NBA: por que o Cleveland Cavaliers escolheu investir no Brasil?

Pedro Rubens Santos | 15/04/2023 - 07:00

Uma quadra em São Paulo e mais duas em Vitória, no Espírito Santo. É com esse cartão de visitas que o Cleveland Cavaliers, que já tem Raulzinho Neto no seu elenco, estabelece oficialmente seu vínculo com o mercado brasileiro.

Na última quarta-feira (5), a equipe de Ohio, campeã da NBA em 2016, reinaugurou a quadra do Beco do Nego, no bairro da Vila Madalena, na capital paulista. O evento contou com a participação do ex-pivô brasileiro Anderson Varejão e do CEO dos Cavs, Nic Barlage.

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Durante a celebração do novo espaço, marcado pelas tabelas com o rosto de Varejão, foram prometidas mais duas quadras para a população da cidade de Vitória.

Além das novas quadras, os Cavs dedicam uma atenção especial ao país por meio do perfil @cavsinbrasil no Instagram e no TikTok e prometem mais investimentos por aqui nos próximos anos.

Começamos a fazer esse projeto há cerca de um ano com os Cavs — comentou Rodrigo Vicentini, Head da NBA no Brasil. — Queremos deixar esse legado para os fãs poderem vir aqui e curtir o basquete.

Mas por que a franquia da NBA olha com tanto carinho para o mercado brasileiro?

Cleveland Cavaliers no Brasil

O interesse brasileiro pela NBA cresce ano após ano, e isso não é novidade. Entre interações nas redes sociais, aumento nas assinaturas de streaming, democratização dos direitos de transmissão e instalações de academias juvenis, a expansão do basquete estadunidense em terras nacionais é visível.

Hoje, o torcedor brasileiro pode assistir aos jogos da liga por diversos canais. Band, SporTV, ESPN, TNT Sports, Amazon Prime Video, YouTube e canal do Gaules na Twitch transmitem as partidas ao longo da temporada.

O NBA League Pass, opção de assinatura pay-per-view da liga, também exibe os confrontos para todo o planeta. E o Brasil é o país fora dos Estados Unidos com mais assinantes da plataforma.

No evento de inauguração da quadra do Beco do Nego, o CEO Nic Barlage citou números que comprovam a relevância brasileira para os negócios da liga.

— A base de fãs de NBA no Brasil cresceu mais de 50% nos últimos dois anos.

Essa estatística foi divulgada também, um ano atrás, por Matt Brabants, vice-presidente de distribuição de mídia global e operações da NBA.

Em entrevista à Forbes, Brabants enfatizou o foco da liga no país, um grande polo de interesse fora dos Estados Unidos, e disse que o Brasil “é um mercado prioridade para a NBA com sua base apaixonada de fãs”.

A paixão do público cativou também Barlage. Em conversa com o Quinto Quarto durante o evento em São Paulo, o diretor norte-americano elogiou a postura dos fãs que conheceu por aqui e declarou ter se impressionado com a paixão e a emoção dos brasileiros.

O CEO também citou a edição brasileira do NBA Basketball School, programa de desenvolvimento para jovens, como a número 1 fora dos EUA.

— Estamos só começando no Brasil, e vamos continuar a crescer esse jogo da forma correta — comentou. — Queremos retribuir à comunidade brasileira e estabelecer uma fundação com as crianças do país.

Líder das organizações NBA no país, Vicentini também fez questão de enfatizar a proximidade. Segundo ele, “o negócio da NBA no Brasil vem crescendo de forma vertical” conforme os brasileiros consomem os jogos e os produtos da liga.

Além disso, os números de fãs nas redes sociais também afirmam o público brasileiro como um dos mais fanáticos por basquete em todo o planeta. Os perfis da NBA Brasil têm mais de 6 milhões de seguidores, somando as plataformas Twitter, Facebook, Instagram e TikTok.

A página @cavsinbrasil no Instagram, criada há menos de seis meses, já conta com mais de 65 mil seguidores.

E a relação da equipe de Cleveland com o Brasil não poderia ser expressa de maneira melhor do que com o nome Anderson Varejão. Ídolo da franquia, o pivô defendeu as cores dos Cavs entre 2004 e 2016 — ele ainda retornou em 2021 para se aposentar com o time.

Mas a história também conta com outros jogadores daqui que deixaram sua marca em Cleveland. Em 2004, Guilherme Giovannoni foi um dos nomes dos Cavs na Summer League.

Hoje, o armador Raulzinho carrega o legado brasileiro em Ohio. Ele chegou em julho e atuou em 48 jogos pela equipe nesta temporada da NBA.

E tem brasileiro também no Cleveland Charge, o time dos Cavaliers na G-League. Didi Louzada, ex-Franca, faz parte do elenco desde outubro de 2022.

Por conta de toda essa forte relação, a direção dos Cavaliers aposta alto no país e se comprometeu a construir um legado de ativações e estruturas para engajar o público fã de NBA, incentivar a prática do basquete, descobrir talentos e, se possível, também converter alguns brasileiros em torcedores dos Cavs.

— Nosso time analisa o mundo buscando por jogadores, e o Brasil não é diferente — afirmou Barlage. — Nós achamos que há uma incrível oportunidade para nós de continuar a fazer o basquete crescer, e estamos muito animados com a oportunidade que se apresenta aqui no Brasil.