O Minnesota Vikings é o último time invicto da NFL depois da queda dos 49ers, mas chegou ao 6-0 de um jeito que não tem paralelo recente: com 125 pontos marcados, o menor total de um time 6-0 desde 2002, segundo levantamento do QuintoQuarto nos placares da ESPN. A tese é simples e testável: a campanha depende de uma defesa que concede 12,3 pontos por jogo e de um saldo de turnovers que historicamente não se sustenta por 17 rodadas.
Quatro touchdowns ofensivos em cinco jogos
A estreia enganou. Contra o Green Bay, com Carson Wentz no comando, o ataque marcou 39 pontos e cinco touchdowns. Desde então, em cinco partidas, foram apenas 86 pontos (17,2 por jogo) e quatro touchdowns ofensivos; o time ainda teve um TD em retorno de punt, de Myles Price, contra o Tampa Bay. Em dois desses jogos, contra Chicago (9-3) e Miami (15-10), o ataque não chegou à end zone nenhuma vez.
O resto veio do pé de Will Reichard: 18 field goals em seis jogos, cinco deles só contra os Dolphins. Na red zone, o Minnesota converteu 7 de 14 visitas em touchdown, e apenas 3 de 10 depois da primeira rodada. Kyler Murray, titular desde a semana 3, reconheceu após o 16-10 sobre os Colts: “Sinto que movimentamos bem a bola hoje. Só precisamos colocá-la na end zone.”
Onde a conta fecha: 74 pontos sofridos e +7 em turnovers
A defesa de Brian Flores, cuja reconstrução já analisamos antes do duelo com os Dolphins, sofreu 74 pontos, o menor total da liga. Tirando a estreia (22), nenhum adversário passou de 16. Somando as súmulas da ESPN, o Minnesota recuperou 11 bolas e entregou só quatro, saldo de +7. Contra os Colts, Blake Cashman teve 12 tackles, dois sacks e quatro passes desviados, e Harrison Smith fechou o jogo com a 40ª interceptação da carreira.
Kevin O’Connell descreveu o modelo sem rodeios: o time se sente “confortável e confiante para vencer quando não perde a bola e ganha a batalha de posição de campo, essas coisas chatas”. O problema é a margem. Cinco das seis vitórias foram por dez pontos ou menos; a única folgada foi a da estreia. Um time que vence assim depende de cada turnover, e o saldo de turnovers é uma das estatísticas que mais oscilam de uma metade de temporada para a outra.
O que dizem os outros 6-0
O retrospecto geral é favorável: dos 30 times que abriram 6-0 entre 2002 e 2025, 28 foram aos playoffs (93%). Um dos dois que ficaram de fora, porém, é o espelho mais próximo deste Minnesota: o Denver Broncos de 2009, até agora o 6-0 com menos pontos no período (133), terminou 8-8 e fora da pós-temporada. O outro foi o próprio Vikings de 2003, que despencou depois do início perfeito.
O contraexemplo também existe: o Denver de 2015 abriu 6-0 com só 139 pontos marcados e foi campeão do Super Bowl, carregado por uma das defesas mais dominantes da era. O teste do Minnesota é parecido: saber se a defesa de Flores consegue manter o nível quando o saldo de turnovers voltar para perto de zero, sem depender de bolas recuperadas no último minuto.
O primeiro exame vem no domingo, às 15h de Brasília, contra o Detroit (4-2), em Detroit. Os horários estão no calendário da NFL, e a cobertura do time na página do Minnesota Vikings.
Fonte: ESPN, NFL.com.
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