NFL

A pergunta de US$ 1 milhão: “o que é pass interference?”

DeAndre Hopkins, wide receiver do Houston Texans, em lance contra o Baltimore Ravens

(Crédito: Twitter/reprodução)

O que é pass interference?

A pergunta que usei no título deste texto resume bem o que estamos vendo até agora na temporada 2019 da National Football League. Quem sabe o que é uma interferência no passe e consegue explicá-la para o amiguinho que começou a acompanhar futebol americano agora?

Primeiramente, vamos pegar um jogo específico deste último final de semana para ilustrar como a NFL está completamente perdida neste assunto. E como isso vem complicando a vida da arbitragem (não bastasse o quanto as próprias zebras já se complicam sozinhas…).

Na partida entre Baltimore Ravens e Houston Texans, disputada no M&T Bank Stadium, na tarde deste domingo (17), tivemos um passeio de Lamar Jackson e seus Ravens, com uma vitória por 41 a 7 sobre o rival texano.

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Mas voltemos ao primeiro quarto, quando o duelo estava com placar de 0 a 0.

Da linha de 33 jardas do campo de ataque, os Texans arriscaram uma situação de quarta descida para duas jardas. Deshaun Watson estava em formação shotgun e, após o quarterback dos Texans ganhar um tempo extra, lançou a bola para o excelente wide receiver DeAndre Hopkins do lado.

Hopkins possivelmente teria agarrado a bola e anotado o TD não fosse o contato do cornerback Marlon Humphrey pouco antes de o objeto oval chegar. A bola foi para o chão. Passe incompleto. Turnover on downs e nada de liderança no placar.

A interferência no passe não foi marcada e Bill O’Brien desafiou a chamada inicial da arbitragem. O replay foi visto e nada de mudança na jogada.

Após a derrota humilhante, o head coach dos Texans falou sobre o lance que poderia ter mudado o início de jogo e, talvez, o desfecho da partida.

(Essa declaração é realmente muito importante)

“Eu não sei”, falou O’Brien aos jornalistas, visivelmente decepcionado, ao ser questionado sobre o lance (e o desafio) após a partida. “Eu não tenho ideia. Eu não tenho mais ideia do que é pass interference. Nenhuma ideia”, completou.

E eu pergunto: alguém ousa discordar do treinador de Houston? Até Hopkins utilizou seu Twitter para expressar seu descontentamento e pediu “alguém novo” em Nova York olhando para os lances.

Entrando nesta semana 11, apenas cinco das 54 marcações de pass interference que foram desafiadas pelos times da NFL foram revertidas. E, no geral, apenas 10 das 65 marcações de PI que foram revisadas acabaram sendo modificadas após o replay.

Aqui, eu não vou focar tanto na arbitragem. Eu poderia fazer um artigo quilométrico falando como as zebras vem tendo um desempenho BEM RUIM no geral. Há muitas marcações erradas e a confusão impera sobre grande parte dos grupos de árbitros da NFL. Isso que estamos falando de uma liga bilionária e que tem todos os recursos para preparar melhor os árbitros.

Mas, quando recortamos o que vem sendo o caso dos desafios de pass interference em 2019 e aplicamos isso ao tema da arbitragem de uma maneira geral, basicamente já conseguimos explicar. É o micro servindo como boa justificativa do macro.

“Confusão” é a palavra correta.

Lembremos que o jogo responsável por ser a fagulha inicial para uma regra que acabaria sendo mudada meses depois na offseason foi a final da Conferência Nacional (NFC) da temporada passada entre New Orleans Saints e Los Angeles Rams.

A não-marcação de pass interference de Nickell Robey-Coleman em cima de Tommylee Lewis foi decisiva para uma classificação para o Super Bowl LIII. Acabou com os sonhos de muitos torcedores dos Saints. Eu me incluo nesse grupo, como bem ficou registrado neste texto.

Entretanto, uma mudança que veio para acabar com mais injustiças do tipo simplesmente criou mais uma quimera para a NFL.

A interferência no passe é uma regra subjetiva. É como a mão na bola no futebol da bola redonda. Depende da interpretação do árbitro, do modo como ele viu o lance. Enfim, depende de tantas variáveis que é quase como você apostar que Baker Mayfield não lançará interceptações por 25 jogos consecutivos.

Sim, a NFL tem outras regras bastante interpretativas. Mas, a meu ver, nenhuma é tão evidente neste sentido quanto pass interference.

O árbitro precisa avaliar a força do contato. Quando o contato foi iniciado. Se o jogador de ataque e o defensor fizeram contato simultaneamente. Se a bola ainda não estava chegando de fato ao recebedor. Se o torcedor do lado esquerdo da arquibancada estava bebericando sua cerveja no momento da chegada da bola…

Dentro de campo, é uma verdadeira guerra por espaço entre recebedores e defensive backs. E você congelar um lance e vê-lo em câmera lenta/super lenta/frame a frame é uma incoerência ao próprio futebol americano: um esporte que, em sua essência, é mega veloz e de contato extremo.

É por isso, no final das contas, que os desafios de pass interference estão fadados ao fracasso. Pelo menos enquanto a NFL não conseguir dar a definição do que é, de fato, para ser revertido ou não.

E ela não conseguirá.

Basta lembrar quanto tempo ficamos sem, de fato, sabermos o que era uma recepção ou não…

“Ah, porque o recebedor precisa agarrar a bola, ter dois pés em campo e fazer o chamado football move…”

Que raios é football move? O que é fazer a transição de um “recebedor para um corredor”.

Voltemos à declaração de O’Brien. Ela resume tudo.

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