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As histórias de Philadelphia Eagles e New England Patriots nos playoffs

Eagles Patriots nos playoffs

Depois de um vergonhoso hiato, 78 edições do Quinto Quarto Expresso e exatos dois emails/mensagens comentando que a Redzone não estava mais sendo postada, aqui estou novamente para fazer um texto minimamente opinativo. Eu prometo que minha vontade de fazer eles é maior que a do Lucas Lima em seus últimos meses de Santos. Mas não vou fazer mais promessas porque já iludi mais que foto no Tinder tirada de cima para baixo com decote. Agora eu vou só cumprir: meus três fãs e meio podem esperar mais textos meus. Eu sei que minha voz no podcast serve de pouco.

Muito bem, a história de Philadelphia Eagles e New England Patriots nos playoffs. É para isto que recebi US$2,50.

Aqui é o lugar do texto onde eu, basicamente, tentaria achar qualquer coisa que os dois tivessem em comum para começar um texto bastante envolvente, até postando um vídeo do Galvão Bueno falando “toco y me voy”. O problema é que a história dessas duas franquias não têm muitas semelhanças: os Eagles foram fundados em 1933 e desde lá estão na NFL. Os Patriots foram fundados em 1959 e começaram na concorrente AFL, que depois fez uma fusão com a National Football League.

As primeiras décadas dos Eagles trouxeram três títulos da NFL. As primeiras décadas dos Patriots trouxeram uma porrada do Chicago Bears de 1985 no Super Bowl, uma derrota para o Green Bay Packers de Brett Favre no Super Bowl em 1997, muitos anos horrorosos, algumas trocas de dono, quase uma saída para St. Louis, quase outra saída para Connecticut, Michael Jackson (isso fica para outro dia) e enfim, muita desgraça.

Pera aí, por que estou me adiantando? Tenho que ordenhar essa vaca, afinal recebo bônus por palavras. Como tira-gosto, já antecipo que dois treinadores mudaram a história recente dessas franquias.

História do Philadelphia Eagles nos playoffs

Os três títulos dos Eagles vieram nas temporadas de 1948, 1949 e 1960. Os primeiros anos de Philadelphia na era NFL-AFL e depois da fusão foram péssimos, chegando aos playoffs apenas em 1978 com Dick Vermeil como treinador. Com o quarterback Ron Jaworski e o running back Wilbert Montgomery, a equipe da Pensilvânia ficou na primeira fase nesse ano, chegaram ao divisional round no ano seguinte e finalmente ao Super Bowl XV. A conquista, porém, ficou com o Oakland Raiders, que levou seu segundo título com uma vitória por 27 a 10.

Vermeil logo se aposentaria e, de 1981 até 1999, o time chegou seis vezes aos playoffs, mas nunca alcançou a final de conferência, perdendo duas vezes para o Dallas Cowboys em meio a sua dinastia. Nesse meio-tempo, Dick Vermeil ainda voltou a treinar e caiu no seu colo um tal de Kurt Warner, que levou o St. Louis Rams a uma conquista de Super Bowl.

Mas para o torcedor de Philly não foi só depressão desde então. Em 1999, um senhor de grande peso e um bigode que o faz parecer uma morsa chegou para ser o treinador.

Philadelphia Eagles Andy Reid

Pode admitir que é o ruivo mais sexy da história

E o Philadelphia Eagles sob o comando de Andy Reid foi outro. Vamos apertar o pause e ir para os Patriots.

História do New England Patriots nos playoffs

A história dos Patriots como Boston Patriots tem apenas um capítulo de playoffs, uma campanha que terminou na final da AFL com uma sapatada de 51 a 10 pró-San Diego Chargers, em 1963. As temporadas finais dos anos 60 e começo dos 70 foram brutais, mas a maré mudou em 1976 com a primeira ida aos playoffs como time da NFL. Mas a primeira vitória só viria três idas depois, em 1985, em uma temporada mágica.

Com 11-5, os Pats ficaram atrás de Jets e Dolphins na divisão (como os tempos mudam), mas a equipe bateu o rival de Nova York no wild card round, bateu o Los Angeles Raiders, campeão dois anos antes, e na final da Conferência, contra Dan Marino e Don Shula, o time forçou seis turnovers e venceu também. Só faltava um estágio para tudo ficar lindo e maravilhoso: John Hannah, veterano left guard e um dos maiores linhas ofensivas da história da NFL, finalmente teria seu título. O linebacker Andre Tippett teve uma temporada de Pro Bowl, Steve Grogan saiu do banco para ser o quarterback do time e fez bonito… enfim, todo mundo gostava dos Patriots nessa época.

O problema é que do outro lado estava o Chicago Bears, um time que faz a palavra dominante parecer insuficiente. E, no Super Bowl, a defesa comeu e cuspiu viva o ataque dos Pats. Para você ter uma ideia, os Bears tiveram o mesmo número de sacks (7) que os Patriots tiveram de jardas corridas. Para você ter mais uma ideia, os Patriots tiveram -19 jardas de ataque no primeiro tempo.

Essa porrada doeu e o time até voltou aos playoffs na temporada seguinte, mas perdeu logo de cara para os Broncos. O que seguiu foram sete temporadas de miséria, inclusive uma com 1-15 que faria o Cleveland Browns de hoje ter um pouco de vergonha. Um pouco só.

Porém, a diferença que um treinador faz ficou clara quando Bill Parcells chegou e e levou um time 2-14 a ganhar cinco jogos no primeiro ano, 10 no segundo (perdendo para os Browns de BILL BELICHICK, pupilo de Parcells, no wild card round) e 11 no quarto ano. O time bateu os Steelers, os Jaguars na final de Conferência (déjà vu) e chegou ao Super Bowl XXXI apesar de ter uma equipe jovem. Willie McGinest na defesa e Drew Bledsoe eram basicamente os líderes e tinham respectivamente 25 e 24 anos.

McGinest faria parte da dinastia dos Patriots mais para a frente. Bledsoe, coitado, recebeu o equivalente esportivo de uma facada no baço. Aliás, até sangramento interno rolou. Aguarde os próximos capítulos.

Mas ainda não era para ser. Os Packers, com Brett Favre e Desmond Howard endiabrado nos special teams, com um retorno de kickoff para TD e um retorno de punt de 90 jardas, ganharam seu terceiro Super Bowl. Os Patriots teriam que esperar mais um pouco.

Mas só um pouco: Parcells brigou com a família Kraft. Pete Carroll chegou e levou o time a dois playoffs seguidos, sendo eliminado no divisional round em 1997 em um belo jogo contra o Pittsburgh Steelers – 7 a 6 – e no wild card round para os Jaguars em 1998. Carroll foi demitido ao final da temporada de 1999 e aqui chegamos onde queríamos.

Bill Belichick e Andy Reid marcaram a história em playoffs de Patriots e Eagles

A temporada 2000 foi a primeira de Belichick e ninguém lembra dela porque não tem muito a lembrar, só que foi 5-11. O começo da segunda é o que começa a importar: Drew Bledsoe saiu do pocket e levou uma pancada de Mo Lewis dos Jets, causando uma lesão séria que teve até sangramento interno. O reserva chamado para a ação foi Tom Brady e o resto é história.

Ah não, calma, este é um post de história e eu preciso contá-la. Na primeira temporada com Brady, ficando como titular até mesmo quando Bledsoe retornou aos gramados, o time bateu os Raiders no Tuck Rule Game e os Steelers chegando ao Super Bowl. Lá, a equipe era zebra por 14 pontos para Las Vegas, mas mesmo assim venceu os Rams (de Dick Vermeil, tudo está ligado) com um field goal de Adam Vinatieri no fim. O time com histórico de fracasso finalmente venceu. Na temporada seguinte parecia que a história voltaria ao normal, com um 9-7 e nada de playoffs. Mas no ano seguinte, Belichick e Brady não estavam para brincadeiras: Titans, Colts e mais uma vitória com os pés de Vinatieri, dessa vez contra o Carolina Panthers, no Super Bowl XXXVIII.

Tom Brady Rams Patriots Super Bowl

FIM DO PRIMEIRO ATO

COMEÇO DO SEGUNDO ATO

Andy Reid começou seu trabalho nos Eagles em 1999 e também com 5-11 na primeira temporada. Nesse ano o time draftou Donovan McNabb com a segunda escolha geral. E na temporada seguinte, com 11-5, o time voltou aos playoffs e venceu o primeiro jogo, contra o Tampa Bay Buccaneers de Tony Dungy. A equipe perdeu no divisional round para o New York Giants, que foi derrotada no Super Bowl mais tarde. Essa foi a primeira de cinco idas seguidas à pós-temporada e que em seguida teve quatro disputas de final de NFC, fase que os Eagles não chegavam desde a temporada de Super Bowl em 1980.

Em 2001, vitória contra Buccaneers de novo (que demitiu Tony Dungy depois dessa) e Chicago Bears antes de perder para os Rams de Dick Vermeil (sou agente dele e recebo a cada menção). Em 2002, vitória contra o Atlanta Falcons de Michael Vick, derrota para o Tampa Bay Buccaneers, agora com Jon Gruden. Em 2003, vitória contra o Green Bay Packers na prorrogação, mas derrota para o Carolina Panthers.

Até que em 2004, finalmente Andy Reid conseguiu passar da final da NFC com seu Philadelphia Eagles. O time venceu o Minnesota Vikings, venceu o Atlanta Falcons e chegou ao Super Bowl XXXIX contra o New England Patriots. Reid poderia provar que não estava zicado e saberia dar o passo final para ter seu Vince Lombardi Trophy.

E a equipe era estelar. Além de McNabb, o time contratou o sensacional wide receiver Terrell Owens, tinha o excelente Brian Westbrook de running back e uma defesa com vários bons nomes, liderada por Brian Dawkins. O problema era que os Patriots tinham Tom Brady, uma defesa com vários jogadores sensacionais (McGinest ainda jogava, Tedy Bruschi, Mike Vrabel (que até recepção para TD no SB teve) e uma atuação incrível do WR Deion Branch, MVP do Super Bowl.

Além disso, todos iriam lembrar que Donovan McNabb possivelmente gorfou no último período – é sério, não uma tentativa minha de metáfora – e os Eagles demoraram meio século em uma campanha que terminou em touchdown e cortou a diferença de 10 para 3, mas matou minutos preciosos de relógio no último quarto.

Donovan McNabb Philadelphia Eagles Patriots

A partir desse jogo Reid seguiu fazendo bons trabalhos, mas nunca chegou tão longe. Nada de playoffs na temporada seguinte, voltando em 2006 e perdendo para os Saints no divisional round, ficando fora em 2007 mas voltando em 2008 e chegando em mais uma final de conferência. Porém, mais uma derrota: dessa vez para os Cardinals, de Kurt Warner, que perdeu o Super Bowl logo depois. Se fosse com Dick Vermeil de treinador, ele ganhava. Reid ainda voltaria com os Eagles aos playoffs mais duas vezes, depois de reformular a equipe, escolhendo LeSean McCoy e DeSean Jackson e dando uma chance para Michael Vick. Mas seus seguidos insucessos em pós-temporada e até em temporadas regulares causaram sua demissão.

Depois da era Reid, os Eagles fizeram como uma pessoa que namora uma garota japonesa baixinha por cinco anos e depois de terminar querem ficar com uma ruiva canadense de dois metros. Chip Kelly chegou com suas ideias malucas e conseguiu se classificar para os playoffs em sua primeira temporada, com Nick Foles de quarterback. Porém, derrota logo de cara para os Saints. Depois de 2013, a torcida teve que esperar até a temporada 2017 para ter um gosto da pós-temporada. E ela veio com Doug Pederson, que trabalhou na comissão de Reid em Philly e também no Kansas City Chiefs. Os Eagles olharam para seu passado recente para contratar o pupilo de Reid e Pederson pode vingar seu ex-chefe com uma vitória sobre Belichick.

Veja também a campanha dos Patriots na temporada 2017, rumo ao Super Bowl LII

Até deixei os Patriots de lado. Voltando a eles: depois do terceiro título na era Belichick-Brady, o time fez uma escadinha em anos que precisou se reconstruir, especialmente no lado defensivo: perdeu no divisional round contra o Denver Broncos em 2005, para o Indianapolis Colts na final da AFC em 2006 e a temporada perfeita de 2007 só não aconteceu por causa de Eli Manning e David Tyree com seu capacete gigante.

O ano de 2008 começou com Brady saindo com o joelho estourado logo no primeiro jogo e apesar de 11 vitórias com Matt Cassel, a equipe não foi aos playoffs. Essa foi a última vez que isso aconteceu. Desde lá o time:

  • Ganhou 10 jogos, mas foi eliminado pelo Baltimore Ravens
  • Ganhou 14 jogos, mas foi eliminado pelo New York Jets de Mark Sanchez, o que conta como humilhação em dobro
  • Ganhou 13 jogos, venceu Broncos e Ravens (por causa de um chute errado do lendário Billy Cundiff), mas perdeu para Eli, mostrando que o Ralf Schumacher da NFL é melhor que o Michael Schumacher da NFL
  • Ganhou 12 jogos em 2012 e 2013 mas perdeu na final da AFC para Ravens e Broncos
  • Ganhou 12 jogos, bateu Ravens, venceu os Colts e cobrou a dívida que Pete Carroll tinha com a franquia, fazendo o cara abrir mão de correr com Marshawn Lynch na linha de 1
  • Ganhou 12 jogos mas perdeu para o Denver Broncos por causa da OL furada e para um Peyton Manning respirando por aparelhos basicamente
  • E finalmente ganhou 14 jogos, bateu Texans e Steelers e o Atlanta Falcons no melhor Super Bowl de todos os tempos

A história dos Patriots nos playoffs começou mais pobre que história de empreendedor antes de ter sua ideia de ouro. Mas, desde 2001, ela virou um case de sucesso, com 15 idas aos playoffs em 17 anos, 27 vitórias e apenas nove derrotas, inacreditáveis 12 finais de conferência e ainda mais incríveis oito Super Bowls disputados, com cinco títulos e a possibilidade de um sexto.

No meio do caminho estão os Eagles, uma das franquias de mais história da NFL, com quase 90 anos de vida, três títulos da NFL mas que na era do Super Bowl não achou ainda o caminho até o Éden. O time começou a chegar perto na virada do milênio e de tanto tentar, o momento pode finalmente vir.

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