LeBron James supera Oscar Schmidt como maior cestinha na história do basquete

Antônio Henrique Pires Collar | 03/04/2024 - 12:05

O reinado do Brasil na pontuação do basquete mundial finalmente chegou ao fim. Na noite desta terça-feira (2), LeBron James chegou à marca de 49.738 e superou o brasileiro Oscar Schmidt. As estatísticas do Mão Santa geraram controvérsias no passado, com a inclusão de números de jogos festivos, mas o feito superado pelo norte-americano leva em consideração dados reconhecidos pela Federação Internacional de Basquetebol (FIBA).

LeBron já havia superado Michael Jordan em 2017 como o maior cestinha dos Playoffs da NBA. Em 2023, tornou-se também o principal pontuador na história da temporada regular, superando Kareem Abdul-Jabbar. Recentemente, o camisa 23 do Los Angeles Lakers foi primeiro jogador a chegar aos 40 mil pontos na fase de classificação da liga.

Agora, enfim, não existem mais nomes a serem riscados no caderno de recordes de LeBron James. Aos 39 anos, ele caminha para estabelecer metas que parecem mais inalcançáveis do que as que perseguiu, como se tornar o único atleta a quebrar a barreira dos 50 mil pontos – algo que deve acontecer ainda nesta temporada.

Canhoto e que a vida inteira arremessou com a mão direita, ele viralizou no início deste ano com vídeo em que brincava que depois que atingisse os 40 mil pontos na temporada regular passaria a usar somente a esquerda para chegar aos 45 mil. Uma brincadeira, claro, mas como duvidar de LeBron James?

Os números de Oscar Schmidt

Se as estatísticas do craque da NBA parecem tão impossíveis de serem alcançadas, como foi que Oscar, que nunca jogou no basquete norte-americano, conseguiu ser o recordista por tanto tempo? A resposta é a mesma para os dois: além de muito talento, nosso “Mão Santa” também esbanjou longevidade.

Entre clubes do Brasil, da Espanha e da Itália, Oscar viveu o basquete profissionalmente por quase três décadas. Tanto que só se aposentou aos 45 anos de idade, em 2003, quando defendia o Flamengo. Além da extensa carreira por equipes, o maior cestinha do esporte nacional prestou 20 anos de serviços à seleção brasileira, pela qual sempre declarou seu amor.

A relação de Oscar com o uniforme verde e amarelo era tão intensa que ele abriu mão do desejo de jogar na NBA. Chegou a ser draftado em 1984, pelo New Jersey Nets, mas como as regras da época proibiam que atletas da liga atuassem por seleções, ele optou pelo time nacional. Três anos depois, conquistou o histórico ouro nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, derrotando os Estados Unidos na decisão.

Diferentemente de LeBron, que conseguimos conferir registros de todas as partidas como profissional, os números detalhados de Oscar são mais difíceis de serem encontrados. Ainda assim, ele coleciona feitos que impressionam e ajudam a dar uma noção de como conseguiu ser por tanto tempo o número um do ranking.

Foram 7.693 pontos marcados só pela seleção brasileira. Destes, 1.093 foram em Jogos Olímpicos, o que até hoje o coloca como recordista da competição. Em Seul 1988, registrou também a maior média de todos os tempos, com 42.3 pontos por partida, e a maior pontuação de uma jogo olímpico (55, sobre a Espanha).

Em 1988, aliás, Oscar teve o aproveitamento de 55.6% nos arremessos de fora do garrafão (4.4 acertos em 7.9 tentativas). Na comparação com jogadores atuais da NBA, Stephen Curry lidera a temporada em bolas de 3 pontos por jogo, com 4.8 conversões em 11.9 chutes. O maior aproveitamento é de Grayson Allen, 46.9%, bem abaixo do feito de Oscar.

Por clubes, os números de Oscar que podem ser encontrados publicamente são referentes à sua passagem pelo Valladolid, da Espanha, entre 1993 e 1995. Por lá, ele teve 32.2 pontos de média na temporada 1993-94 e 24.0 na seguinte. Nas duas ocasiões, ficou acima das 4.0 bolas triplas por partida, algo que hoje ainda o colocaria entre os arremessadores de elite na NBA.

Os números de LeBron James

Na situação de LeBron James, os dados são encontrados mais facilmente – tanto pela época em que atua quanto pelo fato de a NBA há muitos anos ter registros oficiais disponibilizados em seus próprios canais e nos de sites especializados.

Dos 40.327 pontos do Rei na temporada regular, a grande maioria foi com a camisa do Cleveland Cavaliers, onde atuou por 11 temporadas em duas passagens diferentes. Pelos Cavs, ele anotou 23.119 pontos, sendo o principal cestinha da franquia de Ohio.

Depois, vem o Los Angeles Lakers, onde ele já conseguiu 9.289 pontos em seis temporadas. Nos quatro anos em que defendeu o Miami Heat, LeBron somou 7.919 pontos.

Quando olhamos para as médias, vemos como o craque conseguiu manter a regularidade ao longo dos 21 anos como profissional. São 27.2 pontos por partida pelos Cavaliers, 27.0 pelos Lakres e 26.9 por Miami Heat. Um empate técnico, caso deseje arredondar.

Ao longo dos anos, o que mudou para LeBron foi a forma de colocar a bola na cesta. Enquanto teve médias de 1.5 e 1.2 arremessos do perímetro por Cleveland e Miami, respectivamente, na reta final da carreira ele aumentou para 2.3 com as cores de Los Angeles.

O mais curioso aqui talvez seja LeBron ter sido o cestinha da NBA apenas uma vez, em 2008, quando registrou 30.0 pontos de média. Ele ficou na casa dos 30 ou mais pontos em outras duas temporadas: 2005-06 (31.4) e 2021-22 (30.3).

LeBron James ainda soma outros 8.023 pontos nos Playoffs – quem mais se aproximou disso foi Michael Jordan, com 5.987. A maioria desses pontos (4.573) veio com o Cleveland Cavaliers, enquanto 2.338 foram pelo Miami Heat. Por seu atual time, ele conseguiu 1.112 pontos na pós-temporada.

Os demais pontos de LeBron James foram pela seleção dos Estados Unidos. Ainda que não defenda o time norte-americano há mais de uma década, ele participou de três Jogos Olímpicos (2004, 2008 e 2012) e conquistou duas medalhas de ouro e uma de bronze. Foi terceiro colocado também na Copa do Mundo de 2006, realizada no Japão, e venceu o ouro na Copa América de 2007, em Las Vegas. Segundo informações da imprensa dos EUA, existe a expectativa de que ele se junte à equipe que irá a Paris este ano.

Escrito por Antônio Henrique Pires Collar
Formado em jornalismo pela PUCRS e em Basketball Analytics pela Sports Management Worldwide. Com passagem de 6 anos e meio pela editoria de Esportes do jornal Zero Hora e do portal GZH, de Porto Alegre.