Dança dos técnicos em 2024 na NBA teve Lakers, Bucks, Nets, Hornets e Wizards

Eduardo Barão | 08/05/2024 - 11:19

Campanha positiva, uma ida às finais do Oeste e o título do primeiro Play-In Tournament: esses feitos não foram suficientes para salvar Darvin Ham, ex-técnico do Los Angeles Lakers, após apenas duas temporadas no comando da equipe na NBA. A franquia de Los Angeles esperava mais de um treinador que tinha LeBron James e Anthony Davis à disposição e o demitiu na última semana.

Na NBA, as chamadas “janelas de título” são curtas e cada vez mais as equipes procuram técnicos que possam amplificar as chances de ser campeão nesses períodos. Com isso, demissões rápidas ficam mais comuns. Na NBA, as janelas dos técnicos são ainda menores.

Ham se junta a outros quatro treinadores que perderam o emprego nesta temporada na NBA. Adrian Griffin, dos Bucks, foi demitido após apenas 43 partidas. Jacques Vaughn caiu após ficar claro que os Nets não brigariam nem pelo play-in nesta temporada. Já Steve Clifford, dos Hornets, e Wes Unseld Jr., dos Wizards, pediram demissão para assumir cargos na direção das respectivas franquias.

Campanha positiva, uma ida às finais do Oeste e o título do primeiro Play-In Tournament: esses feitos não foram suficientes para salvar Darvin Ham, ex-técnico do Los Angeles Lakers, após apenas duas temporadas no comando da equipe na NBA.

A falta de paciência das franquias com os técnicos se torna notável quando vemos que, de 2014-15 para cá, Michael Malone, dos Nuggets, e Steve Kerr, dos Warriors, são os únicos campeões da NBA ainda empregados na mesma franquia. Campeões recentes, Bucks e Lakers já estão na segunda troca de técnico após o título.

Frank Vogel, Phoenix Suns, NBA
Varridos na primeira rodada dos Playoffs, o Phoenix Suns pensa em demitir o técnico Frank Vogel. Foto: Icon Sport

Lakers chegam ao quarto técnico em seis anos na NBA

Os Lakers agora buscam o quarto técnico para comandar LeBron James na franquia. Com um dos maiores jogadores da história da NBA à disposição, o general manager Rob Pelinka tem feito alterações constantes em elenco e comissão técnica para manter o time relevante com James. Demitiu Luke Walton e trouxe Frank Vogel após um ano para formar um time sólido na defesa com a chegada de Anthony Davis. Deu certo, foram campeões, mas as mudanças não pararam por aí. Trouxe Russell Westbrook em uma troca que foi catastrófica para Los Angeles. 

Sem se classificar para os playoffs, Vogel pagou o pato e foi demitido. Darvin Ham veio e os problemas causados pela chegada de Westbrook seguiram. Apenas quando Pelinka conseguiu se livrar do ex-MVP que os Lakers voltaram a jogar bem e chegar às finais de conferência. Parecia a virada de chave de LA.

Mas em 2023-24, no primeiro ano completo de Ham pós-saída de Westbrook, o elenco que foi muito bem no final da temporada anterior não evoluiu. Desta vez, lesões não foram problemas entre os astros. Austin Reeves participou de todos os 82 jogos. Anthony Davis, eterno lesionado, jogou 76 e o quase quarentão LeBron James jogou 72. Mesmo assim, o resultado foi o mesmo: classificação apenas pelo play-in e eliminação na mão dos Nuggets. Foi a gota d’água.

Darvin Ham, ex-técnico dos Lakers
Após a eliminação para o Denver Nuggets, na primeira rodada dos Playoffs, Darvin Ham foi demitido dos Lakers. Foto: Icon Sport

Se você acha que apenas um ano inteiro sem evolução é exagero para derrubar um técnico, que tal meio ano? Os Bucks demitiram Adrian Griffin após apenas 43 partidas. O clube estava com uma boa campanha até ali, 30 vitórias e apenas 13 derrotas, mas ainda havia questões a serem resolvidas. A defesa de Milwaukee, que seria testada após a troca de Jrue Holiday por Damian Lillard, estava sofrendo. Griffin brigou com Terry Stotts, seu auxiliar e ex-técnico de Lillard em Portland, o que causou a saída de Stotts. 

Os Bucks se cansaram, demitiram Griffin e trouxeram Doc Rivers para substituí-lo. Não surtiu efeito: Milwaukee perdeu 20 dos últimos 39 jogos, ficou em 3º no Leste e foi eliminado rapidamente pelo Pacers nos playoffs da NBA. Enquanto as lesões de Giannis e Dame são apontadas como as principais responsáveis pela eliminação precoce, o desempenho da franquia no fim da temporada regular com ambos saudáveis não inspirava esperança de título.

A própria demissão do campeão Mike Budenholzer, que levou à contratação de Griffin, veio apenas dois anos após a conquista do título e uma eliminação precoce para o Miami Heat. A movimentação rápida dos Bucks tem nome e sobrenome: Giannis Antetokounmpo. Assim como os Lakers com LeBron James, eles querem a todo custo achar o técnico certo para o maior craque da equipe. Só assim para empilhar títulos e criar uma dinastia como a dos Warriors de Steve Kerr.

Adrian Griffin, ex-técnico dos Bucks
Em 2024, Adrian Griffin comandou os Bucks em apenas 43 jogos antes de ser demitido. Foto: Icon Sport

Talvez as saídas menos faladas da temporada sejam justamente as mais reveladoras. Hornets e Wizards estiveram entre as piores equipes da NBA, mas seus técnicos saíram por conta própria. Tanto Steve Clifford quanto Wes Unseld Jr. decidiram assumir cargos de chefia dentro de suas respectivas franquias. Eles querem ter o controle que não tinham à beira da quadra.

Porque apesar dos erros de Vogel, Ham, Bud e Griffin enquanto técnicos, muitas questões que os derrubaram não estavam em suas mãos. Não foi Frank Vogel quem trouxe Westbrook para Los Angeles, mas foi a troca do Westbrook que o tirou de lá. Não foi Griffin que trocou o principal armador defensivo do time para ter mais poderio ofensivo, mas foram os problemas defensivos que o derrubaram. Ser técnico implica não ter controle sobre o elenco em mãos, mas ter a responsabilidade total em transformar aquilo em vitórias.

Por isso o movimento de Clifford e Unseld Jr. faz sentido. Foi o que Brad Stevens fez após anos como técnico do Celtics, e agora em seu terceiro ano como dirigente da franquia foi eleito Executivo do Ano por montar o elenco que sempre quis ter quando era treinador.

Às vezes é possível ter sucesso imediato com um técnico novo. Steve Kerr foi campeão como estreante. Nick Nurse também. Ime Udoka, demitido dos Celtics por questões extra-quadra, foi finalista da NBA. E cada vez mais parece que as franquias com grandes estrelas buscam esse sucesso imediato. Caso contrário, é hora de seguir em frente.

Escrito por Eduardo Barão
Eduardo Barão é jornalista, radialista, escritor e palestrante brasileiro, com mais de 20 anos de experiência. Atualmente, é correspondente internacional do Grupo Bandeirantes de Comunicação nos Estados Unidos. Apaixonado por esporte, cobriu nos ginásios as últimas finais da NBA.