Amar’e Stoudemire formou-se nesta quarta-feira na academia de polícia de Miami-Dade e deve começar a atuar na Flórida nas próximas semanas. “Só vou atrás das coisas que me apaixonam”, resumiu o ex-pivô, que aos 43 anos e 2,08 m não deve passar despercebido de uniforme.
A virada de carreira responde a uma vocação de infância e a uma tradição de família. “É algo que eu sempre quis fazer desde criança”, contou à Sports Illustrated. “Lembro que, na escola primária, no dia dedicado às profissões, perguntavam o que queríamos ser quando crescêssemos. A minha primeira resposta foi policial. É uma vocação familiar: meu tio era capitão, o irmão dele era auxiliar do xerife, meu primo é capitão e minha irmã está na academia de polícia agora.”
A ironia da corrida longa
Aqui está o que o anúncio esconde. Stoudemire jogou 14 temporadas na NBA, disputou 846 jogos e marcou 15.994 pontos, com médias de 18,9 pontos e 7,8 rebotes. Mas em sete dessas 14 temporadas ele não chegou a 60 partidas. Em 2005/06, no ano seguinte à melhor campanha da sua vida (26,0 pontos de média em 2004/05), jogou exatamente três jogos: a ESPN noticiou na época a cirurgia de microfratura no joelho que o afastou por quatro meses. Nas seis últimas temporadas, os jogos disputados desenham uma curva irregular: 78, 47, 29, 65, 59 e 52.
Esse é o corpo que acabou de completar dez meses e meio de formação paramilitar. Stoudemire foi o primeiro a notar a diferença. “Na verdade foi um pouco mais difícil, porque agora eu corro muito mais do que antes”, explicou. “Na NBA, a gente faz sobretudo corridas de curta distância, certo? Na academia de polícia, são mais corridas de fundo, e a gente percorre muitos quilômetros no treino. Também fazemos uma enormidade de flexões, rastejamentos militares, agachamentos e avanços.”
Springfield em agosto, Miami em outubro
A proximidade das duas datas é o que torna o caso singular. No sábado, 15 de agosto, em Springfield, Massachusetts, Stoudemire foi consagrado no Naismith Memorial Basketball Hall of Fame, numa turma que incluiu Candace Parker, Elena Delle Donne, Chamique Holdsclaw, Doc Rivers e Mike D’Antoni — o treinador que desenhou em Phoenix o ataque mais acelerado da sua geração tendo justamente Stoudemire como motor. Recebeu o paletó e o anel das mãos dos próprios filhos. Dois meses depois, estava se formando numa academia de polícia.
O currículo que o levou a Springfield: nono escolhido do draft de 2002, direto do ensino médio, Novato do Ano em 2003, seis vezes All-Star, cinco vezes All-NBA e bronze olímpico em Atenas-2004. Foram oito temporadas no Phoenix Suns (2002-10) e cinco no New York Knicks (2010-15), antes de Dallas e Miami. A última na NBA foi 2015/16, no Heat: 52 jogos e 5,8 pontos de média. Dez anos depois, ele volta a Miami com outro uniforme — e a galeria de grandes nomes da liga, como o primeiro MVP da sua história, raramente registra uma segunda carreira fora do basquete.
O que vem agora
Stoudemire não vai patrulhar sozinho de imediato. “Sei quais são as minhas responsabilidades, mas ainda não exatamente os meus horários. A gente começa com uma formação interna, antes de ser acompanhado por um agente de formação em campo, durante um ou dois meses, para verificar se está pronto para sair sozinho em patrulha”, detalhou.
Resta o risco. “No começo, minha mulher estava um pouco preocupada, porque a profissão de policial tem evidentemente certos perigos”, admitiu o seis vezes All-Star. “Mas com uma boa formação e um domínio perfeito das regras e dos procedimentos, é possível garantir, até certo ponto, a própria segurança. É exatamente esse o objetivo.”
O valor da história, para quem acompanha a NBA do Brasil, não está no exotismo da troca de uniforme. Está na leitura inversa: a carreira de Stoudemire foi encurtada por um joelho que não suportava o calendário de 82 jogos, e o que ele faz agora exige resistência de longa duração, não explosão em curtas distâncias. Ele é um dos poucos que podem comparar as duas exigências por experiência própria. Enquanto isso, os sucessores dele começam a temporada: as datas estão no calendário da NBA e a cobertura segue no hub de NBA.
Fonte: ESPN, Sports Illustrated, BasketUSA.
Com informações do BasketUSA.
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