O Indianapolis Colts trocou na terça-feira o guard Quenton Nelson para o Seattle e o defensive tackle DeForest Buckner para o San Francisco, oficializando a reconstrução uma semana após a demissão do gerente-geral Chris Ballard. A venda faz sentido, mas esconde a armadilha da temporada: a escolha de primeiro round de 2027 dos Colts pertence ao New York Jets, então cada derrota a partir de agora melhora o draft de outro time.
O que entrou e o que saiu
Pelos termos publicados pela ESPN, Nelson rendeu uma escolha de terceira rodada de 2027 e uma de quinta de 2028. Buckner rendeu uma de quarta rodada de 2027. Os dois estavam no último ano de contrato, e a conta de Buckner mostra a lógica da operação: se ele saísse como agente livre, a melhor compensação possível seria uma escolha de quinta rodada de 2028, por ser veterano de 11 temporadas. Trocá-lo agora antecipou o retorno em um ano e subiu uma rodada.
A saída de dois pilares mexe com o vestiário. Buckner, depois da terceira derrota seguida, em Minnesota, respondeu assim a um repórter: “Não sei, que tal você adivinhar? Estou frustrado. A mesma coisa. Perdemos.” Nelson, eleito ao Pro Bowl em todas as suas oito temporadas, havia dito dias antes: “Eu amo isto aqui. Conheci minha esposa aqui.”
Por que perder não compensa em Indianapolis
A ESPN lembra que a primeira escolha de 2027 dos Colts vai para os Jets para completar a troca de Sauce Gardner, feita no ano passado. Com isso, o arsenal do Indianapolis para o próximo draft se resume a uma escolha de segunda rodada, duas de terceira e duas de quarta, entre outras. É por isso que cada veterano negociado vale mais agora do que valeria numa equipe com a própria escolha alta garantida: os Colts não têm o atalho de “perder para escolher cedo”.
O efeito colateral é curioso. Os Jets também estão 2-5. Se as duas campanhas seguirem ruins, Nova York pode ter duas escolhas no topo do primeiro round, a própria e a dos Colts, enquanto Indianapolis só entra no draft na segunda rodada. A estatística também não ajuda quem pensa em reagir: levantamento do QuintoQuarto nos placares da ESPN mostra que, desde 2002, só 9 de 122 times que estavam 2-5 após sete jogos chegaram aos playoffs, e o saldo de -26 do Indianapolis está longe do perfil dos que conseguiram.
Os próximos nomes até 10 de novembro
O prazo de trocas da NFL termina em 10 de novembro, às 16h de Nova York (18h de Brasília). Segundo a ESPN, o running back Jonathan Taylor, o nose tackle Grover Stewart e o recebedor Josh Downs despertam interesse de outros times. Taylor é o caso mais complexo: aos 27 anos, renovou na pré-temporada por dois anos e US$ 44 milhões, com contrato até 2028, e não está claro se combina com o calendário da reconstrução. Trocá-lo ou dispensar o quarterback Daniel Jones ampliaria um espaço no teto salarial já projetado acima de US$ 60 milhões para 2027.
O contexto explica a pressa. Os Colts não vencem a AFC Sul desde 2014, não vão aos playoffs desde 2020 e não ganham um jogo de mata-mata desde 2018, com média de 7,6 vitórias nas últimas cinco temporadas. O começo ruim já vinha desenhado desde o duelo com os Texans, e a página do Indianapolis Colts acompanha as próximas movimentações. O time visita o Jacksonville no domingo, às 15h de Brasília; os horários estão no calendário da NFL.
Fonte: ESPN, NFL.com.
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