NBA

É um enorme feito o time “incomum” do Los Angeles Lakers poder chegar a 60 vitórias

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Depois da importante vitória contra o Boston Celtics, o Los Angeles Lakers chegou a 43 vitórias em 55 jogos, estabelecendo uma vantagem de cinco jogos no topo da Conferência Oeste, que parece definida lá em cima. Com a porcentagem atual de vitórias se mantendo, o time passará das 60 vitórias com folga, algo que a franquia não consegue desde 2008/09.

No final da temporada passada, nós falamos como o Toronto Raptors tinha montado sua equipe de uma forma que nunca tinha acontecido antes. Na free agency seguinte, seu MVP das finais, que chegou em uma troca antes da temporada vitoriosa, foi embora em menos de um ano. Sinal dos tempos: dois jogadores amigos combinam onde querem jogar e o resto se resolve depois.

Da mesma forma que os Raptors pegaram o manual de como formar um time campeão da NBA – a fórmula é draftar uma estrela ou duas, sofrer nos playoffs, trazer peças complementares na free agency e finalmente vencer – e jogaram no lixo, o Los Angeles Lakers pode ter um título incomum em sua longa e vitoriosa jornada.

(Claro que há exceções na fórmula que citei acima, mas a grande maioria dos times venceu assim).

Antes que você fale, eu sei que desde que os Lakers se mudaram para a Califórnia os free agents aparecem para curtir o sol, Hollywood, a praia e todas as belezas possíveis.

Mas Wilt Chamberlain jogou com Jerry West e Elgin Baylor, draftados pela equipe. Kareem Abdul-Jabbar saiu de Milwaukee e foi o franchise player por alguns anos, mas foi ganhar mesmo com um tal de Magic Johnson, draftado por L.A. Daquela era incrível ainda tinha James Worthy, A.C. Green, Michael Cooper e Byron Scott, que foi draftado pelos Clippers mas logo trocado para vestir o uniforme Purple and Gold.

Nos anos 90, Shaquille O’Neal chegou de Orlando, mas Kobe Bryant é prata da casa. Bom, na verdade ele foi escolhido pelo Charlotte Hornets, que ouviu um “não quero jogar nesta joça” e obedeceu. Ainda tinha Derek Fisher (24ª escolha em 1996).

Enfim, os times de Los Angeles sempre tinham um free agent destacável, mas também um prata da casa de peso e outros draftados importantes no elenco. 

Não nesta versão de 2019/20. Kyle Kuzma é o quinto em minutos. E… só. Tem mais jogadores draftados pelos Celtics no elenco atual dos Lakers que escolhidos pela própria franquia.

Estamos falando de algo muito raro na história da NBA, já que além de não ter muitos draftados pela equipe, assim como os Raptors de 2018/19, a maior parte dos jogadores nem estava na equipe há dois anos. Em fevereiro de 2018:

LeBron James estava no Cleveland Cavaliers.

Rajon Rondo e Anthony Davis jogavam pelos Pelicans.

Danny Green ainda estava em San Antonio.

Avery Bradley estava nos Clippers.

Dwight Howard nem ele sabe, já que estava sendo jogado de um lado para o outro.

Depois do primeiro jogo da temporada escrevi que o Los Angeles Lakers teria muito trabalho pela frente, mesmo sendo um favorito a ficar no topo do Oeste. Bom, o trabalho foi feito de forma muito mais rápida do que pensava e Frank Vogel merece muito, muito crédito.

Não há um pio sobre descontentamento de LeBron, uma tônica até em temporadas vitoriosas, o time joga com intensidade máxima, recuperou jogadores problemáticos (Howard) e conseguiu encaixar perfeitamente Anthony Davis.

O Toronto Raptors foi um time vitorioso que saiu dos moldes dos times campeões da NBA. E o Los Angeles Lakers pode levar isso além, sendo o time modelo da era do empoderamento dos jogadores: você pode ter temporadas horrorosas e errar suas escolhas de Draft, mas se duas estrelas quiserem desembarcar na sua cidade, só é preciso trazer peças complementares de forma minimamente inteligente.

Eu estava errado no texto escrito logo depois do jogo contra os Clippers, mesmo que os Lakers percam em um duelo de playoffs para o rival de cidade.

Os Lakers não são tão disfuncionais mais, apesar do mérito pela construção do elenco ser mais de LeBron e seu poder de convencimento. O time superou minhas expectativas e Vogel domou um elenco que não é fácil (LeBron, Davis, Howard, Rondo). Será suficiente para vencer? Veremos. Mas estamos falando de um time que teve cinco anos pavorosos e nenhuma escolha de Draft alta desses anos para contar história. Mesmo que não dê em título, já deu mais certo do que deveria.

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