A WNBA divulgou o balanço de sua 30ª temporada e o volume dos números explica por que a liga virou pauta de negócio, e não apenas de basquete. Foram 3,8 milhões de pessoas nas arenas ao longo dos 330 jogos de temporada regular, média de 11.474 por partida e alta de 21% sobre o recorde de 2025. A tese deste texto é que o salto não se explica por uma jogadora: ele vem de três alavancas somadas — expansão de franquias, distribuição em TV aberta americana e um limite físico que a liga ainda não resolveu.
O balanço oficial, número por número
Foram 212 jogos com casa cheia, 33 mais do que em 2025, o equivalente a 64% da temporada regular; quatro franquias esgotaram os ingressos em todos os seus jogos em casa. Na televisão, mais de 90 milhões de telespectadores únicos passaram pelas emissoras nacionais dos Estados Unidos, com mais de 320 milhões de horas consumidas. O dado mais revelador está na distribuição: 51 transmissões tiveram média acima de 1 milhão de telespectadores, contra 19 em 2025, e nove passaram de 2 milhões, contra quatro. A NBC fechou com média de 1,75 milhão, sua melhor marca desde 1998; a ESPN subiu 32%, para 1,24 milhão; o All-Star Game na ABC cresceu 44%, até 3,16 milhões. Nas redes sociais, a liga soma 4 bilhões de visualizações, 28% mais do que um ano antes. O pico foi Chicago Sky x Indiana Fever, em 23 de agosto: 3,31 milhões de telespectadores na NBC e no Peacock, a maior audiência de temporada regular desde a fundação da liga, em 1997.
O teto não é a demanda, é o tamanho do ginásio
Aqui entra a mecânica que o balanço oficial não comenta. Aquele mesmo Sky x Fever de 23 de agosto, o jogo mais visto da história recente da liga, teve 9.248 pessoas no ginásio, segundo o placar da ESPN, e terminou 113 a 90 para Indiana. Na mesma noite, Toronto Tempo x Las Vegas Aces reuniu 15.877 pagantes — e o Tempo, franquia de estreia, encerrou a temporada regular com 11 vitórias e 33 derrotas. Ou seja: o público não acompanha a qualidade esportiva nem o interesse televisivo, acompanha a capacidade da arena. O recorde de público da temporada foi justamente do Tempo, com 20.996 pessoas no Bell Centre, em Montreal, uma casa de hóquei. Enquanto a maior parte do calendário for disputada em ginásios de 9 a 12 mil lugares, a curva de público vai bater num limite de concreto, não de demanda. É o mesmo cálculo que move a corrida pela próxima franquia de expansão no basquete masculino e o projeto de uma liga da NBA na Europa: crescimento de audiência só vira receita quando há assento para vender.
As Finais começam sábado, e há um detalhe para a América Latina
A expansão é a segunda alavanca, e já apareceu na quadra. O Golden State Valkyries, que entrou na liga em 2025, fechou 2026 com 32 vitórias e 12 derrotas, a segunda melhor campanha geral, e decide o título em casa. Do outro lado está o Atlanta Dream, melhor campanha do Leste com 30-14. O Jogo 1 das Finais está marcado para este sábado, 17 de outubro, às 15h30 no horário do leste americano — 16h30 de Brasília —, na casa do Valkyries, conforme a tabela da ESPN. Para quem acompanha daqui, o balanço traz um item que vale mais do que os recordes: a liga passou a oferecer transmissões em espanhol no seu próprio serviço de streaming, voltadas ao público latino-americano. É o primeiro movimento concreto de regionalização de um produto que, até agora, chegava à região apenas em inglês. Quem quiser acompanhar o calendário do basquete americano pode conferir o calendário da NBA e as análises do nosso hub de NBA.
Fonte: BasketUSA, WNBA.com, ESPN.
Com informações do BasketUSA.
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