NBA

Stephen Curry terá uma segunda metade de carreira relevante?

stephen curry golden state warriors

Quando Stephen Curry estava terminando sua décima temporada, ele não tinha Klay Thompson e nem Kevin Durant ao seu lado, sendo o único pontuador consistente para finalizar um jogo 6 das Finais da NBA depois que Thompson estourou o joelho na metade da partida e Durant viu seu Aquiles ir para o espaço no jogo 5.

Armadores costumam ter finais de carreira complicados, já que a agilidade e explosão começam a desaparecer, lesões empilham e eles não têm 2,15m para conseguir algumas cestas fáceis por jogo. Chris Paul está prolongando sua carreira de forma incrível, mas seu estilo de jogo é mais cerebral que o de Curry. E ele também não é mais aquele do New Orleans Hornets e do Los Angeles Clippers.

Mas o camisa 30, diferente de, por exemplo, Allen Iverson, pode estender seus anos na NBA por causa de seu arremesso de 3. Ele não será mais um jogador de 25 pontos por jogo, mas pode ser útil em uma NBA que a bola de 3 vale mais que uma ação da Apple.

Porém, apesar desse cenário, isso não deixa de ser um pouco broxante. Estamos vendo LeBron James estender seu auge de forma inacreditável. Cristiano Ronaldo ainda pune defesas com 35 anos e Tom Brady tem bons momentos com 43.

A animosidade que os Warriors enfrentaram, especialmente depois de terem seduzido Kevin Durant e se autoproclamado “Reis da Por** Toda”, respingou em Stephen Curry, que passou de unanimidade (até em eleição de MVP) para “ele não é tudo isso”.

Sempre achei um absurdo: quando o New York Times o escolheu como jogador da década e não LeBron James, inclusive destacando isso no título, para mim isso fez total sentido. LeBron é um jogador melhor e terminará a carreira como o segundo maior da história. Curry não deve pegar top 10. Mas o armador foi protagonista na completa mudança do jogo que todos tiveram que se adaptar, inclusive LeBron. Isso além dos três títulos, dois MVPs, melhor jogador da melhor equipe da história na temporada regular e cestinha de temporada.

Isso não tira a relevância da pergunta: ele terá uma segunda metade de carreira relevante? Mesmo tendo sido craque de sua equipe por anos, Curry não é o atleta que carrega um time. Ele não tem o porte físico para isso nem o jogo multifacetado. A lista de jogadores que carregaram uma equipe, aliás, é bem menor do que muitos acham. Kobe Bryant por anos jogou com companheiros horrorosos, só que ele carregou seu time até a primeira rodada dos playoffs apenas, o que está longe de ser um sucesso.

Allen Iverson era o melhor jogador disparado de uma equipe mediana de Philadelphia que chegou às finais. Mas o Leste começava sua sequência de anos fraquíssimos. Claro, teve LeBron no seu primeiro e último ano de Cavs, mas não conseguiu ser campeão.

Um carregador de time que poucos lembram foi Tim Duncan em 2003, quando ele foi o líder de pontos, rebotes e assistências dos Spurs nos playoffs, jogando 10 minutos em média a mais que Stephen Jackson e Tony Parker, que estava na na puberdade basicamente, e eles eram o segundo e terceiro maiores pontuadores daquela equipe. Aquele time foi a ponte entre os Spurs com as Torres Gêmeas e o que venceria com Parker e Ginobili como Big Three.

Duncan naquele ano estava em seu auge e além de ser um jogador de técnica inquestionável, era um big que fazia tudo em quadra sem abrir a boca, o que sem dúvidas é um feito.

Voltando a Curry, não é que ele precisa de um gênio como Kevin Durant para vencer, até porque foi campeão e passou muito perto de repetir sem Durant e com um Klay Thompson que era excelente, mas não é um top 50 da história. Aqueles Warriors pegaram o momento certo da virada do basquete praticado e ainda inovaram com Draymond Green, um jogador espetacular defensivamente. Além de atletas como Andre Iguodala e Shaun Livinsgton vindo do banco.

Todas essas vantagens evaporaram. O San Antonio Spurs, que arremessa 25 bolas de três por jogo e é o último nesse quesito neste comecinho de temporada, pegaria top 10 em 2014/15.

Todo mundo descobriu o segredo que 3>2 e que ter um poste de 2,20 m que não consegue correr mudando de direção não faz tanto sentido de ter em quadra. Quando Curry ganhou seu primeiro título, ele teve que passar pelo Memphis Grizzlies que jogava com Tony Allen (que não precisava ser marcado), Zach Randolph e Marc Gasol (que quase não arremessava de 3 na época), todos juntos. Pensa nesse espaçamento aí.

O atual campeão da NBA tem LeBron James e Anthony Davis, dois jogadores altos, fortes, móveis, que marcam qualquer um e impactam o jogo de todas as formas. Os Warriors não têm jogadores para marcar eles, algo estranho de escrever depois de anos dizendo que os outros times não conseguiam marcar Golden State.

Klay Thompson ficará mais de dois anos inteiros sem jogar, Draymond Green está chegando na sua reta final e os veteranos do banco já eram. Só sobrou Stephen Curry. Claro que ele pode arremessar melhor que 34,2% de quadra e 20% de três. E fará isso. Mas ele não é um carregador de equipe. Pelo menos de uma equipe que tenha o objetivo de ser campeã. É legal saber que Curry é um dos últimos franchise players e não forçará a barra para ir jogar em algum lugar com um parça. Mas também não será divertido vê-lo perder os playoffs e com cara de m**** no banco.

E com isso os sussurros de Twitter vão se tornar conversas: “será que ele era tudo isso mesmo?”, “ele não foi MVP das finais!!”, “jogador de sistema” e outras besteiras. Só tem uma forma de mudar isso: os Warriors precisam mostrar que são realmente “oto patamar” e fazer brotar jogadores, seja pela free agency ou desenvolvendo atletas para rodear Stephen Curry e ter uma equipe de elite.

Menos Andrew Wiggins. Esse é uma causa perdida.

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