[MLS] Garber vê chegada de Harry Kane como a realização de um sonho da liga

Julien Josset | 08/10/2026 - 13:44

O comissário da MLS, Don Garber, disse nesta quinta-feira que a eventual chegada de Harry Kane à liga norte-americana representaria “a realização do sonho” que ele persegue desde que assumiu o cargo, em 1999. O atacante inglês, de 33 anos, revelou durante a última data Fifa que pretende atuar nos Estados Unidos antes de encerrar a carreira.

Kane chega ao fim do ciclo europeu em alta. Foram 73 gols por clube e seleção na última temporada, o título da Bundesliga com o Bayern de Munique e o bronze na Copa do Mundo com a Inglaterra, além de uma candidatura à Bola de Ouro, segundo a ESPN. Na terça-feira, o camisa 9 igualou o recorde de 125 partidas pela seleção inglesa e chegou a 91 gols internacionais na vitória por 3 a 0 sobre a Tchéquia, pela Liga das Nações. No total, marcou seis vezes nos quatro jogos da convocação.

O recado de Garber ao capitão inglês

“Eu adoraria que ele fizesse isso”, afirmou Garber à agência Press Association. “Para mim, é a realização do sonho que tínhamos de construir uma liga de futebol de verdade, capaz de puxar uma nação do futebol. Queríamos criar algo que fizesse os Harry Kanes do mundo dizer: ‘eu até gostaria de jogar na MLS’. E acho que o Messi provou isso.”

O comissário descreveu a contratação do argentino, em 2023, como uma disputa comercial vencida pela liga. “Foi um processo competitivo, para garantir que tivéssemos algo melhor do que voltar ao Barça e algo que fizesse com que ele não quisesse jogar na Arábia Saudita”, disse. “Jogar em Miami, poder construir um novo estádio, bater recordes, ser MVP e então ter uma despedida inacreditável da seleção.”

De Beckham a Messi, o legado que Garber entrega

Garber, de 68 anos, se recusou a hierarquizar os dois ingleses e argentinos que mudaram a liga. “O David colocou esta liga no caminho da credibilidade e do respeito. No auge da carreira, ele veio para Los Angeles”, disse sobre David Beckham, que trocou o Real Madrid pelo LA Galaxy em 2007 e depois ajudou a fundar o Inter Miami. “Sem o David provavelmente não existiria a Major League Soccer. Dito isso, a MLS não seria um fenômeno global sem o Leo Messi.”

Os números sustentam o discurso. A liga teve 45 jogadores convocados para a Copa do Mundo de 2026, recorde histórico, segundo o MLSsoccer.com. Para o torcedor brasileiro, que acompanha a MLS pela quantidade crescente de compatriotas em campo, é o sinal mais claro de que a liga deixou de ser um mercado de aposentadoria.

Transição de comando e o próximo degrau

A entrevista tem peso extra porque Garber está de saída. Ele deixa o posto de comissário na virada do ano, após 27 temporadas, e passará a ocupar a presidência do conselho. O sucessor já foi escolhido: Larry Berg, coproprietário do Los Angeles FC, anunciado em agosto como o próximo comissário.

Garber resumiu o momento com uma imagem rodoviária. “Acabamos de sair de uma estrada de terra, agora estamos entrando na rodovia”, declarou. “E temos de melhorar. Precisamos de uma liga mais competitiva, com capacidade de entrar no Mundial de Clubes e ganhar jogos. O Miami ganhou um. Não é só estar lá, é fazer as pessoas pensarem que um clube da MLS pode competir com outros clubes do mundo.”

A liga nasceu como contrapartida da candidatura dos Estados Unidos à Copa de 1994 e acaba de ver o país coorganizar a maior edição da história do torneio. A próxima medida do tamanho desse crescimento pode ser justamente a assinatura de um centroavante de 33 anos que ainda briga pela Bola de Ouro. Acompanhe a reta final da temporada na cobertura de MLS do Quinto Quarto e no calendário da liga.

Para dimensionar o capítulo que se encerra, vale reler a despedida de Messi da seleção argentina e a trajetória recente do Inter Miami.

Fonte: ESPN.

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