NBA

Temporada NBA 2019/2020: por que você deve assistir mesmo se não gostar de basquete

kawhi leonard raptors nba philadelphia 76ers

Uma das primeiras coisas memoráveis que Bruno de Abreu Bataglin falou para mim quando começamos a estudar o curso de Jornalismo juntos – sim, acende uma vela por nós – foi que ele não gostava de basquete, mas gostava da NBA. Nos nove anos seguintes até chegarmos em 2019 ele falou mais umas duas ou três coisas que valiam a pena ouvir, a maioria delas no nosso podcast Quinto Quarto Expresso.

E não é que ele falou uma verdade. Você pode até estar estranhando, afinal a NBA é uma liga de basquete, assim como a Premier League é uma liga de futebol e nenhum ser, pelo menos que eu conheça, fala que não gosta de futebol mas gosta dos jogaços do Campeonato Inglês.

Mas como nosso post “As diferenças entre o basquete jogado nas competições FIBA e NBA” denuncia, dá quase para dizer que é outra coisa. Não muito diferente, mas o suficiente para fazer a afirmação do Bruno ser pertinente. A quadra é maior, a linha de três pontos é mais afastada, a de lance livre também, são 48 minutos em vez de 40, é permitida uma falta a mais e outras regrinhas mudam.

Mas o principal é mesmo a concentração de estrelas. Nenhuma liga esportiva no mundo tem tantas estrelas como a NBA.

Nas próximas semanas iremos postar uma série de textos especiais sobre a NBA e a temporada 2019/20 que está chegando. Acompanhe!

As estrelas, os gênios… é realmente imperdível

Não sei você, mas eu sempre fui fascinado pelos gênios do esporte, querendo conferir até esportes que nem curto tanto só para entender porque tal pessoa era a pica das galáxias. Algumas vezes você sai decepcionado sem entender muito bem. Eu duvido que isso aconteça ao ver Stephen Curry acertar oito bolas de três em um jogo ou Giannis Antetokounmpo enterrando 10 vezes por partida.

Dá para argumentar de várias formas do porquê a NBA ser a liga das estrelas. A principal delas é a valorização da imagem dos jogadores que acontece há décadas. O logo da NBA é a silhueta de um dos grandes da história do basquete, Jerry West. A liga se reergueu depois de anos de crise com os duelos entre Boston Celtics e Los Angeles Lakers. Mas é mais possível que uma pessoa que não conheça tanto veja Magic Johnson abrindo o sorriso e logo saiba quem é do que falar sobre os Lakers dos anos 80.

E, claro, não dá para não citar Michael Jordan. A Nike até hoje fatura milhões ao redor do mundo explorando sua maior commodity, um homem de 56 anos que não joga há duas décadas.

michael jordan scottie pippen phil jackson

Essa foto vai acabar com seu plano de dados (Crédito: Instagram/reprodução)

Novamente falando para quem não conhece tanto, você pode não saber o que é Cleveland Cavaliers, mas sabe quem é LeBron James. Não sabe de toda a treta entre Shaquille O’Neal e Kobe Bryant, mas vai ter aquela sensação de familiaridade quando ver Shaq viralizando por estar em uma rodinha punk em um show de eletrônica no meio da Europa.

E isso estamos falando de coisas mais superficiais.

A NBA é uma liga que vale a pena ser assistida porque ela valoriza a competição. Mesmo com alguns baques nessa ideia por causa de estrelas que querem jogar com outras estrelas, ainda dá para encontrar um monstro do esporte ou pelo menos alguém bem acima da média em 22 dos 30 times. Desculpa Knicks, Suns, Kings (por pouco tempo), Bulls, Cavaliers, Grizzlies (por pouco tempo), Hornets e Magic.

O melhor jogador universitário (a promessa, pensa no Neymar) não está comprometido com um time. Ele entra no Draft da NBA e será escolhido por um dos piores times da temporada passada. Zion Williamson, que tem vídeos dele enterrando e dominando os coitados que jogavam contra sua escola do ensino médio e faculdade, foi para o New Orleans Pelicans. Os Pelicans são uma das franquias mais modestas da NBA, com o menor mercado da liga, o segundo menor valor e uma história pouco gloriosa.

Mas não precisa ficar com dó, porque o valor de US$ 1,2 bilhão dos Pelicans é maior que a grande maioria dos clubes gigantes do futebol e nem vamos comparar com o futebol do Brasil porque não dá.

Os times também tem um teto salarial, o que iguala o jogo entre o Los Angeles Lakers, time hipercampeão, com enorme torcida, no segundo maior mercado dos Estados Unidos, com equipes como o Memphis Grizzlies, Oklahoma City Thunder e os Pelicans, de mercados bem menores e de histórias mais curtas.

Estamos voltando à imprevisibilidade

O fato do talento ser tão dividido e existir grande movimentação dele, algo que aumentou nos últimos anos, faz a liga ser imprevisível. A década começou com o Miami Heat formando um timaço com LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh, com os três diminuindo seus salários caberem no teto salarial. Na Conferência Oeste tinha várias equipes boas, mas o Oklahoma City Thunder, que tinha acabado de chegar de Seattle, selecionando talento jovem de forma espetacular: eles tinham Kevin Durant, James Harden e Russell Westbrook.

kevin durant russell westbrook oklahoma city thunder

O Thunder teve esses dois e mais o futuro MVP Harden. E mesmo assim não venceu (Crédito: Instagram/reprodução)

Hoje, apenas nove anos depois, o Heat é um time intermediário e o Thunder será um dos piores de sua conferência. LeBron saiu de Miami, voltou para Cleveland e hoje está nos Lakers. Wade aposentou na temporada passada. Bosh aposentou de forma precoce. O Heat, que queria ser multicampeão, venceu duas vezes e terminou sua era antes do esperado.

Melhor que o Thunder, que nunca venceu, se desfez de James Harden em uma troca absurda com Houston, viu Durant ir embora e ser duas vezes campeão com o Golden State Warriors e partiu para a reconstrução, trocando Westbrook com… Houston, para jogar com Harden.

Se nos últimos anos as coisas foram mais previsíveis, com quatro finais seguidas entre Warriors e o Cleveland Cavaliers, a temporada 2018/2019 da NBA foi de quebras. Os Cavaliers se desmontaram com a saída de LeBron e nem chegaram perto dos playoffs. Os Warriors voltaram às finais pelo quinto ano seguido, mas com muitas lesões e um Kawhi Leonard inacreditável, perderam para o Toronto Raptors, pela primeira vez campeão da NBA.

Sim, uma franquia canadense foi campeã da NBA, um grego (Giannis Antetokounmpo) foi escolhido o MVP (Jogador Mais Valioso), um camaronês (Paskal Siakam) foi eleito o jogador que mais evoluiu, um francês foi o melhor defensor (Rudy Gobert) e um esloveno foi selecionado como calouro do ano (Luka Doncic). Ah, e os Estados Unidos foram amassados no Mundial de Basquete.

A NBA é a melhor liga do mundo não só porque os americanos jogam o esporte de forma sublime e poderosa, mas agora também porque os melhores estrangeiros chegaram para disputar tudo, títulos, fama, premiações, dinheiro, em forma de igualdade. Isso nos melhores ginásios do mundo, quase sempre lotados, ganhando salários astronômicos e com jogos todos os dias – com poucas exceções – durante seis meses.

Para a temporada NBA 2019/2020 as coisas estão completamente abertas, com pelo menos quatro grandes candidatos ao título e mais meia-dúzia que podem brigar pau a pau em uma noite qualquer.

Você não gosta de basquete? Tudo bem. Mas você precisa gostar da NBA e acompanhar a temporada 2019/2020. Siga a gente nas redes sociais – Instagram, Facebook e Twitter -, e acompanhe as novidades aqui no site e a gente te ajuda a ficar por dentro. Como sempre teremos posts de opinião, podcast, informação e o Troféu Brian Scalabrine, claro.

Comments
To Top