O Vancouver Whitecaps lidera o Oeste da MLS com 55 pontos e tem a melhor defesa da conferência: 31 gols sofridos em 30 jogos. O número que explica como isso acontece não está na coluna de gols. Somando as defesas e os gols sofridos por todos os seus goleiros, o clube enfrentou 93 chutes no alvo na temporada, 3,1 por partida, o menor volume da liga. O Vancouver visita o Colorado neste sábado, às 22h30 de Brasília.
Volume ou goleiro: dois modelos para o mesmo resultado
A coluna de gols sofridos esconde duas alavancas independentes: quantas finalizações limpas o adversário consegue e quantas delas o goleiro para. O Vancouver trabalha na primeira. Yohei Takaoka e os reservas fizeram 62 defesas, um aproveitamento de 66,7% que é apenas mediano na liga, e mesmo assim o clube só foi vazado 31 vezes, porque quase não dá trabalho ao próprio goleiro. São 12 jogos sem sofrer gol em 30, e 13 dos 31 gols concentrados em apenas quatro partidas.
Charlotte e Seattle fazem o contrário. O Charlotte enfrentou 179 chutes no alvo, 6,0 por jogo, e sofreu 45 gols porque Kristijan Kahlina fez 134 defesas, com 74,9% de aproveitamento. O Seattle Sounders enfrentou 149, 5,0 por jogo, e sofreu 37 com 75,2%. Os dois estão em zona de classificação com defesas estatisticamente boas e estruturas que vazam. O Nashville, único clube a dominar as duas alavancas, soma 98 chutes no alvo sofridos, 3,3 por jogo, 76,5% de defesas e 23 gols sofridos.
O caso Philadelphia mostra a conta pelo outro lado
O Philadelphia Union é a prova de que controlar o volume não basta. O clube enfrentou 110 chutes no alvo, 3,7 por jogo, o terceiro menor número da MLS, atrás apenas de Vancouver e Nashville. Ainda assim sofreu 48 gols, porque o aproveitamento dos seus goleiros, 56,4%, é o pior da liga. Na outra ponta, o Austin FC enfrentou 193 chutes no alvo, 6,4 por jogo, e Brad Stuver fez 137 defesas, mais do que qualquer goleiro da liga; o time sofreu 56 gols e está na 14ª posição do Oeste. O Orlando City chegou a 197 chutes no alvo sofridos e 70 gols.
Nota de método: os totais vêm da soma de defesas e gols sofridos de todos os goleiros de cada clube nas estatísticas de temporada da ESPN, cruzada com a tabela oficial. O San Jose ficou fora da comparação porque a base não cobre todos os jogos do clube.
Por que isso importa na pós-temporada
Com quatro rodadas restantes na temporada regular e a pós-temporada marcada para novembro, a diferença entre os dois modelos deixa de ser estatística. Aproveitamento de goleiro oscila de jogo para jogo; volume de chute concedido é propriedade da estrutura defensiva e se repete. Em série curta, quem sofre 6,0 finalizações no alvo por partida precisa que o goleiro siga nos 75%, sem uma única noite ruim. Quem sofre 3,1 pode ter uma noite ruim e ainda assim não ser vazado três vezes. O Vancouver tem 63 gols marcados e saldo de +32, mas o trunfo que leva para dezembro é justamente o volume que nega ao adversário. Mais números da reta final no hub da MLS, no calendário da liga e no texto sobre o recorde defensivo do Nashville.
Fonte: ESPN, MLSsoccer.com.
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