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Boston Celtics 2019/2020: melhor ou pior que os Celtics 2018/19?

kemba walker boston celtics

Olá amigos! Continuamos com nossos textos que servem como prévias para a temporada 2019/2020 da NBA. Desta vez nós não iremos fazer uma prévia time a time, afinal há material mais do que numeroso disso na internet e não é tão divertido.

Para sermos os diferentões, pegamos alguns temas que iremos explorar e assim você terá uma preparação intelectual para um jogo de 10 pessoas correndo atrás de uma bola laranja com uma disputa de classes… ok, não tão intelectual.

O tema de hoje é um de grande fascínio, pelo menos para mim: o Boston Celtics versão 2019/2020. Independente se o seu sangue é verde, se você odeia o time por ser torcedor dos Lakers ou qualquer variação disso tudo, você há de concordar que esta é uma das franquias que mais chamam a atenção nesta caminhada para a temporada 2019/20. Você não concorda comigo? Vou me explicar.

Os Celtics fizeram (quase) tudo certo… e deu errado?

A NBA é cruel, todos sabem. O Oklahoma City Thunder draftou três futuros MVPs e tem zero títulos para comemorar. O Los Angeles Lakers fez tudo errado nesta década e vai chegar para os anos 2020 – estamos ficando velhos – com o segundo melhor jogador da história e um possível MVP em seu elenco.

Já o Boston Celtics fez um trabalho de formiguinha. Teve um divórcio triste, mas necessário, com dois de seus ídolos para poupar e ter um futuro. A reconstrução foi rápida, voltando aos playoffs e às finais da conferência de forma brilhante.

Com bons jovens – Jaylen Brown, Marcus Smart, Jayson Tatum – o time foi ao mercado e ainda trouxe dois All-Stars que eram conhecidos por terem jogos completos, serem bons líderes e encaixarem com o plano de jogo do jovem e brilhante treinador Brad Stevens. Eram eles Al Horford e Gordon Hayward. Pagaram muito? Sim, mas faz parte do jogo atual da NBA.

Para ser a cereja do bolo, a equipe foi até Cleveland e pegou um armador hipertalentoso, decisivo e habilidoso, que queria liderar uma equipe e sair da sombra do citado segundo melhor jogador da história. A troca para adquiri-lo foi um negócio da China, quase um roubo.

Breve parênteses para uma reflexão

Hoje elenco não importa mais tanto. Se nas prévias em 2013, 2014, neste nobre site, destacávamos coisas como segunda unidade e o fato do time ter 10 para jogar, hoje isso teve sua importância reduzida em pelo menos 50%.

Nenhum time moderno e treinador minimamente atualizado coloca segundas unidades inteiras para jogar enquanto os titulares ficam no banco. A ideia agora é criar quintetos que tenham pelo menos um dos craques em quadra.

Então, por exemplo, teremos Tatum jogando com os chamados “reservas” para ele ter mais arremessos e testar suas habilidades de playmaker. Mesma coisa com Kemba.

Quando chega nos playoffs, o elenco não importa mesmo, a não ser por lesões. E vimos isso com os próprios Celtics. Eles tinham talvez o maior elenco da NBA na temporada passada, mas não dá para jogar com 10, 11 jogadores nos playoffs. Você tem que encurtar para oito ou até sete. Os Raptors jogaram com Lowry, Green, Siakam, Leonard e Gasol e incluíam apenas VanVleet e Ibaka. Norman Powell, que foi o oitavo com mais minutos, teve apenas 66 minutos em quadra nos seis jogos das finais.

Os Warriors dividiram mais os minutos, mas muito por causa das lesões e a tentativa de achar respostas para uma série que acabou indo para o vinagre. Mas o argumento ainda vale: cansamos de ver como os três vezes campeões nos últimos cinco anos encurtaram as rotações nos playoffs e deixavam sempre pelo menos dois craques em quadra.

Assim há 48 minutos de basquete de alta qualidade, sem ter que dar a bola para Alfonzo McKinnie ou Quin Cook liderarem o ataque

Voltando aos Celtics

Eu não vou falar do desempenho de Boston em quadra porque todos sabem o que aconteceu, mas a história decorreu desta forma.

Um dos veteranos quebrou a perna, e quase fez o mundo vomitar com a imagem, com cinco minutos de história com sua nova equipe. Sua segunda temporada foi de poucos altos e muitos baixos.

gordon hayward boston celtics

Tem volta? A resposta pode aparecer nesta temporada

O jogador hipertalentoso também era hipermisterioso, um gênio entre os passivo-agressivos.

Al Horford entregou tudo que podia. Não há do que reclamar. Só que ele saiu do time e foi para o principal rival na conferência. Ah, o armador temperamental também saiu.

Você pode falar o que quiser, mas é inegável que o trabalho de reconstrução de Danny Ainge foi perfeito, inclusive ao tomar decisões difíceis – trocar Pierce e Garnett, a negociação de Kyrie por Isaiah Thomas – mas Kyrie derrubou o castelo de cartas.

E ainda teve algo pior. O Toronto Raptors, que nunca abraçou uma reconstrução, fez uma negociação kamikaze por Kawhi Leonard, do tipo que os Celtics se recusaram a fazer, já que sempre pensaram no longo prazo. Resultado, os Raptors venceram o título enquanto Boston estava de férias.

A vitória dos Raptors foi um soco no estômago do Houston Rockets – que não conseguiu passar pelo obstáculo Golden State Warriors – e um chute no saco dos Celtics.

Eis que chegamos a esta temporada

A temporada 2019/2020 dos Celtics

Livrar-se de Kyrie era uma necessidade, mas a perda de Horford é sentida. Ele era o pivô moderno que marcava Joel Embiid e conseguia sair do garrafão e ter a movimentação lateral para não ser morto em trocas.

Ainda conseguia abrir raias no ataque porque podia ir para trás da linha de 3 e arremessar de lá, ou pelo menos ser uma ameaça: 42,9% de aproveitamento em 2017/18, apenas 36% em 2018/19, mas este foi um ano horrível para o time. Nem vou entrar na questão da liderança positiva que ele exercia.

O seu substituto é Enes Kanter, que também consegue abrir a quadra para infiltrações de armadores e até tem um bom arsenal ofensivo. Defensivamente não há comparação, a diferença é enorme. Tanto isso é verdade que a razão para o Thunder ter aberto mão do jogador turco era que ele era simplesmente assassinado na defesa de pick n’roll.

Isso melhorou na campanha passada quando Kanter jogou pelo Portland Trail Blazers. Mas estamos falando da saída de um jogador que conseguia limitar Embiid e Giannis Antetokounmpo melhor que qualquer outro jogador. Essa é a saída mais sentida.

Já a substituição de Kyrie foi muito bem feita. Kemba Walker é um excelente jogador, curiosamente com um jogo bem similar ao de seu antecessor, por mais que ele faça tudo um pouco pior: ele é habilidoso e consegue finalizar perto da cesta, mas não como Kyrie.

Ele é um bom arremessador de três. Não deixe se enganar pela média ruim da temporada passada porque ele tinha que ser a opção número 1, 2 e 3 de um medíocre time dos Hornets. Mas Kyrie tem médias incríveis e é o responsável por um dos maiores arremessos de 3 da história da NBA.

Mas pelo menos os Celtics tem um ótimo jogador em Kemba e algo a descobrir: como ele lidará com tanta liberdade, já que qualquer marcador com neurônios focaria nele em seus tempos de Charlotte. Agora os marcadores de Kemba tem outras preocupações.

E elas atendem pelos nomes Jaylen e Jayson. Tatum teve uma segunda temporada bastante desanimadora, sendo criticado especialmente pela escolha por arremessos de dois longos. Essa nova forma de jogar teve um culpado para os torcedores dos Celtics: o sabotador Kobe Bryant, com quem Tatum treinou no verão anterior à temporada passada.

Claro que isso só é picuinha e dá para explicar melhor apontando para a completa falência do ataque dos Celtics, que Irving não soube liderar e Tatum aproveitou toda chance que teve para conseguir seus pontos. O time foi o 14º em pontos por jogo e o terceiro pior da liga em lances livres, um bom critério para avaliar a agressividade da equipe.

Jaylen Brown foi provavelmente o jogador mais constante, provando que é um 3 and D moderno mais uma vez. O problema é que ele entra em ano de contrato e é possível que veja seu valor como superior à realidade. Hoje Brown não é a primeira e não pode ser uma segunda opção. Caso Tatum se estabeleça como uma opção constante de ataque e chegue aos 20 pontos de média – ficou em 15,7 em 2018/19 – Brown estará na sua posição certa.

Mas onde entra Gordon Hayward em tudo isso? Sua primeira temporada completa com os Celtics foi dura, com alguns flashes mas muitos momentos apagados. Hayward pareceu hesitante, algo totalmente justificável para quem volta de lesão. Só que Stevens não deixou de dar minutos para ele, o que pode ter gerado ciúmes em um vestiário difícil como o dos celtas na temporada passada.

É possível um quinteto com os três alas, Kanter e Kemba? Até que sim, mas é provável que a intensidade de Marcus Smart seja necessária, pedindo pelo amor de Deus para ele retirar um pouco de seus arremessos errantes. Hayward como sexto homem e sendo o playmaker que sai do banco pode ser uma posição melhor para o ala, que demonstrou ter visão de jogo desde seus últimos anos em Utah.

Os Celtics do ano passado eram uma equipe para 60 vitórias, mas a química completamente torta de um líder que não podia ocupar essa posição fez tudo naufragar, com uma performance nos playoffs contra os Bucks simplesmente patética.

Já estes Celtics são um time inferior em talento, mas cujo encaixe deve ser muito melhor. Walker está longe de ser um armador tradicional, assim como Kyrie não era, mas ele é um jogador que fará os outros serem melhores, especialmente Brown e Tatum.

Se os Celtics do ano passado tiveram 49 vitórias, muito menos que o esperado, os deste ano devem se aproveitar mais uma vez a fraqueza do Leste. Os Nets melhoraram, mas ainda não têm KD. Os Raptors perderam Kawhi, os Pacers ainda devem demorar para ter Oladipo. Pensar em poucas vitórias a menos que em 2018/19 ou até igualar essa marca é algo realista.

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