MLB

Leonardo Reginatto: Seleção Brasileira, Triple-A e a MLB batendo na porta

Reginatto com Barry Larkin (à esquerda), que foi técnico do Brasil no World Baseball Clasic (Crédito: facebook/Reprodução)

Reginatto com Barry Larkin (à esquerda), que foi técnico do Brasil no World Baseball Clasic (Crédito: facebook/Reprodução)

Em 2015, o Brasil ganhou mais um representante na MLB com Paulo Orlando, que causou impacto neste início de temporada com o Kansas City Royals e se juntou a Yan Gomes, catcher do Cleveland Indians. Além dos dois, André Rienzo também já atuou na Major League Baseball no Chicago White Sox e agora está no New Orleans Zephyrs, time da Triple AAA do Miami Marlins. Com esses três como exemplo, Leonardo Reginatto, curitibano de 25 anos, subiu, no dia 22 de abril, para a Triple A do Tampa Bay Rays. O jogador, atleta do Durham Bulls, atua como shortstop, no entanto pode jogar na segunda ou terceira base e cedeu entrevista exclusiva para o Quinto Quarto.

Nessa temporada, Reginatto teve a oportunidade de participar de alguns jogos do Spring Training pelos Rays, e um dos fatos mais marcantes foi o home run conseguido em cima do experiente arremessador Jonathan Papelbon, do Philadelphia Phillies

O shortstop dos Bulls está há sete anos nas ligas menores e participou da conquista da vaga inédita ao WBC (World Baseball Classic) pelo Brasil, quando a Seleção perdeu os seus três jogos, mas fez boas atuações e poderia ter saído com vitórias sobre Japão, Cuba e China, sendo que as duas primeiras seleções são tradicionais no esporte – a equipe nipônica chegou a semifinal – e se tivéssemos ganhado uma partida estaríamos classificados para o próximo mundial de beisebol.

Atualmente, Leonardo Reginatto tem boas estatísticas na Triple-A, com um aproveitamento de 32,1% no bastão, duas rebatidas duplas e sete corridas impulsionadas em 15 partidas. Em entrevista ao Quinto Quarto, falamos sobre a campanha do Brasil, a rotina e dificuldades de jogar nas ligas menores e as expectativas já para este ano.

Quinto Quarto: Você participou do World Baseball Classic (WBC), quando o Brasil fez uma campanha muito digna. Na sua opinião, o que faltou para a nossa seleção conseguir uma ou mais vitórias? Como foi ser treinado pelo Barry Larkin?

Leonardo Reginatto: Fizemos bons jogos, o que faltou foi finalizar o jogo, acho que pecamos um pouco na parte final dos jogos, mas jogamos super bem, claro que poderíamos ter ganho um ou mais jogos. O Larkin nos passou muita confiança como treinador e também muitas dicas durante os treinamentos, conseguimos montar um time forte em pouco tempo de preparação.

QQ: A Seleção Brasileira teve o desfalque do Yan Gomes no World Baseball Classic. Se ele estivesse presente o Brasil conseguiria ter melhores resultados? Ele teve que fazer uma escolha difícil em 2013: preferiu não jogar o World Baseball Classic para conquistar sua vaga na MLB. Você teria a mesma atitude?

Reginatto: O Yan Gomes com certeza fez falta, ele seria a nossa maior estrela em campo, mas os nossos catchers (receptores) que foram para o WBC estavam muito preparados também.

E acho que sim, todo mundo quer representar seu país, mas eu tenho um sonho de jogar na MLB um dia e acho que faria o mesmo.

QQ: O Brasil tem o Luiz Gohara, do Everett AquaSox, afiliado do Seattle Mariners, como uma das grandes promessas, o quão longe você acredita que ele pode chegar? Junto com ele tem também o Daniel Missaki, do Clinton LumberKings, afiliado dos Mariners, foi para os Estados Unidos. Missaki jogou no Mundial e mostrou ser bastante frio. Na sua opinião ele será um dos grandes jogadores brasileiros no beisebol?

Reginatto: O Gohara tem de tudo para ser uma estrela na Major League, acho que em pouco tempo ele estará jogando na MLB. Missaki, para mim, já é um dos principais jogadores brasileiros, ele vem melhorando muito e acredito que em pouco  tempo estará brigando para entrar no time principal (Mariners).

QQ: Você chegou a oscilar entre as ligas menores e, provavelmente, conhece outros atletas que viveram a mesma situação. Como é a situação psicológica das ligas menores? Existem muitos casos de atletas que chagam badalados e depois desistem devido a competitividade e as dificuldades encontradas?

Reginatto: O beisebol em si é um esporte difícil, porque você acaba falhando muito nos jogos, é um esporte onde você não pode jamais abaixar a cabeça, afinal são 140 jogos e, se você não teve um bom dia hoje, você tem que estar preparado para amanhã. Sim, alguns abaixam a cabeça e deixam se levar pela dificuldade e desistem de seguir jogando.

QQ: Creio que na maioria dos casos, a família não pode acompanhar o jogador. Como conviver com a competitividade exigida pelo beisebol, que tem vários jogos seguidos, e administrar a saudade? O clima no vestiário, em geral, é de amizade ou rivalidade?

Reginatto: Hoje em dia já se pode ter acesso aos jogos pela internet, então minha família está sempre ligada nos jogos. A competitividade é grande, mas, na opinião, a minha competição é comigo mesmo, eu tenho que melhorar, eu tenho que ser melhor do que eu era ontem para chegar à MLB.

A saudade faz parte, porém a gente sabe que estão torcendo por nós o que nos motiva a seguir em frente.

E no vestiário, a relação é de amizade, nós jogamos o ano inteiro junto praticamente, então você acaba fazendo boas amizades.

QQ: Seu aproveitamento no bastão vem sendo muito bom, e você não é um atleta, pelo menos nas estatísticas, que consegue grandes rebatidas, como home runs. No entanto, seus números tem várias rebatidas simples. Você considera essa característica essencial no seu jogo? Na sua opinião, a sua versatilidade, poder jogar em várias posições do infield, te ajudou a subir de categoria?

Reginatto: Sim, meu estilo de jogo é mais de rebatidas simples, então eu procuro fazer o que eu sei e melhorar. Com certeza ser um utility player ajudou a minha subida à AAA, pois todo time necessita de um jogador que possa jogar em várias posições, todo treinador gosta de jogadores assim.

QQ: Sei que existe uma caminhada árdua para chegar na MLB, no entanto, você mostrou uma caminhada relativamente rápida (1 ano) na transição entre Double-A e Triple-A. Qual a sua expectativa para chegar na MLB? Você acredita que sua grande oportunidade pode ser no ano que vem durante o Spring Training, como o Paulo Orlando fez esse ano e o Yan Gomes fez em 2013?

Reginatto:  Eu quero jogar na MLB esse ano, essa é minha meta. É difícil saber o que pode acontecer, mas se não for esse ano, quem sabe ano que vem eu tenha a oportunidade de ir para o Spring Trainning com o time principal.

QQ: Qual foi sua trajetória para chegar no beisebol norte americano?

Reginatto: Eu comecei jogando beisebol desde os 6 anos em Curitiba pelo Paraná Clube, e com 18 me chamaram para fazer um teste. Fui contratado em 2009 pelo Tampa Bay (Rays).

QQ: Quais foram as principais dificuldades que você encontrou para praticar beisebol no Brasil?

Reginatto: O beisebol ainda é um esporte caro no brasil, os materiais não são tão fáceis de se encontrar, mas espero que isso mude em poucos anos com o crescimento que está acontecendo.

QQ: Além da qualidade dos jogadores, quais as principais diferenças entre a Double-A e Triple-A? Como é a logística de viagens e alojamento nas ligas menores?

Reginatto: Aqui na AAA (Triple-A) tem muitos jogadores que já jogaram na MLB, na AA (Double-A) não são tantos assim, porém as duas ligas são de alto nível.

A gente tem que procurar onde morar, pelo menos a partir da classe A (Single-A) você tem que alugar sua casa ou apartamento, antes disso ficamos em hotel ou apartamento, mas o time procura para você. As viagens para as outras cidades são de ônibus e o time paga hotel. Na Triple-A as vezes viajamos de avião, as vezes de ônibus.

QQ: Recentemente, mais brasileiros estão sendo contratados para fazer parte das categorias de base de time americanos. Como você vê o esporte no Brasil? E por que você acha que isso está acontecendo? Na sua opinião a participação no World Baseball Classic ajudou?

Reginatto: Com certeza o WBC ajudou no crescimento, assim como a chegada dos brasileiros na MLB. O esporte vem crescendo muito, hoje as pessoas assistem mais jogos no Brasil e mais times estão aparecendo. A mídia também está mais em cima do beisebol e isso vai ajudar que o esporte cresça rapidamente.

QQ: O Brasil perdeu a ajuda do Governo ao parar de ser um esporte Olímpico, na sua opinião isso atrapalha o crescimento do esporte no Brasil? Para você, por que o beisebol ainda não virou um esporte amplamente difundido no Brasil, como o futebol americano?

Reginatto: Sim, sem a ajuda do governo os investimentos diminuíram, o que afeta diretamente o esporte. Talvez porque as pessoas não tenham acesso ao beisebol ou até mesmo pensam que não existe beisebol na cidade onde vive, a dificuldade para encontrar materiais também prejudica muito.

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