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Com lance polêmico e Zuerlein herói, Rams batem Saints e chegam ao 4º Super Bowl

Los Angeles Rams

Nós lembramos da final da NFC em 2010 no podcast das prévias para as finais de conferência. E nove anos depois, o New Orleans Saints voltou a jogar uma prorrogação no Mercedes Benz-Superdome para tentar chegar ao Super Bowl. E o roteiro foi similar: uma interceptação mudou tudo. Só dessa vez foi de Drew Brees. E com dois belos passes de Jared Goff e um chute incrível de Greg Zuerlein – de 57 jardas -, seu quarto field goal certo na tarde, o Los Angeles Rams venceu por 26 a 23 e chega ao quarto Super Bowl da história da franquia.

O time venceu o título na temporada 1999, quando a franquia estava em St. Louis. O time voltou ao Super Bowl dois anos depois mas perdeu para o New England Patriots, possível rival no Super Bowl LIII, que será disputado em Atlanta. A equipe está jogando pelo terceiro ano em Los Angeles, sua casa entre 1946 a 1994 e ainda nem tem um estádio para chamar de seu, mandando seus jogos no Coliseu.

Muito bem, vamos para o jogo. Nosso querido editor de NFL e fanático torcedor dos Saints, Bruno de Abreu Bataglin, já deu entrada no hospital. Informaremos quando ele tiver alta. Se ele tiver.

Também vamos atualizar sobre o estado de Bill Vinovich, que vai ter dificuldades para sair da Louisiana depois de sua equipe de arbitragem não ver uma falta clara que decidiria a partida.  Curiosamente, os fãs dos Rams estavam com o pé atrás pela presença de Vinovich, já que com ele no apito, o time tinha perdido todos os 8 jogos disputados. Até petição pública por uma mudança rolou entre os torcedores. Quem diria…

 

 

O jogo

Um bom jogo de final de conferência tem cinco ou seis jogadas no fim que vão deixar a torcida de cada lado pensando “e se fosse diferente”. Neste jogo elas são claras: a quarta descida que os Rams não tentaram na linha de 1, a 3ª para 2 que Brees, pressionado, achou Kamara para a conversão, Lamarcus Joyner achando que o passe de Brees era um punt e Tedd Ginn Jr. sendo mais esperto e a falta clara de Nickell Robey-Coleman não marcada, dando a chance final para os Rams, que avançaram e chutaram o field goal para empatar o jogo. Mas e se Robert Woods não tropeçasse e o passe de Jared Goff fosse perfeito? Talvez o jogo acabasse no tempo regulamentar.

Enfim, avançamos bastante. Vamos voltar.

O jogo começou com o New Orleans Saints com a bola e uma campanha rápida que terminou em field goal de Wil Lutz. Drew Brees não estava arriscando, já que estava ganhando tudo que queria em passes curtos, especialmente com Alvin Kamara.

Enquanto isso Jared Goff estava tendo uma tarde miserável, tendo que lidar com a defesa rival e o barulho da torcida, que claramente prejudicava todas suas chamadas e audibles na linha de scrimmage. Logo de cara ele foi interceptado em lance parecido com o que deu a vitória aos Saints contra os Eagles: o recebedor – neste caso Todd Gurley, semana passada foi Alshon Jeffery – teve a bola na mão mas “frangou” e o defensor, esperto, pegou. Mesmo com a excelente posição de campo, só veio um field goal.

Mas não demorou para os seis pontos chegarem.  Começando na linha de 32, o ataque dos Saints foi rápido no drive, “converteu” uma quarta descida com um hard count que gerou uma falta da defesa e o camisa 9 achou o tight end Garrett Griffin para o primeiro TD da noite. O extra point deixou o jogo em 13 a 0.

Mas sabe quando a maré vira? Isso aconteceu depois de mais três jogadas mal-sucedidas, Goff saiu de campo e o punter Johnny Hekker entrou em campo para mostrar como se faz em uma trick play, convertendo uma quarta para 5 para Sam Shields.

O time visitante saiu com apenas três pontos na continuação do drive, mas começou a mudar o jogo. Dois punts dos mandantes e um dos Rams depois, a equipe de Los Angeles fez uma campanha dentro do two minute warning para o sumido Todd Gurley entrar na end zone com 24 segundos restando para o intervalo e deixar o placar em 13 a 10.

Ou seja, os Rams foram mais ou menos na defesa, não conseguiram ativar o jogo terrestre que matou os Cowboys na semana passada e Jared Goff estava cheio de dificuldade, só tendo uma big play com Brandin Cooks (7 recepções, 107 jardas). E mesmo assim o time saiu apenas três pontos atrás para o intervalo.

Na volta do intervalo os Saints conseguiram reativar o ataque depois dos Rams darem um punt na primeira campanha e com quatro passes e uma corrida de Kamara, Brees passou para o quarterback/faz-tudo Taysom Hill para abrir 20 a 10.

Mas os californianos responderam rápido com um lindo passe de Goff para Cooks e o encerramento com o QB achando Tyler Higbee em um play action bem executado.

O jogo foi ficando nervoso. Os ataques começaram a falhar. Três punts até Goff tirar um belo passe para o tight end Gerald Everett quebrar tackles e avançar 39 jardas. Com C.J. Anderson (16 corridas, 44 jardas) em campo, de forma até estranha já que Gurley (4 corridas apenas, para 10 jardas e 1 TD) parecia saudável e estava esquentando na sideline, os Rams correram até a linha de 1, mas Sean McVay não quis a quarta descida. O time chutou o field goal para empatar o jogo.

Erro? Acerto? Isso daria bastante pano para a manga, especialmente porque os Saints tiveram uma terceira descida com conversão chave em uma jogada que parecia perdida, mas Brees mais uma vez achou Kamara (11 recepções, 96 jardas mais 8 corridas para 15 jardas). Logo depois, o camisa 9 fez a bola voar e o safety Lamarcus Joyner parecia inteiro no lance. Mas em vez de pular para pegar ou até desviar, ele basicamente viu o veteraníssimo Tedd Ginn Jr. querer mais a bola e descer com a recepção de 45 jardas. Aquilo basicamente decidia o jogo.

Os Saints tinham a bola na linha de 13, primeira descida, 1:58 faltando e dois timeouts dos Rams. Mas um passe estranho incompleto na primeira jogada foi uma benção para os Rams, que pouparam um tempo. Kamara correu na segunda jogada sem sucesso, mas forçou um tempo. Na terceira descida, o cornerback Nickell Robey-Coleman estava mal posicionado e teve que dar um pique para cobrir o recebedor na lateral. Brees passou rápido para Tommylee Lewis.

Se Robey-Coleman estivesse olhando para a bola podia até ter interceptado. Mas completamente atrasado e sabendo disso, ele foi direto no corpo de Lewis para uma falta clamorosa, que só não foi marcada porque o árbitro deve ter achado que foi próximo o suficiente para o defensor ter tentado desviar a bola. Ele não ter olhado a bola e ter ido na cabeça do wide receiver são provas que essa interpretação é errada. Se fosse falta, era primeira descida automática e Lutz entraria para chutar o field goal da vitória com o tempo zerado. Ele acabou entrando com 1:45 e pelo menos acertou. Saints 23, Rams 20.

Goff sabia que encontraria um inferno, mas um bom passe para Josh Reynolds de 19 jardas e outro depois para Robert Woods de 16 deixaram o trabalho de Greg Zuerlein mais fácil. Chute de 48 jardas até parecia ter sido torto, mas entrou no meio com uma curva. Jogo empatado, prorrogação.

Os Saints ganharam o cara ou coroa, mas o erro da arbitragem parecia ter mexido com Brees (26 de 40, 249 jardas e 2 passes para TD) e companhia. Mesmo assim o time teve a ajuda de Mark Barron puxando Dan Arnold para uma interferência. Na primeira descida Mark Ingram foi pego por Ndamukong Suh, se livrou indo para atrás e acabou atropelado por Aaron Donald para uma perda de seis jardas. E na jogada seguinte, Dante Fowler deu um lindo spin move, desviou o passe logo depois dele sair de Drew Brees e John Johnson com os olhos na bola pegou ela na linha de 46.

Goff (25/40, 297 jardas, 1 TD e uma INT) ganhou o presente. E ajudou com dois lindos passes com os defensores dos Saints na sua cara, ambos para Higbee em jogadas similares. Os Saints ainda seguraram o ataque dos Rams, mas Zuerlein tem potência na perna. E seu chute de 57 jardas entraria se precisasse de 63. Vitória dos Rams e vaga garantida no Super Bowl LIII.

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