Novo contratado da PFL, Francis Ngannou foi assustador no UFC; relembre

Igor Ribeiro | 16/05/2023 - 16:30

Francis Ngannou é o novo contratado da PFL. O franco-camaronês, que é ex-campeão peso-pesado (até 120,2 kg) do UFC, assinou para ser presidente da empresa na África e chega como o principal nome da organização.   

A grande negociação, que envolveu meses de impasses, não foi em vão. Ngannou é um dos lutadores mais assustadores que já competiram nos esportes de combate. Forte, rápido e com poder de nocaute, o peso-pesado levou alguns dos principais nomes da história da categoria à lona e colecionou grandes momentos no Ultimate. 

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A passagem do Predador, como é conhecido, foi intensa e abrangeu 14 lutas. Ao todo, foram 12 vitórias — sendo 10 nocautes — e duas derrotas. Pensando nisso, com a confirmação do atleta na PFL, o Quinto Quarto preparou um especial de sua passagem com as luvas de Dana White.  

Início assustador de Ngannou

Ainda desconhecido, o jovem Ngannou teve a primeira aparição no octógono em dezembro de 2015. Com tranças e discreto, ele abalou as estruturas ao aplicar uma sequência brutal antes de apagar o brasileiro Luis Henrique KLB com um gancho. E também foi assim com Curtis Blaydes e Bojan Mihajlovic.  

Contra Anthony Hamilton, Francis mostrou que não era apenas mais um lutador da trocação, como vários na divisão. Um ano depois de sua estreia, ele foi pressionado junto à grade e deu o bote na kimura. Preciso, o lutador viu seu adversário dar os três tapas em desistência e trilhava trajetória rumo ao título.  

Grandes nomes? Deixa comigo… 

Quatro lutas, quatro vitórias rápidas. Quatro atuações irretocáveis. As credenciais eram tão boas que, até mesmo quando enfrentou o primeiro ex-campeão, não houve competição. Francis Ngannou, em janeiro de 2017, fez Andrei Arlovski parecer um iniciante. Como todos os outros, brutalizou o bielorrusso com um nocaute no round inicial.  

Mas, até hoje, o melhor desfecho da carreira do franco-camaronês foi quando esteve frente a frente com um dos maiores nomes da história dos pesos-pesados: Alistair Overeem. Um gancho de esquerda tão forte que parecia tirar a cabeça do rival, que caiu estatelado no chão. Para muitos, o nocaute mais brutal da história.  

O pior momento da carreira 

Um dia da caça, outro do caçador. Embalado, Francis conseguiu a oportunidade de chegar ao posto de desafiante ao cinturão e, em janeiro de 2018, encarou Stipe Miocic. O estilo confiante deu lugar a um apático lutador, que ficou envolvido no jogo da luta agarrada do rival por cinco rounds. Era a primeira derrota na trajetória pelo Ultimate.   

E não para por aí. Ngannou tentou se recuperar em julho de 2018, mas teve atuação sem brilho, sendo superado por Derrick Lewis por pontos. A luta, inclusive, foi vaiada pelo público presente na T-Mobile Arena. Parecia ser apenas mais um lutador de momento esporádico, mas mudou.  

Trabalho rápido rumo ao título 

O Predador, com as derrotas, virou outro lutador. O receoso voltou a ser confiante. Os nocautes apareceram. Curtis Blaydes, Cain Velasquez, Junior Cigano e Jairzinho Rozenstruik, todos somados, ficaram apenas 2m42seg no octógono com Ngannou. Todos acabaram nocauteados. 

A pressa tinha motivo: a revanche contra Stipe Miocic. E foi um atropelo. Em março de 2021, o franco-camaronês fez uma luta perfeita, dominou o rival e garantiu um nocaute brutal no segundo round.  

A última dança 

Na primeira defesa de título, o Ngannou Wrestler apareceu. Depois de estar em desvantagem na trocação, o lutador apostou no jogo de solo e aplicou boas quedas para vencer o confronto na decisão unânime. A luta, que aconteceu em janeiro de 2022, seria sua última com as luvas da empresa de Dana White.  

Campeão da categoria, Francis Ngannou lidou com lesões e dificuldades nos treinamentos, mas o embate diante de Ciryl Gane era a batalha mais tranquila que ele teria. Com a última luta do contrato, ele passou a pedir por bolsas maiores, pagamentos justos e condições diferentes pela renovação.  

O acordo, no entanto, ficou distante. As reclamações públicas sobre sua situação também não ajudaram. Especulações, propostas recusadas e um destino: a saída. Em janeiro deste ano, durante coletiva de imprensa, Dana declarou que o franco-camaronês não era mais o campeão e estava fora do Ultimate.  

O destino, agora, foi definido: a PFL. E com status de rei. Será que repete o mesmo sucesso?