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Moneyball – O Homem que Mudou o Jogo: vale a pena ver na Netflix?

Vale a pena ver um filme que tem Jonah Hill, sem esse filme ser Superbad, sobre a história de um dirigente que nunca chegou perto de ganhar um título, que termina o filme perdendo mais uma série nos playoffs e com uma história um pouco mamão com açúcar sobre filhos, casamentos que deram errado e ensinamentos sobre como lidar com seres humanos e liderá-los? Sim, Moneyball e seu grande subtítulo português, O Homem que Mudou o Jogo, vale a pena.

Caso você não tenha fechado a aba do Chrome com esse primeiro parágrafo brutal e um período gigantesco, venha comigo.

Breve sinopse, mais legal que as de traseira de DVD

Moneyball – O Homem que Mudou o Jogo conta a história de Billy Beane, dirigente (GM) do Oakland Athletics, franquia que chegou nos playoffs do beisebol mas perdeu para o rico New York Yankees e ainda viu seu melhor jogador ir para o rival. E outros receberem contratos mais polpudos em diversas franquias. P*# da vida, ele decide mudar completamente de estratégia e reconstruir sua forma de ver o beisebol e construir elencos.

O interessante de Moneyball é o duelo Nerds x Tradicionalistas

Falar em tradicionalistas no beisebol é como falar de padres na Igreja Católica. O jogo é o mesmo há mais de 100 anos e diferentemente de outros esportes, como o basquete, a evolução física dos atletas até importa, mas não é o que define o jogo. O beisebol é tradicionalista em absolutamente tudo.

Leia também: Fã do basquete e futebol americano, vamos dar uma chance para o beisebol

Mas na década de 70, um segurança de fábrica – mas chique, com diploma de economia e inglês -, chamado Bill James, escreveu artigos e posteriormente livros trazendo uma visão completamente diferente sobre o esporte. Caso você não goste do Paulo Vinicius Coelho e seu uso de números e estatísticas, você basicamente vai querer queimar o Bill James em uma coluna de pneus, à la Tropa de Elite. Essa visão analítica com certeza se expandiu para outros esportes como basquete, futebol americano e até, de forma mais tímida, o futebol atual.

O problema de James foi não ter conseguido conquistar as mentes e corações do pessoal da MLB  por mais de duas décadas. Por isso o Homem que Mudou o Jogo não foi ele e sim Billy Beane, que todo mundo vai relacionar, para a eternidade, com Brad Pitt.

Já digo que se fizerem um filme do Quinto Quarto no futuro próximo, quero Morgan Freeman para o meu papel. Não importa que eu tenho 25 anos e Freeman uns 70.

A motivação de Brad Pi… Billy Beane

O grande lance para explicar uma história no cinema é tentar explicar a motivação do “herói”. A motivação mais aparente de Beane é ter perdido seus melhores jogadores para um rival. Ou seja, é ser o Santos da MLB. O filme ainda trabalha a segunda motivação, a própria carreira de Billy Beane como jogador: descoberto quando era jovem, os olheiros do New York Mets convenceram ele a se tornar profissional e assim deixar de lado uma bolsa integral para estudar em Stanford, universidade ultra-conceituada até pelos seus banheiros no campus.

Apostas e mais apostas na temporada da MLB:

Completando minha prepotência de crítico de cinema, a cena mais importante do filme é quando Beane pergunta para Jonah Hill em que rodada ele teria sido escolhido e o analista diz que seria na 9ª rodada, muito abaixo do que aconteceu na verdade (1ª rodada, 23ª posição).  É ali que ele sabe que a análise tem seu mérito e Jonah Hill merece ter um novo colega em sua vida pós-Michael Cera.

PS: quando eu citar o personagem de Jonah Hill, eu vou falar o nome do ator mesmo e não do personagem, que na verdade tem um nome fictício. No mundo real, Hill é Paul DePodesta – que atualmente tenta fazer sucesso no futebol americano com o Cleveland Browns.

Com Jonah Hill, Brad Pi.. Billy Beane começa sua guerra contra os olheiros do próprio time, um bando de dinossauros que analisam um jogador vendo a namorada bonita e deduzindo que ele tem confiança em si mesmo.

A graça do filme está ai

É a batalha da nova ideia contra a velha ideia, mas que ainda não era considerada velha. E neste grupo você ainda coloca o treinador do Oakland Athletics, interpretado pelo eterno Philip Seymour Hoffman – que parece muito com Buck Showalter, treinador do Baltimore Orioles, mas este não tem nada a ver com a história.

Beane não só precisa lidar com os olheiros, mas também com certa rejeição dos treinadores de posição e jogadores, já que suas ideias parecem completamente malucas. No fim, o time consegue 20 vitórias seguidas, um recorde, mas volta a cair nos playoffs para uma franquia com mais grana investida. E Beane até hoje não tem um título, já que ele…. ok, spoiler. Veja o filme.

Ele de fato muda o jogo porque mostrou que dava para construir elencos com essa nova visão e ter sucesso, mesmo que não seja o título. O sucesso no caso foi provar que atletas que podem não parecer valiosos, tem sim seu mérito e podem trazer dividendos. Todo time sério hoje tem um departamento de análise e estatísticas nas ligas americanas. E esse investimento em análise segue em reformulação e ganhando ainda mais dados e nuances.

Pode ignorar o mamão com açúcar

Robin Wright Moneyball

Entendeu a referência, entendeu??

Todo filme com temática de esportes vai ter que trazer um núcleo familiar ou um amor a se desenvolver. Tudo bem, não sou contra Hollywood e não vou ao cinema com uma bandeira soviética. No caso de Moneyball, Bra… Billy Beane precisa ser um pai presente enquanto os tiros estão vindo de todo lado e o time não vence. E ainda tem a ex-mulher e mãe de sua filha, que tem um certo interesse por sua vida, mesmo sendo casada com um semi-pau no cu e tendo morrido em Forrest Gump e ferrado os Estados Unidos em House of Cards.

É o seguinte: se eu quero a verdade e nada dessas historinhas, eu vou ver um documentário sobre esse tema. Tudo bem ter esses núcleos familiares e mais pessoais. Mas eles não importam em absolutamente nada. Ok, a filha tem relação com sua decisão final, mas não é por isso que eu tenho que ouvir ela cantando com a voz da Miley Cyrus pré-colapso rebelde.

Conclusão

No fim, Moneyball é um bom filme de esportes. Pitt concorreu ao Oscar, Jonah Hill soube atuar e a história é boa e te prende. Não é um filme para assistir em um sábado a noite com a namorada(o) caso você não curta muito o esporte, mas com certeza vale as duas horas em uma terça sem nada para fazer.

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