NBA: por que a fase do Utah Jazz é boa para os adversários

Antônio Henrique Pires Collar | 16/01/2024 - 18:06

Ninguém na NBA venceu mais do que o Utah Jazz nas últimas 10 partidas. Foram nove vitórias para o time de Will Hardy, ganhou as últimas seis de maneira consecutiva. No sábado, ao bater o Los Angeles Lakers, superou a barreira dos 50% de aproveitamento pela primeira vez na temporada e entrou, ao menos por enquanto, na briga por uma vaga no Play-in.

A três semanas do encerramento do período de trocas, Utah não deixa claro qual será sua busca daqui para frente. O processo de reconstrução que teve início com as saída de Donovan Mitchell e Rudy Gobert ainda caminha de forma discreta. Mesmo com duas escolhas de primeira rodada em 2023, os cinco jogadores com mais minutos em quadra têm 25 anos ou mais.

Na nona posição da Conferência Oeste, o Jazz não tem uma superestrela para construir ao redor, mas se mostra um elenco cheio de boas opções. Com a trade deadline batendo à porta, esta talvez seja uma notícia tão boa para a franquia de Salt Lake City quanto para o restante da liga.

Em 2023, vivia situação semelhante quando trocou Nickeil Alexander-Walker e Mike Conley para o Minnesota Timberwolves, além de Malik Beasley e Jarred Vanderbilt para o Los Angeles Lakers. O time de LA foi finalista da conferência no ano passado, e os Wolves lideram em 2024. 

O que se sabe é que Danny Ainge, presidente das Operações de Basquete, não tem interesse em trocar Lauri Markkanen. O finlandês foi All-Star no ano passado e tem médias 24.0 pontos e 8.8 rebotes, com 39% nos arremessos do perímetro. Com contrato até 2025, ele parece confortável na equipe após passagens por Chicago Bulls e Cleveland Cavaliers.

As mudanças que melhoraram o Utah Jazz

A melhora na produção ofensiva nos últimos jogos passa por alguns nomes. O primeiro deles é Will Hardy, técnico de 35 anos, o segundo mais jovem da NBA. Ele tirou do quinteto inicial Jordan Clarkson e o novato Keyonte George, que deram lugar a Kris Nunn e Collin Sexton. O resultado foi a melhora individual dos quatro atletas e de todo o time.

Melhor sexto homem de 2021, Clarkson teve média de 16.6 pontos e 39.9% nos chutes de quadra como titular. Saindo do banco, ele aumentou esses números para 19.7 e 44.7% em 13 jogos. George acumulou 12.7 pontos em 34.3% nas partidas em que iniciou entre os cinco, mas como bancário o aproveitamento subiu para 41%. A média de pontos seguiu na casa dos 12.

Nunn, que pouco vinha sendo aproveitado, passou a liderar o time em assistências desde que foi promovido ao lineup principal. São 6.5 de média, com direito a dois jogos na marca de 13 passes decisivos, nas vitórias sobre Raptors e Bucks. Collin Sexton melhorou tanto sua pontuação quanto o aproveitamento dos arremessos, de 12.7 e 44.7% para 21.9 e 52.2%. Do perímetro, subiu de 33.3% para 41.5%.

Números como esses ajudam a explicar como o Utah passou do 22º ataque da NBA, com 112.2 pontos por noite, para o terceiro time que mais põe a bola na cesta, 125.1. Ainda deixou de ser o quarto pior ataque em termos de conversão de arremessos para se tornar o nono que mais acerta.

Nomes em alta podem movimentar mercado

Enquanto Markkanen segue intocável aos olhos de Ainge, atletas como Jordan Clarkson e Collin Sexton ainda podem ser alvo nas próximas semanas. Os dois têm contratos válidos até 2026, com vencimentos anuais de aproximadamente US$14 milhões e US$18 milhões, respectivamente, a partir do próximo ano. Clarkson estabeleceu-se como um dos melhores pontuadores vindo do banco na NBA, e Sexton vive seu melhor momento desde a lesão no joelho no final de 2021.

Se o Utah Jazz decidir mesmo ir ao mercado de trocas, outro nome valorizado no elenco é Kelly Olynyk. O veterano agrega experiência de Playoffs, além de ser um bom reboteiro e arremessador da linha dos 3 pontos. Seu contrato é expirante, o que deve fazer com que seja envolvido em alguma possível movimentação.

O prazo para as trocas na NBA vai até 8 de fevereiro. Até lá, o Utah Jazz deve continuar como um dos times mais divertidos de se assistir na liga. Depois disso, só Danny Ainge poderá dizer. 

Escrito por Antônio Henrique Pires Collar
Formado em jornalismo pela PUCRS e em Basketball Analytics pela Sports Management Worldwide. Com passagem de 6 anos e meio pela editoria de Esportes do jornal Zero Hora e do portal GZH, de Porto Alegre.