NBA

James Harden é o vencedor do Scalabrinão de Ouro de 2018/19

James Harden Scalabrinão de Ouro

Na temporada passada o voto do redator que vos escreve não acompanhou a sabedoria suprema de Brian Scalabrine, o mago do basquete moderno. O Scalabrinão de Ouro foi para LeBron James. Meu voto de MVP foi para James Harden.

Por isso que recebi com pouca surpresa e muita dor a punição imposta a mim justamente no dia que postei o seguinte no Instagram.

 

“Em breve” o único que aconteceu foi a minha quase morte. Eu entendi o recado: Brian Scalabrine não quis que eu discordasse dele mais uma vez.

(Também pode ter sido a virada do tempo, as duas gin tônicas hipervalorizadas no bairro de Pinheiros em São Paulo, uma bebida chamada McLovin que não me trouxe a alegria que Superbad me traz, ou o ar-condicionado sub-glacial do restaurante Sujinho).

Parei com as piadas, vamos falar sério.

Em qualquer ano eu daria o meu voto de MVP para Giannis Antekounmpo. Eu prefiro o basquete do grego ao de Harden. Nesta temporada nós vimos a explosão do camisa 34, algo que era previsível e Mike Budenholzer poderá colocar no seu currículo que foi o principal responsável. Tirando o próprio jogador.

A ideia é simples, mas sempre é muito mais difícil fazer do que falar. Bud colocou Giannis próximo da cesta e abriu todo o resto da galera para chutar de 3, inclusive o pivô Brook Lopez. Além de ter a quinta maior média de pontos da NBA, com 27,4, Giannis é candidato sério ao prêmio de melhor defensor do ano.

Com 12,5 rebotes, 5,9 assistências e 1,5 toco por jogo, ele fez uma temporada digna de MVP. Só que o que James Harden faz é sacanagem.

James Harden merece

Muita gente tem bode do camisa 13 e quando isso acontece é difícil reverter. Que me lembro recentemente, de jogador odiado que passou a ser respeitado e até amado, só Cristiano Ronaldo.

Voltando ao basquete, Harden é um cavador de faltas de primeira. Defensivamente, mesmo que tenha melhorado, muitos ainda lembram daquele vídeo onde ele tinha tanta energia na defesa quanto Lucas Lima. E, nos playoffs, por culpa dele, mas também de seus times, ainda há traumas bem marcados e frescos na memória de todos.

Depois do baque mais recente, a derrota em sete jogos para os Warriors, com 27 bolas de três erradas de forma consecutiva no jogo final, os Rockets chegaram para a nova temporada com um problema sério. O time perdeu dois defensores de perímetro, vitais para seu jogo, em Trevor Ariza e Luc Richard Mbah a Moute.

A solução encontrada foi trazer Carmelo Anthony. Sim, mesmo seis meses depois, isso ainda não faz o mínimo sentido.

Logo de cara a equipe teve 4 derrotas seguidas e caiu para 1-5. A experiência Melo em Houston foi abortada. Sem a solução e muito menos os dois marcadores vorazes de outrora, os Rockets tiveram que apelar.

Danuel House e James Ennis foram titulares em 13 e 25 partidas respectivamente. Austin Rivers veio em troca e imediatamente tornou-se muito útil. Kenneth Faried resgatou sua carreira, pelo menos por algum tempo.

Eles tiveram espaço porque as lesões também cobravam seu preço. Chris Paul perdeu tempo no começo de dezembro e ficou fora de quase todo o mês de janeiro. Clint Capela ficou fora de 40 dias entre metade de dezembro e metade de janeiro. Ou seja, o segundo e terceiro melhor jogador dos Rockets ficaram fora por grandes períodos.

Lesões em jogadores importantes podem acabar com uma temporada. Uma história como a de Carmelo Anthony, 500 vezes All-Star, indo para um time e sendo afastado como se fosse tóxico com 10 jogos, também poderiam causar uma hecatombe.

Duvida? Pergunta para o Los Angeles Lakers.

James Harden é a principal razão para o time estar com 50 vitórias no momento, na quarta posição do Oeste e muito possivelmente conseguindo a terceira posição até o fim da temporada. Ele também é a segunda e a terceira razão.

Isso aqui não vale para o prêmio de MVP, mas saca só: desde que ele chegou em Houston ele jogou 78, 73, 81, 82, 81, 72 e até agora 73 jogos. Ele está em quadra com enorme frequência.

E os Rockets neste ano precisaram de cada um de seus 2656 pontos, QUASE 600 A MAIS QUE O SEGUNDO COLOCADO, Paul George.

Com suas 7,5 assistências por jogo e 6,5 rebotes, ele mostra mais uma vez que é um dos melhores jogadores ofensivos da história da NBA. Sim, para quem odeia Harden, isso aqui é um choque.

Mas olha a companhia dele este ano. Entre os quintetos que mais atuaram – Mike D’Antoni mistura absurdamente, olha isto  – dá para notar que estamos longe de falar de um Warriors versão texana.

O terceiro na lista (excetuando um quinteto com Anthony que teve vida curta e por isso fica fora) tem P.J. Tucker (um monstro este ano, em todos os sentidos), Eric Gordon, James Ennis e Capela junto com Harden.

O quarto quinteto mais usado teve House no lugar de Ennis. E o quinto tem Austin Rivers, Gerald Green, P.J. Tucker e Clint Capela junto com o Barba.

Harden para mim leva o Troféu por causa do contexto dos Rockets, que tinha tudo para descambar em uma queda brutal e o fato que mesmo jogando com jogadores bastante limitados ofensivamente, ele tem 36,4 pontos de média por jogo.

LeBron James nunca teve uma temporada de 2600 pontos. Kevin Durant teve 2593 em 2013/14. Esse foi seu máximo e ele foi MVP. Russell Westbrook, com toda a liberdade do mundo, chegou a 2558 pontos em seu ano de MVP.  Shaquille O’Neal teve 2377 em 1993/94, seu maior número na carreira, ainda em Orlando.

Harden tem 2656 e ainda faltam cinco jogos. Ele vai encostar no número de Kobe Bryant em 2005/06, a temporada que ele conseguiu os 81 pontos contra os Raptors. Kobe teve 2832 pontos.

ps: enquanto escrevia este texto, James Harden teve 36 pontos em apenas 29 minutos contra os Kings. Normal, essa é sua média na temporada.

No Scalabrinão de Ouro…

Quando fizemos a primeira parcial, no dia 6 de dezembro, oito jogadores tinham 3 troféus Brian Scalabrine, dados para o melhor jogador da noite da NBA: Harden, Giannis, LeBron, Embiid, Kawhi, Anthony Davis, Damian Lillard e Kyrie Irving.

Na parcial seguinte, Harden tinha 12 (30/01).

Alguns dos box score dessa sequência: 50-10-11 (x Lakers), 47-5-6 (x Jazz), 41-7-6 (x Thunder, Natal), 45 contra os Celtics, 43-10-13 contra os Grizzlies, 44-10-15 contra os Warriors, 57 contra os Grizzlies, 48-8-6 contra os Lakers.

E esta arte termina de fazer a vida miserável para os anti-Harden. Ela foi feita no meio dessa sequência.

 

Se lances livres não contassem, ele teria mais pontos que Stephen Curry. Se as bolas de três só valessem dois, ele teria mais pontos que Anthony Davis.

Vamos lá, junte-se comigo anti-Harden. Eu também gosto mais de Giannis, mas não há como negar.

Amarrando tudo

Giannis Antetokounmpo teve uma temporada incrível, enchendo o box score, ganhando jogos e ainda podendo ser eleito o melhor defensor da temporada. Em qualquer ano ele seria o MVP e em qualquer dos próximos anos ele será.

Mas James Harden liderou um time, que se partiu em volta dele, a ficar em quarto na sua conferência e chegar a 50 vitórias.

Mesmo os rivais sabendo que a bola seria levada até o ataque por ele e a tentativa de cesta seria com ele também, o camisa 13 foi imparável e conseguiu uma das maiores temporadas no ataque que a NBA já viu.

Desculpa Giannis, o voto do redator segue o de Brian Scalabrine. O Scalabrinão de Ouro é de James Harden.

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