NBA: brasileiro fanático montou quadra dos Hawks e foi notado pelo time

Pedro Rubens Santos | 13/05/2023 - 06:30

No meio de Pindamonhangaba, cidade a 150 km de São Paulo, existe um verdadeiro santuário do Atlanta Hawks. A equipe da NBA recentemente descobriu que tem um torcedor brasileiro completamente fanático e o levou até os Estados Unidos como recompensa por sua devoção.

Alessandro Silva, técnico eletrônico de 47 anos, apareceu de repente em uma foto postada pelos Hawks nas redes sociais, antes de um dos duelos do time contra o Boston Celtics, pelos playoffs desta temporada. Convidado especial da equipe, ele foi de última hora para Atlanta e acompanhou de perto os jogos 3 e 4 da série, válida pela primeira rodada da pós-temporada.

O chamado para comparecer à State Farm Arena nasceu do seu amor incondicional pela franquia da Geórgia. O brasileiro, que tem no quintal de sua casa uma mini quadra toda dedicada ao time, foi premiado com um ingresso para ir ao ginásio de verdade e ver um jogo de playoffs ao vivo.

— Foi muito louco — contou Alessandro ao Quinto Quarto. — O jogo (o terceiro da série) seria na sexta-feira. Eu estava em casa na segunda à noite e vi uma mensagem no Twitter. Quando fui olhar, era do Atlanta Hawks.

A mensagem continha um convite irrecusável para comparecer ao ginásio dos Hawks, mas obrigava o brasileiro a organizar a viagem de Pindamonhangaba a Atlanta em poucos dias.

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O desafio foi aceito e, mais, Alessandro foi pé quente. Na sexta-feira, o torcedor esteve presente nas arquibancadas da State Farm Arena para a primeira vitória de seu time na série, por 130 a 122, com direito a 32 pontos de Trae Young.

— (A mensagem dizia que) me consideravam uma pessoa que produz conteúdo para eles no Brasil — explicou. — Eu não me enxergo assim, como um produtor de conteúdo, mas já que estão me convidando…

Sonho realizado

Junto ‘Amp’, aplicativo que permite criar uma rádio online, o Atlanta Hawks preparou uma ação com influenciadores e produtores musicais para o dia da partida, a primeira da série em seus domínios. Alessandro, que pousou na cidade com apenas 1h30 de antecedência, partiu direto para o ginásio, onde foi recebido com comidas e bebidas antes de a bola subir.

Como os jogos 3 e 4 acontecem na casa do time de pior classificação, o brasileiro decidiu aproveitar a oportunidade e permanecer em Atlanta, a fim de ver mais uma partida. Só faltava o ingresso.

— Fiz uma postagem no dia seguinte agradecendo a Amp e dizendo que iria atrás de ingresso para o jogo de domingo, mas o Atlanta (Hawks) entrou em contato comigo e me mandou mais dois ingressos.

E foi assim que conseguiu ir a dois jogos do time e ver de perto duelos de peso entre Young e os astros dos Celtics Jayson Tatum e Jaylen Brown. De quebra, ainda deu uma passada no Mercedes-Benz Stadium e prestigiou o Atlanta United contra o Chicago Fire, pela MLS, a liga de futebol dos Estados Unidos.

Fanático por Atlanta

Alessandro é, acima de tudo, um fã dos Hawks, mas as outras franquias de Atlanta também têm um espaço no seu coração. Todas elas.

Além do time da NBA e do United, da MLS, ele também já esteve em jogos dos Braves, da MLB, e dos Falcons, da NFL. Sempre que consegue, está de olho nas partidas e acompanha as muitas equipes da cidade.

— Se pudesse morar em Atlanta, eu iria. Recebi um convite para assistir a um jogo do Dream (da WNBA) nesta temporada, e quero levar minha esposa e minha filha.

Alessandro Silva, Dominique Wilkins, Atlanta Hawks. Foto: Alessandro Silva
O brasileiro com o ídolo Dominique Wilkins, em 2021. (Foto: Arquivo pessoal/Alessandro Silva)

O amor começou com os Hawks e, a partir dele, se expandiu para os demais times. E essa história tem início em 1989, quando, ainda adolescente, Alessandro viu seu primeiro jogo da NBA: Los Angeles Lakers x Atlanta Hawks.

— No time dos Hawks, tinha um cara que me deixou fascinado pelo jeito de jogar. Atlanta perdeu o jogo, mas eu vi o Dominique Wilkins jogando e ali virei torcedor dos Hawks, o que carrego até hoje.

O destino lhe sorriu com a chance de conhecer o ídolo durante uma viagem a Atlanta em 2021. Com a ajuda de amigos brasileiros e uma enchente de marcações nas redes sociais, o brasileiro conseguiu ser notado por Wilkins e ganhou uma foto para guardar eternamente ao lado do camisa 21.

Cultivada ao longo da vida, a paixão pelos Hawks se manifestou de diferentes formas, em viagens a Atlanta e compras de produtos oficiais, mas também em ações únicas como a construção de uma quadra em homenagem à franquia e até na hora de escolher o nome do seu pet.

— Eu gosto muito do Bogdan Bogdanovic. Tenho aqui em casa um cachorrinho, um filhote de cinco meses, e o nome dele é Bogdan.

Os Hawks estão presentes o tempo todo no dia a dia do técnico eletrônico, que dedica sempre uma hora de sua rotina para praticar o basquete na meia quadra que tem em seu quintal. Nas paredes do espaço, estão espalhados logos e artes do time do coração.

— Moro em um sobrado porque queria ter uma meia quadra no quintal — contou Alessandro. — Muitos filmes dos Estados Unidos que eu via antigamente mostravam casas que tinham tabelas, e alguém chegava e ia lá arremessar, sozinho. E eu falava: ‘um dia, quando crescer, quero ter uma dessas também’.

Lá é seu espaço terapêutico. Ele conta que a hora diária de treinos no local funciona como relaxamento e ajuda a combater os problemas do cotidiano.

Quadra de basquete Atlanta Hawks. Foto: Alessandro Silva
A quadra do Atlanta Hawks no quintal da casa de Alessandro Silva, em Pindamonhangaba. (Foto: Arquivo pessoal/Alessandro Silva)

Sorte na vida

Amar uma equipe de outro país pode trazer muitos empecilhos e momentos difíceis proporcionados pela distância. Apesar disso, Alessandro pode se considerar uma pessoa de sorte por ter superado os obstáculos geográficos e tido a chance de não só ver seu time ao vivo — e ser convidado oficialmente pela organização — como também de conhecer seu ídolo de infância.

Ele faz questão de agradecer a esposa por incentivá-lo a realizar seus sonhos. Sonhos esses que nada mais são, na sua perspectiva, do que meras retribuições do destino.

— Eu não sou alguém perfeito, mas procuro sempre fazer o melhor para todo mundo. E acho que às vezes a gente recebe alguns ‘presentes’ por tentar ajudar as pessoas. Só posso agradecer pelas oportunidades que tive na vida.