1-2 no UFC, luta por outra coisa: continuar na companhia.

O card preliminar inicial começa às 11h de Brasília e o card principal às 15h. O restante da temporada está no nosso calendário do UFC, e as demais análises do evento na cobertura de UFC.

Fonte: UFC.com, ESPN.

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