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Qual será o time mais chato de se acompanhar na temporada 2019/20 da NBA

charlotte hornets spectrum center

Cadeiras vazias, arena calada, jogo feio… vários sinais de um time chato em ação

Os fãs da NBA aceitam até um Miami Heat x Orlando Magic pela soberania da Flórida quando estamos há muito tempo sem ver o melhor basquete do mundo. Mas a verdade é que logo no terceiro dia de jogos voltamos ao normal nos padrões de exigência. E alguns times se tornam um porre de ver.

Pode ser por muitas razões e é claro que é subjetivo. Tem gente que odeia James Harden de morte e cada vez que ele tenha uma bola de três e ainda cavar uma falta, o ódio enche a alma e a boca começa a espumar. Se você é um desses, não vai ficar feliz em saber que ele foi o vencedor do Scalabrinão de Ouro do Quinto Quarto na temporada 2018/19.

Enfim, depois de escolher sete times que serão divertidos de ver, mesmo que não cheguem nem perto do troféu, e mais seis jogadores que não serão MVPs, mas você precisa acompanhar, aqui estamos.

Qual será o time mais chato de ficar de olho? Eu pensei em alguns critérios.

  • Esse time obviamente não pode estar na lista de divertidos e não pode ter um dos seis jogadores da lista do link acima;
  • O time não pode ter um All-Star;
  • A equipe não pode ir para os playoffs;
  • Tem que rolar um clima de fim de feira, desespero generalizado;

Veja que a lista deixará a relação bastante restrita. Abaixo vou passar um a um pelos candidatos e dizer por que eles não se encaixam no desejado por mim até chegar no grande campeão. Ou grande perdedor, sei lá.

San Antonio Spurs

Os Spurs tinham a fama de chatos até quando estavam vencendo tudo. Tim Duncan não era dos mais exóticos, a defesa era incrível e não rolavam tantos pontos, enterradas e bolas de três. Tem quem ame isso, como eu, mas não há como punir quem curte um basquete arte e não tão técnico.

Isso mudou nos anos finais de Duncan, iniciais de Kawhi e a modernização dos Spurs, que começaram a fazer o tiki-taka de forma maravilhosa.

Enfim, chegamos a 2019, Duncan é treinador, Kawhi tem mais um título, mais um MVP de finais e está de novo no Oeste e os Spurs jogam de forma técnica, meio chata e com mais arremessos de meia-distância do que qualquer outro time.

Algo não muito moderno com dois All-Stars que não povoam os sonhos molhados dos fãs da NBA. Mas são dois All-Stars. E ainda tem outros jogadores interessantes, como Dejounte Murray.

Spurs não contam.

Washington Wizards, Miami Heat, Toronto Raptors e Detroit Pistons

Nenhum destes será um time incrível em 2019/20. Mas os Wizards terão Beal jogando a vida para vazar de Washington o mais rápido possível. E ele está na lista dos seis jogadores que fiz nesta semana. Mesma coisa dos Raptors, que terá a narrativa “Pascal Siakam pode crescer e se tornar um franchise player?” rondando Toronto. E é um time de playoffs.

Heat e Pistons são dois times presos em um basquete um pouco ultrapassado. Erik Spoelstra é um bom treinador, mas ele ainda não pulou para dentro da revolução dos três pontos, Jimmy Butler gosta do Kobismo de pegar a bola e forçar arremessos e estamos falando de um time que preza pela fisicalidade e a defesa.

Já os Pistons ainda precisam colocar Blake Griffin e Andre Drummond juntos, o que não permite a liberação completa do ala-pivô para ser um 5 moderno que arremessa de 3.

Mas ambos têm estrelas e podem ir para os playoffs. Então esquece.

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chris paul steven adams thunder

Cleveland Cavaliers, Phoenix Suns, Memphis Grizzlies, Oklahoma City Thunder e Chicago Bulls

Agora a briga começa a ficar boa. Todos esses times não devem chegar aos playoffs. Eles não têm All-Stars, a menos que Kevin Love volte com tudo e Devin Booker ganhe jogos. E existe um clima de fim de feira por causa das derrotas nos últimos anos. Mas ainda há um fio de esperança em todos eles.

Time por time: os Cavs vão trocar Love mais cedo ou mais tarde. A dupla Collin Sexton e o calouro Darius Garland pode empolgar, por mais que ambos tenham que aprender a jogar sem a bola. John Beilein fará sua primeira temporada e o ex-treinador de Michigan enfatiza o ataque, com alta movimentação e muitas bolas de três. Vai ser divertido de ver.

O Phoenix Suns tem toda a carga de anos e anos pavorosos e uma decisão pior que a outra. O treinador agora é o coitado do Monty Williams, mas chega uma hora que com tanta escolha alta algo precisa dar certo. Devin Booker teve médias de 27 pontos e 7 assistências, mas ninguém foi informado disso porque o time era um lixo.

Deandre Ayton sofreu no começo, especialmente defensivamente, mas ofensivamente arregaçou as mangas e mostrou porque foi escolhido em primeiro, com média de duplo-duplo – 16,3 pontos e mais de 10 rebotes – como calouro. Então existe esperança, assim como em Memphis com Jaren Jackson Jr. e Ja Morant, por mais que as diretorias não queiram ajudar. Ver a evolução desses jogadores é o suficiente para ter algo com o que se contentar.

O torcedor do Thunder não pode reclamar de marasmo, mas pode ficar triste com a implosão final em uma década que era para ser de comemorações. Mas, como Sam Presti é bom, ele já veio com o plano e tudo desenhado: milhões de escolhas de Draft, Shai Gilgeous-Alexander para observar e até Chris Paul como tira-gosto. Esquece, não serve como time chato.

Sobra o Chicago Bulls. Uma franquia tradicional, torcida fanática, anos horrorosos, nenhum All-Star e um plano não lá muito bom. Lauri Markannen é bom, Coby White pode ter impacto já como calouro. Tem ainda Zach LaVine, Wendell Carter Jr… enfim, há com o que se animar. Ainda não cheguei no nível de chatice que quero.

O time mais chato é o New York Knicks?

Ahhhh, os Knicks. Exatamente 11 meses e 15 dias atrás eu escrevi o texto Kevin Durant nos Knicks, dando os argumentos para o que parecia uma completa viagem de ácido ser possível. Eu não acreditava 100%, mas fui acreditando aos poucos até esperar que isso acontecesse quando a free agency abriu.

No fim, o camisa 35 foi para os Nets. Foi uma das coisas mais desmoralizantes possíveis, já que o time tinha aberto espaço na folha salarial trocando seu maior ponto positivo desde que os joelhos de Patrick Ewing ainda existiam.

Aqui estamos. O que os Knicks fizeram com o espaço no teto salarial? Uma série de contratos curtos com jogadores que não empolgam tanto. Julius Randle é interessante, mas seria mais se chegasse em um time que briga por título, ou mesmo se ficasse em New Orleans. Marcus Morris não faz sentido algum. Nem vou falar das contratações sem sentido de Taj Gibson e Bobby Portis .

Mas pelo menos há várias peças jovens. RJ Barrett chega depois de ser um dos escudeiros de Zion Williamson em Duke. Ele brilhou por conta própria, com 22,6 pontos de média, mas mostrou que ainda é verde para os momentos de maior pressão. Bem trabalhado, ele pode ser uma boa segunda opção em poucos anos.

Kevin Knox sofreu na primeira temporada e Frank Ntilikina nas duas primeiras, mas o francês teve excelente campeonato mundial e Knox pode ser o 3 and D tão valioso na NBA atual. Ainda tem Mitchell Robinson e Dennis Smith para saber o que dá para tirar de ambos.

O clima de fim de feira existe pela questão Durant e o fato de nenhuma estrela da NBA respeitar o dono dos Knicks (James Dolan). Mas há talento jovem e, se uma estrela do primeiro escalão não se importasse com o dono, esse seria um time muito legal de se ver. Enfim, quase é o mais chato, já que não irá para os playoffs, não tem um All-Star e o clima é deprê. Mas ainda há esperanças e algo a se ver.

Orlando Magic

O time foi para os playoffs na temporada passada. Nikola Vucevic explodiu. Jonathan Isaac e Aaron Gordon são dois alas que entregam no quesito físico e podem evoluir ainda mais. Por mais que falemos isso de Gordon há anos, vamos lá na insistência. Mo Bamba ganhou 7 kg de músculo. Steve Clifford é um bom treinador. O time terminou a temporada com 22 vitórias e nove derrotas.

Não dá para escolher o Magic.

Mas chegamos perto de onde queríamos. A divisão é a mesma.

O time mais chato da NBA em 2019/2020 é o…

Charlotte Hornets.

Quando o time deu 19 milhões de dólares anuais para Terry Rozier, que teve péssima temporada em Boston, para ser seu armador titular depois de perder seu único jogador bom para os próprios Celtics, eles garantiram este lugar.

A verdade é que Michael Jordan como dono é um show de horrores. E o último capítulo foi não ter trocado Kemba Walker há um ano, 18 meses, para livrá-lo do suplício que eram os Hornets. 

Depois da temporada 2011/12 dos ainda Bobcats, quando o time venceu 7 jogos dos 66 da temporada regular (teve locaute na temporada), o time foi apenas duas vezes aos playoffs e perdeu para o Miami Heat em ambas as campanhas, na primeira fase. E o pior é que o time quase sempre foi medíocre, o que não possibilitou que talentos acima da média chegassem na equipe.

Mas em 2015 isso podia ter mudado. Os Celtics ofereceram um pacote que podia chegar a quatro escolhas de primeira rodada – quando ainda aproveitavam o roubo dos Nets – para poder escolher em nono e pegar Justise Winslow. Imagina a cagada que seria. Mas os Hornets estufaram no peito, mataram o pedaço de cocô e disseram “não, a cagada é nossa”. E escolheram Frank Kaminsky com sua nona escolha.

Frank, The Tank, teve quatro temporadas em Charlotte, com absurdos 9,8 pontos e 4 rebotes de média e 23 jogos como titular dos 280 possíveis. Ele foi para os Suns nesta offseason.

Ou seja, pagar US$130 milhões pelo bom, mas nada de espetacular Nicolas Batum não foi nem a terceira maior cagada dos Hornets nos últimos anos. E mesmo tendo um time horroroso, provavelmente o pior da NBA, a equipe tem uma folha salarial de US$125 milhões, ficando próximo do meio da tabela.

Vou completar a tristeza para finalizar este post: nenhum jogador teve média acima de 10,1 pontos na temporada passada. Este não é o último ano de reconstrução porque para o ano que vem Batum terá uma player option de US$27 milhões que ele vai aceitar com um sorriso no rosto, Rozier receberá 19 milhões e Cody Zeller, 15,4 milhões.

Tem algo a se ver? Pode ser, mas vai ser peneirar demais em um lugar que é melhor que seja ignorado.

Cadeiras vazias, Rozier jogando 20 minutos a mais por jogo do que ele pode e precisa, James Borrego entrando em depressão no banco e uma boa chance de ter a primeira escolha do Draft em 2020. O Charlotte Hornets será o time mais chato de se ver nesta temporada que irá começar.

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