Playoffs NBA: quem são os cinco times mais pressionados na briga pelo título

Antônio Henrique Pires Collar | 19/04/2024 - 16:04

Os Playoffs 2024 da NBA vão começar neste sábado (20), com 16 times brigando pelo título de campeão da temporada. Na véspera da abertura da fase decisiva, duas vagas ainda estão disponíveis, uma em cada conferência. Os lugares serão definidos esta noite, com o confronto entre Miami Heat e Chicago Bulls, pelo Leste, e New Orleans Pelicans e Sacramento Kings, no Oeste.

Apenas uma franquia levará o troféu para casa, mas a pressão está espalhada entre vários dos desafiantes. Enquanto equipes como Oklahoma City Thunder, Orlando Magic e Indiana Pacers já comemoram a experiência de participar do mata-mata com bases tão jovens, há elencos que encaram esta ida aos Playoffs quase que como a última chance de mostrar que ainda podem vencer.

Os motivos são variados, mas todos têm em comum o tempo de espera pela busca do lugar mais alto no pódio. Abaixo, confira cinco times que entram pressionados na pós-temporada.

Os cinco times que mais precisam ser campeões da NBA

Boston Celtics

Dono da melhor campanha da NBA em 2023-24, com 64 vitórias, o time treinado por Joe Mazzulla é o grande favorito na Conferência Leste. Nas palavras de Uncle Ben, com grandes poderes vêm também grandes responsabilidades. É o caso dos celtas, que chegam para os Playoffs com uma base muito parecida com as de anos anteriores.

A pressão sobre Boston não é apenas pela ótima temporada, mas pelo histórico. Desde de 2018, quando Jayson Tatum e Jaylen Brown passaram a jogar juntos, os Celtics terminaram entre os três primeiros colocados do Leste cinco vezes. Foram às finais de conferência em 2018, 2020 e 2023, além de terem sido vice-campeões em 2022.

Neste tempo, Brad Stevens e Ime Udoka passaram pelo cargo de treinador. Com as chegadas de Jrue Holiday e Kristaps Porzingis para a equipe titular, o nível técnico subiu e a hora de confirmar o título que não vem desde 2008 parece ter chegado. Em caso de mais uma decepção.

Los Angeles Clippers

James Harden e Kawhi Leonard, do Los Angeles Clippers. Foto: Icon sport
James Harden e Kawhi Leonard, do Los Angeles Clippers. Foto: Icon sport

Em 2019, o Los Angeles Clippers fez as movimentações mais ousadas de sua história. Contratou Kawhi Leonard, campeão e MVP das finais pelo Toronto Raptors naquele ano, e trocou por Paul George, que havia terminado em terceiro na corrida para MVP da temporada regular, atrás de Giannis Antetokounmpo e James Harden. Mesmo assim, o melhor resultado que conseguiu foi uma final de conferência, em 2021.

O elenco atual é o mais estrelado da liga. Além dos craques já citados, chegaram Russell Westbrook e Harden, que buscam o primeiro título de suas carreiras. Tyronn Lue, técnico campeão em 2016 pelo Cleveland Cavaliers, também é considerado um dos mais competentes da NBA e precisa comprovar que pode liderar este grupo a voos mais altos.

No próximo mês de agosto, os Clippers abrem as portas de sua nova arena, que promete ser a mais moderna da NBA. Dependendo dos resultados nestes Playoffs, pode ser que o plantel já seja bem diferente até a estreia oficial, na próxima temporada.

Philadelphia 76ers

Confie no processo. O “Trust the Process” virou lema no Philadelphia 76ers há mais de uma década, quando a franquia iniciou um processo de reconstrução que resultou em quatro escolhas top 3 entre os Drafts de 2014 e 2017. As seleções de Joel Embiid (3º na classe de 2014), Jahil Okafor (3º, em 2015), Ben Simmons (1º, em 2016) e Markelle Fultz (1º, em 2017) não deram o resultado esperado. Mesmo que tenha perdido suas duas primeiras temporadas com lesões, estreando como profissional apenas em 2017, Embiid foi o único que deu o resultado esperado.

Os jogadores que não deram a resposta imaginada e acabaram deixando a Philadelphia não foram os únicos, já dois técnicos também rodaram no cargo. Responsável por iniciar a reformulação, Brett Brown não resistiu à eliminação de 2020, e Doc Rivers, atualmente em Milwaukee, foi desligado depois do insucesso no ano passado.

Agora, após seis idas frustradas aos Playoffs, o rosto oficial do “processo” vive momento decisivo. Em 2023, o Embiid foi eleito MVP da temporada regular, mas na fase eliminatória sua média de pontos diminuiu de 33.1 para apenas 23.7, com o aproveitamento de arremessos caindo de 53% para 43%. Neste ano, será a primeira vez que ele começará a primeira rodada sem o mando de quadra, com os dois primeiros jogos diante do New York Knicks marcados para o Madison Square Garden.

O motivo para os Sixers terem ido ao Play-in foi a lesão que tirou o camaronês de ação por dois meses. Com ele na equipe, foram 31 vitórias e apenas oito derrotas, enquanto sem Embiid o time ganhou apenas 17 e perdeu 27 das partidas realizadas. Philadelphia fechou a fase classificatória com oito resultados positivos em sequência e chegou à nona vitória consecutiva ao passar pelo Miami Heat.

Phoenix Suns

Suns vencem Wolves no Footprint Centere e Kevin Durant comemora. Foto: Icon Sport
Kevin Durant está em sua segunda temporada pelos Suns. Foto: Icon Sport

O Phoenix Suns ficou 10 anos sem ir aos Playoffs, mas desde que voltou, em 2021, é sempre visto como um dos candidatos ao título. Há três anos, chegou a abrir 2 a 0 na série final contra os Bucks, mas sofreu a virada e perdeu em seis jogos. Na temporada seguinte, liderou a NBA com 64 vitórias, mas foi eliminado logo na segunda rodada. Em 2023, a chegada Kevin Durant não foi suficiente para derrotar o Denver Nuggets na semifinal do Oeste.

Agora, o trio é formado por Booker, Durant e Bradley Beal, o que não foi suficiente para o time terminar acima do sexto lugar. No primeiro round, terá pela frente o jovem elenco do Minnesota Timberwolves, que apesar da boa campanha ainda deve sofrer com a falta de experiência em momentos como este.

Assim como outras franquias citadas acima, os Suns também trocaram de treinador no meio do caminho. Monty Williams, eleito o melhor técnico de 2022, foi demitido para a chegada de Frank Vogel, campeão em 2020 pelo Los Angeles Lakers. A diretoria optou também por abrir mão de ter mais profundidade no elenco para conseguir montar um big three com estrelas.

Kevin Durant terá 36 anos em 2025, e Bradley Beal tem sofrido com problemas físicos há algum tempo. Devin Booker é o mais jovem, 28 anos, mas esta já é sua nona temporada no Arizona. É difícil imaginar este núcleo tendo uma chance melhor de brigar pelo título do que a atual.

Miami Heat

O Miami Heat foi vice-campeão da NBA em 2020 e 2023, quando na fase classificatória havia terminado apenas a quinta e a oitava posição do Leste. Em 2022, chegou à final da conferência, perdendo em sete jogos para os Celtics. No entanto, foi varrido na primeira rodada de 2021, e agora tem a chance de nem ir aos Playoffs. Nesta sexta-feira, o time recebe o Chicago Bulls para tentar garantir a última vaga via Play-in. E sem Jimmy Butler, que se machucou na derrota para o Philadelphia 76ers, na quarta-feira.

Fato é que o tricampeão Heat, liderado pelo multi-vencedor Pat Riley e treinado desde 2008 por Erik Spoelstra, não pode mais se contentar em ser sempre o azarão. A chamada “Cultura Heat” é legal para engajar fãs, especialmente quando a equipe consegue superar as expectativas no mata-mata. O mesmo vale para Butler, que ganhou o apelido de “Playoff Jimmy” por melhorar seu desempenho na hora decisiva. Mas até que ponto é suficiente?

Em uma Conferência Leste de nível técnico bem questionável, o Miami novamente não conseguiu se estabelecer na parte de cima da tabela e ainda briga pela última vaga disponível. A tal “Cultura” parecia fazer mais sentido quando os elencos montados tinham nomes como Dwyane Wade, Shaquille O’Neal, Alonzo Mourning, Gary Payton e Jason Williams, em 2006, e mais tarde LeBron James, Chris Bosh, Ray Allen e Shane Battier, em 2012 e 2013.

Com tantos jogadores importantes que estarão na agência livre a partir de junho, talvez o Heat precise voltar a sonhar com superestrelas.

Menções honrosas: Milwaukee Bucks e Los Angeles Lakers

Bucks e Lakers também entram pressionados, mas serão citados apenas como menção honrosa por já terem sido campeões com suas atuais estrelas. Milwaukee levou o título em 2021, e Los Angeles conquistou a taça um ano antes. Por isso, já estão um passo à frente daqueles que correm atrás pela primeira vez.

Os motivos para que ainda assim estejam pressionados é claro: ambos têm em seus elencos alguns dos melhores jogadores em atividade no mundo e serão sempre cobrados nesta proporção. Em 2024, Giannis Antetokounmpo ganhou a companhia de Damian Lillard, mas a primeira temporada dos dois juntos ficou bem abaixo do esperado. O elenco sofreu com problemas internos que resultaram na demissão de Adrian Griffin, mas a chegada de Doc Rivers na reta final fez o desempenho ser ainda pior. No ano passado, os Bucks fizeram a melhor campanha da temporada regular e foram eliminados logo no round de abertura.

No lado dos Lakers, o time teve LeBron James e Anthony Davis saudáveis pela primeira vez desde 2020, quando foram campeões. Bem diferente daquela oportunidade, quando LA liderou o Oeste, este ano a vaga nos Playoffs veio novamente por meio do Play-in, como já havia ocorrido em 2021 e 2023. Mesmo com um dos melhores ataques da liga, a defesa esteve sempre entre as mais fracas. Na primeira rodada, o adversário será o Denver Nuggets, que varreu LA nas finais do Oeste em maio passado e ganhou todos os três confrontos diretos desta temporada.

Escrito por Antônio Henrique Pires Collar
Formado em jornalismo pela PUCRS e em Basketball Analytics pela Sports Management Worldwide. Com passagem de 6 anos e meio pela editoria de Esportes do jornal Zero Hora e do portal GZH, de Porto Alegre.