Doc Rivers terá de ajustar defesa dos Bucks para ser campeão da NBA

Antônio Henrique Pires Collar | 25/01/2024 - 09:52

O Milwaukee Bucks confirmou na quarta-feira (24) a contratação de Doc Rivers como novo treinador. O experiente técnico, campeão com o Boston Celtics em 2008, chega para substituir Adrian Griffin, demitido no dia anterior. Substituto de Mike Budenholzer, Griffin durou apenas 43 partidas no comando do time de Wisconsin. Como legado, deixou os Bucks na segunda posição da Conferência Leste, com 30 vitórias – 7.5 jogos à frente do Indiana Pacers, primeiro fora da zona de classificação direta para os Playoffs.

Resultado, aliás, não foi o motivo para a queda de Adrian Griffin. Com três meses, apenas os Celtics venceram mais em toda a NBA. No Oeste, Oklahoma City Thunder e Minnesota Timberwolves têm campanhas idênticas, mas ninguém melhor. Além disso, a equipe é a segunda que mais pontua e tem o segundo mais alto offensive rating da liga, média de 120.6 pontos.

Ainda assim, a demissão não surpreendeu a ninguém. Já havia algum tempo que os problemas do elenco com técnico eram públicos. Pelo que informa a imprensa dos Estados Unidos, a relação desandou antes mesmo do início da temporada. Ao longo do caminho, noticiou-se até uma discussão acalorada do treinador com o ala-pivô Bobby Portis, em Las Vegas, após eliminação na Copa NBA. Nos microfones, Giannis Antetokounmpo chegou a dizer que todos, incluindo Griffin, precisavam melhorar.

A missão de Doc Rivers no Milwaukee Bucks

Para quem deseja vencer imediatamente, Milwaukee fez um movimento ousado. O último time que conseguiu o título após trocar o comando no meio do caminho foi o Cleveland Cavaliers de 2016. Na oportunidade, porém, o substituto para David Blatt já fazia parte da comissão dos Cavs: Tyronn Lue, hoje no Los Angeles Clippers.

Com pouco tempo para trabalhar, Rivers terá de focar mais em ajustes mais pontuais, como a rotação do elenco. Com Adrian Griffin, o quinteto mais usado foi o considerado titular, com Damian Lillard, Malik Beasley, Khris Middleton, Giannis Antetokounmpo e Brook Lopez. De acordo com o site Cleaning the Glass, esta formação foi usada em 967 das 4.288 posses da equipe sob comando do antigo técnico.

O número reflete a somente 22% do tempo possível, pouco se levado em consideração que é o time visto como o ideal. Com os titulares, o defensive rating apresentado pelos Bucks é de 110.4 pontos a cada 100 posses, o que daria a Milwaukee a segunda melhor defesa – hoje, o time é o 20º em defensive rating, com 116.7 pontos sofridos.

Uma queda defensiva já era esperada para este ano desde a saída de Jrue Holiday, um dos principais defensores de perímetro da NBA, capaz de marcar tanto o armadores quanto alas. Não se imaginava, no entanto, que as fragilidades defensivas seriam tantas. Hoje, a maior dificuldade é na transição defensiva, com média de 23.5 pontos sofridos assim (quinto pior da NBA em 2023-24).

A boa notícia para o torcedor é que questões como essa podem ser melhoradas na base da conversa. Mesmo com diferentes métricas e ferramentas, ainda é difícil para analistas avaliarem com exatidão o valor defensivo de um jogador, muito por conta de fatores como o esforço individual e coletivo. No vídeo abaixo, separei duas jogadas contra o Detroit Pistons, no último jogo de Adrian Griffin, que ajudam a visualizar a situação.

Repare que na primeira Kevin Knox tem liberdade para atravessar a quadra com a bola nas mãos e finalizar com pouco contato próximo à cesta. Na segunda, Isaiah Stewart recebe tranquilo para finalizar embaixo do aro marcado por Damian Lillard, 15 centímetros mais baixo. Lances como esses, para jogadores de alto nível, podem ser solucionados com um senso coletivo de defesa construído a partir do diálogo. Algo quase impossível em um ambiente onde havia tantas desavenças.

A primeira jogada também evidencia outro problema no estilo buscado pelo antigo técnico, que focava bastante nos rebotes ofensivos (apesar disso, os Bucks são o quinto time que menos pega rebotes no ataque). Observe quanto após o arremesso errado os jogadores levam parar tirar a atenção da bola e voltar para a defesa.

Com números ofensivos tão expressivos, como os citados no início do texto, os Bucks podem se dar o luxo de dar menos atenção às disputas na tábua adversária. Mesmo que a ausência de Holiday siga fazendo falta, Doc Rivers terá peças para transformar os Bucks não somente em um dos melhores ataques da NBA, mas também em uma defesa estável, sobretudo dentro do garrafão. Para isso, no entanto, não poderá repetir seus insucessos recentes em Los Angeles Clippers e Philadelphia 76ers.

Escrito por Antônio Henrique Pires Collar
Formado em jornalismo pela PUCRS e em Basketball Analytics pela Sports Management Worldwide. Com passagem de 6 anos e meio pela editoria de Esportes do jornal Zero Hora e do portal GZH, de Porto Alegre.