Novo brasileiro na NBA, Mãozinha revela trajetória e comemora sucesso

Matheus Costa | 21/03/2024 - 22:30

Com apenas 23 anos, o jovem Mãozinha Pereira fez história ao estrear com a camisa do Memphis Grizzlies e se tornou o 20º brasileiro a atuar oficialmente na história da NBA. No entanto, essa história parece estar apenas iniciando.

Mesmo com um contrato de 10 dias para suprir o elenco dos Grizzlies, Mãozinha deixou boa impressão e protagonizou um dos grandes lances da última partida da franquia ao completar uma bela ponte aérea. Depois da boa estreia, o brasileiro concedeu entrevista exclusiva ao Esportelândia e afirmou que sua meta na liga é chegar ao mais alto nível.

— Eu quero chegar no mais alto nível que eu posso. Se o meu mais alto nível for a NBA, eu quero e vou me esforçar para ficar na NBA. Se com o meu desempenho, eu só vou conseguir ficar na G-League mesmo, eu vou me entregar o máximo para conseguir chegar no maior nível que eu consigo jogar. Com certeza, quero ficar para a NBA, mas primeiro busco jogar no maior nível possível, focado sempre em conseguir fazer o melhor que eu posso —, afirmou.

Com seis minutos de quadra e dois pontos marcados, Mãozinha se tornou o segundo brasileiro a atuar na temporada da NBA e enfrentou justamente o primeiro, Gui Santos, que defende o Golden State Warriors. A equipe da Califórnia, inclusive, tem em seu elenco a maior inspiração de Pereira na NBA: o ala Andrew Wiggins.

— É um pouco difícil de comparar comigo, mas eu diria que um jogador que eu gostava bastante era do Andrew Wiggins, que ajudou o Golden State a ser campeão. Eu gostava bastante dele, é um cara grande que vai no rebote, joga acima do aro, consegue marcar todo mundo. O Aaron Gordon também é um cara que eu gosto bastante, um cara inteligente —, revelou.

Do Brasil à NBA: como o apoio dos pais foi essencial na trajetória de Mãozinha

Antes de assinar com o Memphis Grizzlies, Mãozinha teve que percorrer um longo caminho. E bota longo nisso. Quando ainda morava no Rio de Janeiro, no bairro do Campo Grande, zona oeste da capital fluminense, o brasileiro precisava percorrer cerca de 120 km por dia; 60 na ida e 60 na volta, tudo isso para chegar ao centro de treinamento do Fluminense, a sua primeira equipe. Esse percurso durava em média de três a quatro horas que, muitas vezes, não eram suficientes para fazer o pequeno João chegar a tempo do treino.

— Às vezes eu saía às 14h30, 15h para chegar no treino às 18h30, e chegava atrasado ainda. Tinha vez que eu tinha que pegar dois ônibus e um metrô, e isso já com 7 anos — revelou Mãozinha.

No entanto, mesmo a rotina extremamente cansativa, Pereira relembra que o apoio que teve dos de seus pais desde muito novo foi essencial para vencer na carreira e conseguir alcançar o objetivo de estar na NBA. Mas, mesmo com todo apoio, o pivô destacou que nada disso seria possível sem sacrifícios.

— Desde pequeno, meus pais me mostraram isso. Eu sempre soube que se você quer obter alguma coisa no basquete, você tem que se sacrificar. O basquete entrega muito, mas ele só entrega muito para aquele que se sacrifica muito. Eu digo que eu fui muito privilegiado por ter uma pessoa tão perto de mim que foi meu pai para me guiar. Eu acho que se não tivesse ele, eu ia falar: ‘acho que isso daqui não vale a pena', porque você não vê o resultado de imediato. Eu estou colhendo agora o que eu plantei quando eu tinha 7 anos —, encerrou.

LeBron, Antetokounmpo? Mãozinha revela quais são as suas referências na NBA

Sempre que algum jogador começa a sua trajetória na NBA, é comum imaginarmos que as suas referências passam por LeBron James, Giannis Antetokounmpo, Stephen Curry e outros grandes nomes. Mas, para Mãozinha, um conjunto muito famoso início dos anos 2000 marcou época em sua memória.

— Tem jogadores que eu gosto de assistir, como o próprio Antetokounmpo, o Lebron, como vários outros jogadores, eu gosto bastante de assistir. Mas o time que eu cresci assistindo, foi quando eu peguei a era do San Antonio Spurs, o time de Duncan, Tony Parker, Manu Ginóbili, aquele time ali era absurdo e eu achava muito legal, porque a grande parte do time era de estrangeiros. Eles foram pioneiros para a NBA — revelou o brasileiro.

Quando questionado sobre qual jogador desta geração que mais se assemelha ao seu estilo de jogo, Mãozinha não titubeou e surpreendeu na resposta.

— É um pouco difícil de comparar comigo, mas eu diria que um jogador que eu gostava bastante era do Andrew Wiggins, que ajudou o Golden State a ser campeão. Eu gostava bastante dele, é um cara grande que vai no rebote, joga acima do aro, consegue marcar todo mundo — revelou.

Escrito por Matheus Costa
Matheus Costa é jornalista, repórter e redator com passagens por MMA Brasil, LANCE!, O Dia, Yahoo! e outros. Sua carreira no jornalismo iniciou na cobertura do MMA, depois se expandindo para a cobertura do futebol e dos bastidores de televisão esportiva brasileira. Já cobriu in loco eventos de MMA, futebol, basquete e jiu-jítsu.