NBA

Los Angeles Lakers é campeão depois de 10 anos com LeBron tendo mais mérito que todo mundo

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É bastante significativo que neste horroroso ano de 2020 se passaram dez anos de The Decision, o reality show que LeBron James protagonizou na ‘ESPN’ para anunciar que estava deixando o time que o draftou e levava seus talentos para Miami. Dez anos depois, um milhão de coisas aconteceram na carreira da mega estrela e da NBA, muitas delas em decorrência de sua decisão.

LeBron não foi o primeiro franchise player a deixar sua franquia para procurar novos desafios. O que surpreendeu na saída dele de Cleveland foi:

  • Ele estar entrando no seu auge
  • Não ter conseguido dar pelo menos um título pros Cavs
  • Fazer isso da forma que fez – a escolha pelo reality show foi de mau gosto
  • E ainda montar uma panelinha no seu novo destino.

Por exemplo, Kareem Abdul-Jabbar deixou o Milwaukee Bucks no seu auge para ir para Los Angeles, mas já tinha vencido um título no Wisconsin. E não tinha conversado com Bob McAdoo para jogarem juntos nos Lakers.

Não cabe aqui falar se LeBron errou ou acertou – ps: ele acertou – mas foi um momento impactante que vale lembrar, porque explica o Los Angeles Lakers campeão em 2020.

Nos textos que escrevi pós-título nos últimos anos sempre destaquei as montagens de elenco. Na NBA como conhecemos – a partir de Magic e Bird – invariavelmente a montagem passava por drafts ótimos e algumas contratações pertinentes.

Mas no pós-Decision, as contratações se tornaram cada vez mais decisivas.

O Miami Heat bicampeão tinha LeBron James e Chris Bosh, com Dwyane Wade sendo o “produto” da casa.

O Golden State Warriors no seu primeiro título teve um Andre Iguodala vital, mas era um time fruto de excelentes drafts. Quando Kevin Durant chegou, o nirvana foi alcançado.

O Toronto Raptors de 2019, como disse na coluna logo após o título, foi kamikaze: apostou em um ano de Kawhi Leonard e tirou um título desse aluguel.

Ou seja, aos poucos fomos caminhando na direção de “o time que fez uma contratação magnífica ganhou”, mas sempre teve gente draftada pela franquia ou que já estava há bons anos no time.

O Los Angeles Lakers de 2020 tem LeBron James, laker há dois anos. Anthony Davis, primeira temporada no time. Danny Green, primeira temporada. Kentavious Caldwell-Pope, terceira temporada no time. Rajon Rondo está no segundo ano na equipe, Dwight Howard no primeiro e Markieff Morris é um laker há meses apenas.

Sobram Alex Caruso, não draftado, mas na organização desde 2017, e Kyle Kuzma, tecnicamente draftado pelo Brooklyn Nets, mas trocado para os Lakers na noite do Draft.

Isso é algo completamente sem paralelo na história da NBA, porque até supertimes montados e rapidamente vitoriosos – Celtics de 2008, o Heat já citado, os 76ers de 1983 – tinham alguém escolhido pela franquia saindo da faculdade sendo parte da espinha dorsal.

A NBA é uma liga dos atletas e LeBron James tem mais poder que os donos de suas franquias. Em Miami, tinha Pat Riley, mas em Cleveland não tinha essa figura e, em Los Angeles, Magic Johnson fracassou miseravelmente na função. O mérito do título não é de Jeanie Buss ou de Rob Pelinka e, sim, do camisa 23, o GM LeBron.

Direção do Lakers não fez por merecer, mas torcida sim

A torcida do Los Angeles comeu o pão que o diabo amassou nos últimos anos. O fim da era Kobe Bryant foi pavoroso, com uma sequência de treinadores que não se firmavam, decisões péssimas da direção e culpa também de Kobe por não conseguir adaptar seu jogo para uma nova fase. O time draftou Julius Randle, D’Angelo Russell, Brandon Ingram, Lonzo Ball com a sétima, segunda, segunda e segunda posições em anos consecutivos de 2014 a 2017. Nenhum deles está levantando o troféu hoje.

Não dá para dizer que foram escolhas erradas – nenhum deles é um bust – mas Los Angeles falhou em desenvolver todos eles no seu caos interno que envolveu até briga familiar pela propriedade da franquia e quem devia mandar.

Esse espetáculo pavoroso fez a torcida dos Lakers mostrar toda sua resiliência, com seis anos sem playoffs, a maior sequência na história. Esse período só não foi ainda maior porque The Chosen One tinha decidido que resgatar a franquia seria espetacular na sua carreira e na sua busca pela posição de maior de todos os tempos. O maior ativo dos Lakers foi estar em Los Angeles – onde os astros têm casas e não é preciso tirar neve da sua propriedade por seis meses ao ano – e sua história.

O primeiro ano foi difícil e logo ficou claro que LeBron precisava de ajuda. Anthony Davis ter o mesmo empresário que o astro e ter forçado a barra para sair de New Orleans foi a combinação ideal. Davis não foi para Los Angeles porque Rob Pelinka fez um discurso bíblico ou porque Jeanie Buss deu a maior apresentação de plano vitorioso da história. Ele foi para lá por causa de LeBron e seu plano de vencer em Los Angeles, segundo maior mercado americano.

Isso em uma NBA que teve anos de domínio do San Antonio Spurs é algo que chega a ser engraçado. São sem dúvidas novos tempos e pode ter certeza que os donos de franquias menores não estão nada felizes. O Milwaukee Bucks nunca terá essa possibilidade que os Lakers aproveitaram. Pode esperar chiadeira e um aumento ainda maior das vantagens que um atleta recebe ao ficar na franquia que o draftou.

Falamos das duas estrelas e do mérito de LeBron, agora cabe falar sobre o que Frank Vogel e sua comissão técnica fizeram. O elenco dos Lakers é repleto de personagens e jogadores que causaram dores de cabeça em outros lugares e Vogel fez tudo funcionar. Não víamos esse Rajon Rondo há quase uma década. Dwight Howard passou por alguns dos piores times da liga e nem eles queriam o pivô.

Alex Caruso é um jogador que não foi draftado. KCP transformou-se de piada em jogador importante e decisivo para um time que conquistou um título.

Vogel montou uma defesa sólida e no ataque usou LeBron como um armador. Seu mérito é imenso, reerguendo sua carreira depois de uma passagem ruim pelo Orlando Magic e se modernizando depois de ter liderado um Indiana Pacers old school a ser uma força no Leste.

Mas o MVP dessa conquista se chama LeBron James. 10 anos depois dele ter tomado uma decisão infame, sua escolha pelos Lakers foi coroada não só porque ele é um jogador incrível, mas por ter sabido usar seu poder gigantesco. Quatro vezes campeão, quatro MVPs de finais. Não há como colocar alguém entre Michael Jordan e LeBron James.

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