NBA: Donovan Mitchell faz Cleveland Cavaliers superar desfalques

Antônio Henrique Pires Collar | 16/01/2024 - 10:33

Você piscou, e o Cleveland Cavaliers é o quarto colocado na Conferência Leste na NBA.

Depois de um começo oscilante que levantou rumores de demissão ao técnico JB Bickerstaff, o time entrou nos trilhos sem dois dos seus principais jogadores. Desde as lesões de Darius Garland e Evan Mobley, os Cavs melhoraram muito de aproveitamento e voltaram a figurar entre os candidatos mais fortes concorrentes a uma vaga nos Playoffs. Na segunda-feira (15), a equipe bateu o Chicago Bulls por 109 a 101 e chegou ao quinto jogo seguido sem perder.

As lesões de Garland e Mobley aconteceram na mesma semana. Já são 17 partidas sem o ala-pivô (11 vitórias) e 13 sem o armador (10 vitórias). Com Garland no departamento médico, o aproveitamento de Cleveland subiu para 76.92%, bem acima dos 57.14% registrados com ele em quadra nesta temporada. Além disso, nos últimos 15 jogos a campanha dos Cavaliers é a sexta melhor entre toda a liga e a segunda no Leste. Apenas os Celtics venceram mais entre os rivais de conferência, 11 a 10.

O bom momento do time de Ohio se deve muito a Donovan Mitchell. Se em Utah ele era contestado pela seleção de arremessos, em Cleveland tem se mostrado um armador de mão cheia, além do já conhecido pontuador acima da média. Contra os Bulls, ele comandou o ataque com 34 pontos e 7 assistências. Três delas foram para Jarrett Allen, pivô com quem estabeleceu conexão semelhante aos bons momentos com Rudy Gobert, seu parceiro nos Jazz.

Repare no vídeo acima como as três situações foram semelhantes, com Allen oferecendo o bloqueio alto e rapidamente se deslocando para receber o passe próximo à cesta marcado por defensores mais baixos. Uma movimentação trabalhada pelo técnico, mas executada repetidas vezes com perfeição graças à agilidade dos dois jogadores na hora da leitura.

O pivô, aliás, relembra sua temporada de All-Star, contribuindo significativamente tanto no ataque quanto na defesa. Nos últimos 13 jogos, ele acumulou médias de 18.1 pontos e 13.2 rebotes – em toda a NBA, apenas Domantas Sabonis, do Sacramento Kings, foi melhor nesta estatística. A força ofensiva no garrafão aparece pelo aproveitamento de 66% nos arremessos e reflete capacidade de pontuar próximo à tábua.

Além disso, sua habilidade de proteger o aro e sua presença física têm proporcionado ao Cavaliers uma vantagem valiosa na batalha pelos rebotes. O time subiu de 12º para 5º no ranking de rebotes no último mês.

A força dos reservas dos Cavaliers

Há pelo menos dois nomes que merecem destaque no banco de reservas de Cleveland. O principal, com certeza, é Caris LeVert. O armador vive o seu melhor momento desde que chegou à franquia e tornou-se o que os norte-americanos costumam chamar de “triple threat”. Ou seja, é uma ameaça de três formas diferentes. A mais recente é o passe, já que evoluiu muito no aspecto da criação de jogadas. Suas médias de 18.0 pontos e 4.9 assistências durante esse período mostram sua versatilidade e capacidade de impactar o jogo de várias maneiras.

A habilidade no jogo de pernas e explosão no primeiro passo o tornam uma preocupação constante no drive, constantemente atacando a cesta adversária. Além disso, tem força física ao enfrentar contatos de defensores maiores dentro do garrafão. No perímetro, seus 39% de aproveitamento nos últimos 15 jogos fazem com que seja um ponto de atenção dos adversários também nas bolas triplas.

E por falar em bolas triplas, uma surpresa positiva tem sido Sam Merril. Contra o Chicago Bulls, o ala-armador acertou quatro dos seis arremessos que tentou. Todos eles foram no catch and shoot, sem driblar a bola nenhuma vez. Ainda que não ofereça muitas outras armas, é o típico gatilho de longa distância, uma espécie de Luke Kennard tardio. Observe no vídeo abaixo sua velocidade para receber e arremessar a bola.

Nos últimos 10 jogos, Merrill registrou 42.2% de aproveitamento nos chutes externos. Seu volume ofensivo se resume basicamente a este tipo de jogadas. Dos 9.9 arremessos que tenta, 8.3 são de fora do garrafão.

 

Escrito por Antônio Henrique Pires Collar
Formado em jornalismo pela PUCRS e em Basketball Analytics pela Sports Management Worldwide. Com passagem de 6 anos e meio pela editoria de Esportes do jornal Zero Hora e do portal GZH, de Porto Alegre.