Depois da derrota por 35 a 14 para os Falcons na quinta-feira passada, Jordan Love disse que precisa tomar decisões mais rápidas. A pergunta seguinte deveria ter sido outra: quanto mais rápido é humanamente possível, considerando a velocidade com que os pass rushers adversários têm chegado até ele?
Os dados do Next Gen Stats são brutais. A pressão rápida — definida como pressão sobre o quarterback em menos de 2,5 segundos — atingiu Love 37 vezes em três partidas. Nenhuma outra franquia da NFL passou de 28. Só no jogo contra Atlanta foram 15, a segunda maior marca em uma única partida nesta temporada regular; a maior foram as 17 que os próprios Packers cederam aos Vikings na semana 1.
Números bons na superfície, péssimos sob pressão
Na conta geral, Love aparece bem: é o quarto quarterback em jardas aéreas (844) nas três primeiras rodadas, com seis touchdowns e duas interceptações. O problema aparece quando se isola o que acontece com a camisa puxada. Seu QBR sob pressão é de 1,7, o segundo pior da liga, à frente apenas de Bo Nix, dos Broncos (1,1). Nessas jogadas ele tem 31% de passes completos, nenhum touchdown e as duas interceptações da temporada.
Ele é só o décimo em percentual de dropbacks sob pressão (38%, pelo rastreamento da ESPN), e há uma explicação incômoda: está soltando a bola em média 2,49 segundos, o tempo mais rápido da liga. Nas suas três primeiras temporadas como titular, a média era de 2,84 segundos. Ou seja, o número parece melhor porque o quarterback se antecipa ao desastre.
O índice de vitórias no bloqueio de passe da linha ofensiva de Green Bay é de 16% — o pior registrado desde que a ESPN passou a medir a estatística, em 2017.
O risco de “ver fantasmas”
A preocupação real não é a derrota de uma semana, e sim o efeito acumulado sobre a técnica e a saúde do jogador. No jargão de treinadores e olheiros, um quarterback atingido muitas vezes começa a sentir pressão mesmo quando ela não existe.
“Com certeza tem algumas jogadas, especialmente na parte final do jogo contra Atlanta, em que meus pés ficaram um pouco fora de sintonia, e a pressão é parte disso”, admitiu Love. “Acho que é uma reação natural às vezes, como quarterback você pode se sentir acelerado. Eu preciso lutar contra esse impulso, confiar nos meus pés e continuar sendo bom dentro do pocket.”
O técnico Matt LaFleur dividiu a responsabilidade com a prancheta: “Você tem que olhar o que está pedindo aos seus jogadores e o que estamos fazendo esquematicamente, e precisamos fazer um trabalho melhor de misturar as coisas, para que não sejam só jogadas de desenvolvimento mais longo”.
Um adversário na medida no domingo
Green Bay está em 1-2, marcando 18,7 pontos e cedendo 30,3 por jogo, e vem da derrota pesada em casa para os Falcons. O ataque ainda perdeu o recebedor Jayden Reed para o resto da temporada. No domingo, às 14h de Brasília, visita os Buccaneers, que estão em 0-3 e vão escalar o novato não draftado Jalon Daniels como quarterback titular — ou seja, Love encontra um rival igualmente fragilizado, mas a conta da linha ofensiva continua aberta.
O jogo está no calendário da NFL, e a análise da linha ofensiva de Green Bay antes daquele jogo já apontava o problema. Mais conteúdo na editoria de NFL.
Fonte: ESPN.
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