NFL

Não durma no ponto: jogadores não-draftados que deram certo

Wes Welker, ex-wide receiver da NFL

Continuando nossa série de jogadores que com certeza não foram queridinhos dos olheiros quando quiseram entrar na NFL, hoje iremos falar dos não-draftados. Nesta lista temos um MVP, um quarterback de elite por anos, um wide receiver que marcou época, o maior tight end da história de uma franquia (Antonio Gates só será citado aqui na verdade), um kicker histórico e um melhor defensor do ano. Tudo isso só falando de atletas recentes.

Sim, eu sei o que você está pensando. Talvez seja melhor ser um jogador não-draftado do que ser escolhido pelos dedos podres da NFL.

Nesta lista, vamos colocar um representante da era pré-Super Bowl para você conhecer uma história sensacional. Nos anos 40 e 50 era comum o cara vir do nada, fazer um teste para uma equipe, entrar em um elenco e chutar traseiros por anos. Não se faz mais homens como antigamente.

Kurt Warner

O melhor exemplo nesta lista, sem dúvidas. Warner jogou em Northern Iowa, o que não é lá um grande chamariz para a NFL. Mesmo sem ser draftado, ele foi convidado para treinar com o Green Bay Packers. Os Packers à época tinha Brett Favre, Mike Holmgren de treinador e Andy Reid de coordenador ofensivo.

Mas ninguém viu muita coisa e Warner chegou a trabalhar de estoquista em uma loja de conveniência. Ele continuou jogando, mas na Arena Football League e NFL Europa. Ele finalmente assinou com o St. Louis Rams para ser o terceiro quarterback em 1998 e assumiu a vaga de titular em 1999. Com um Super Bowl vencido, outro disputado, dois troféus de MVP, quatro Pro Bowls e a presença garantida no Hall da Fama, Kurt Warner tem uma das histórias mais legais nos 101 anos da NFL.

Adam Vinatieri

Não dá para culpar os GMs e olheiros por um kicker ter passado despercebido, já que só loucos selecionam eles com as melhores posições do Draft. Sebastian Janikowski, escolhido na primeira rodada do Draft por Al Davis, comprova a teoria. Ele também jogou na NFL Europa – à época World League of American Football – antes de chegar no New England Patriots em 1996.

Ele estava no Super Bowl que os Patriots perderam para os Packers, logo em sua temporada de calouro, mas marcou a memória dos torcedores com as três conquistas nos anos 2000, sendo o responsável pelo chute decisivo no infame jogo da Tuck Rule e por definir o Super Bowl contra os Rams e os Panthers com seus pés nos segundos finais.

Depois de nove anos nos Patriots, ele ainda teve mais 13 anos pelos Colts, conseguindo mais um anel. Vinatieri detém os recordes de maior número de field goals tentados, acertados e maior número de pontos na história da NFL. Sua carreira acabou? Não, ainda tem mais.

Warren Moon

O Draft tinha 12 rodadas e mesmo assim Warren Moon não foi selecionado. Ele precisou ir para o Canadá e vencer cinco Grey Cups seguidas na Canadian Football League (CFL) para chamar a atenção da turma no país ao sul. O Houston Oilers foi o que pagou mais e Moon chegou para ser um dos quarterbacks que ajudou a criar o jogo moderno de passes, mudando o foco do jogo corrido para o aéreo.

Nos Oilers, Moon teve duas temporadas seguidas com mais de 4 mil jardas e liderou a liga nesse quesito em 1990 e 1991. O QB ainda jogou pelos Vikings, Seahawks e Chiefs, indo nove vezes ao Pro Bowl e sendo o melhor jogador ofensivo da temporada 1990. Nada mal para um não-draftado.

Wes Welker

Quando falarmos dos wide receivers que Tom Brady teve em New England, vamos lembrar primeiro de Randy Moss, depois de Julian Edelman, MVP do Super LIII, Deion Branch e, só depois, talvez, lembremos de Welker, já que o camisa 83 passou pelo período de seca dos Patriots em uma dinastia que foi iluminada. Só que o jogador não-draftado, que passou pelos Chargers e Dolphins, liderou a liga em recepções em 2007, 2009 e 2011  e foi o wide receiver mais prolífico que os Pats tiveram. Se ele tivesse segurado aquela bola no segundo Super Bowl contra os Giants…

Welker tem o recorde de mais temporadas com 105, 110, 115 e 120 recepções da história da NFL, mais jogos com 12 ou mais recepções e ainda detém os recordes da franquia de temporada com mais jardas recebidas (1.569 em 2011) e muitos outros. Sua produção foi algo simplesmente absurdo e por isso ele está nesta lista.

James Harrison

Entre os membros da defesa espetacular dos Steelers nos anos 2000 e começo da década seguinte tinha Troy Polamalu, o safety feito de borracha, os mais polidos Lawrence Timmons e LaMarr Woodley, Ike Taylor e Ryan Clark na secundária e o barbudo Brett Keisel na linha de frente.

Qual era o papel de James Harrison? Ser a montanha de músculos e força que destruía adultos rumo ao QB rival. Ele não foi draftado, foi cortado três vezes pelos Steelers e na quarta virou um jogador que foi cinco vezes ao Pro Bowl, somou 84,5 sacks e foi eleito o melhor defensor do ano em 2008. Ele ainda jogou por Bengals e Patriots, mas sua história foi marcada nos Steelers mesmo.

Tony Romo

Quanto mais tempo passa, mais sou fã de Tony Romo como jogador, apesar de ele ter se aposentado há cinco anos. Ajuda o fato de ele ser o melhor comentarista que existe.

Era normal zoar ele e os Cowboys por mais um jogo grande perdido lá nos idos de 2011, 2012, quando fazíamos o programa na ‘Rádio Gazeta AM’. Mas a verdade é que Romo era um QB espetacular, que ao mesmo tempo que tinha o braço para arremessos incríveis, era dono de uma mobilidade completamente subestimada. Ele se expunha tanto que as lesões se empilharam até acabar com sua carreira.

Não draftado, ele acabou na equipe de treinos do Dallas Cowboys e cavou um lugar no elenco, ficando à beira de ser cortado e tendo que pegar banco e ser holder de chutes, até que entrou em campo finalmente quando Drew Bledsoe já estava nos momentos finais de sua carreira. Toda jogada dele ficava entre a tragédia e o triunfo, desde o famoso snap que ele não conseguiu segurar nos playoffs contra os Seahawks até lances absurdos como os deste vídeo.

Marion Motley

Motley é o nosso representante pré-Super Bowl que citamos no começo do texto. A razão para ele não ter sido draftado é porque ele estava preocupado em salvar o mundo na Segunda Guerra Mundial. Depois de ser bem-sucedido nisso, ele voltou para os Estados Unidos e recebeu o convite de um tal de Paul Brown para fazer um teste para jogar no Cleveland Browns.

Motley passou e tornou-se o fullback e linebacker da equipe, vencendo quatro campeonatos da AAFC, antes de os Browns juntarem-se à NFL. Nessa liga que tanto amamos, Marion Motley foi o líder de jardas corridas e campeão da NFL em 1950. De quebra, Motley e Bill Willis foram os responsáveis por quebrarem a barreira da cor da pele que existia ao jogar pelos Browns de forma profissional, sofrendo todo tipo de ataques racistas de rivais e torcedores.  Até hoje Motley detém o maior número de jardas por carregada para um running back, com 5,7. Não lembrar dele neste post seria um crime.

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