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A importância de Steve Kerr no Golden State Warriors

A importância de Steve Kerr no Golden State Warriors

A história de Steve Kerr não foi fácil até chegar nas graças dos torcedores do Warriors. Nasceu no Líbano, de onde saiu praticamente fugido, perdeu o pai aos 18 anos e foi herói de um título do Chicago Bulls de Michael Jordan (com quem, aliás, já trocou socos). Como treinador, é parte fundamental de uma visão que mudou completamente a NBA com um jogo focado nos arremessos de três. O comandante já foi campeão quatro vezes (2015, 2017, 2018 e 2022), se igualando a Phil Jackson (91, 92 e 93 com os Bulls) e John Kundla (52, 53 e 54 com os Lakers) como os únicos a levantar o troféu de campeão três vezes em seus quatro primeiros anos como treinador.

Infância de Steve Kerr

Stephen Douglas Kerr nasceu em Beirute, capital do Líbano, e passou boa parte da infância em países do Oriente Médio enquanto os pais davam aulas em faculdades da região. Apaixonou-se pelo basquete na visita a um jogo universitário em Los Angeles e começou a jogar sério no Egito, aos 14 anos.

A carreira de Kerr evoluiu entre as idas e vindas de sua família. Enquanto Malcolm Hooper Kerr foi convidado a presidir a Universidade Americana de Beirute. Passou 17 meses no cargo, em meio às imprevisibilidades da guerra civil libanesa. Ele ofereceu os prédios vagos a refugiados, confrontou oficiais israelitas e assassinado em janeiro de 1984 por dois tiros em um atentado terrorista na porta de seu escritório. O crime foi atribuído à milícia Jihad Islâmica, que alegou autoria em uma ligação telefônica à agência de notícias AFP.

O Steve Kerr jogador

Armador de defesa frágil, mas especialista em bolas de três, Steve Kerr foi o destaque da Universidade do Arizona por anos e ganhou prêmios individuais. Ainda universitário, ele foi campeão do Mundial de Basquete de 1986 com os EUA, mas sofreu uma lesão no joelho que lhe tirou das quadras por vários meses. Tempos depois, conquistou uma vaga na NBA, draftado no segundo round pelo Phoenix Suns.

Um reserva a vida inteira, mas útil, sempre confiável nos arremessos. Pouco aproveitado em Phoenix, foi trocado para o Cleveland Cavaliers e lapidado como um bom coadjuvante por quatro anos. Depois passou rapidamente pelo Orlando Magic e em 1993 finalmente chegou ao Chicago Bulls, time que o faria entrar para a história.

O auge da carreira

Aos 28 anos, o armador chegou aos Bulls animado para jogar ao lado de Michael Jordan. O time parecia imbatível após os três títulos em sequência (1991-93), mas Jordan anunciou a aposentadoria e pegou todo mundo de surpresa.

MJ só voltou na metade do ano seguinte. Nas cinco temporadas com os Bulls, Kerr ganhou três títulos (1996, 97 e 98), teve médias de 8,2 pontos e 2,2 assistências em 23,2 minutos por partida e venceu o Torneio de três pontos do All-Star Game de 1997.

A coragem de Steve

Quando Jordan voltou da aposentadoria, em 1994, era Kerr quem o marcava nos treinamentos do Chicago Bulls. Em um deles, o clima esquentou: o camisa 23 estava irritado com Phil Jackson e descontou com uma falta de propósito em Kerr. O reserva não gostou e deu um soco no peito de Jordan, que revidou com um soco no olho. O desentendimento foi resolvido com uma ligação, e Kerr entendeu a briga como um teste de Jordan.

“Ele confiou mais em mim dali para frente”, lembrou, anos depois.

Transição de carreira

Seu último papel dentro de quadras na liga foi como jogador. Kerr virou agente livre após o tricampeonato com os Bulls, assinou com o Spurs de Tim Duncan e David Robinson e logo de cara venceu mais um título – seu quarto seguido. Foi o primeiro anel do técnico Gregg Popovich, que se tornaria mentor de Steve Kerr e seu antecessor no comando da Seleção Masculina de Basquete dos EUA.

Ao todo foram quatro anos nos Spurs, com um hiato de uma temporada no Portland Trail Blazers. Ele se despediu da carreira de jogador em 2003, com mais um título e uma atuação de gala pelo Spurs: aos 37 anos, acertou as quatro bolas de três que tentou contra o Mavericks, sendo fundamental para o título da Conferência e a vaga nas finais da NBA (título sobre os Nets em seis jogos). Foram cinco anéis de campeão, três com o Bulls (96, 97 e 98) e dois com o Spurs (99 e 2003). Isso faz de Kerr o único ser humano da história a ter ao menos três títulos como atleta e como treinador. Foram 910 jogos na NBA, 880 delas vindo do banco. Kerr tem até hoje a melhor porcentagem da história da NBA em bolas de três durante toda a carreira (45,4%).

Aposentado, Steve Kerr foi comentarista de TV por alguns meses até ser contratado pelo Phoenix Suns, onde seria diretor geral por três anos (2007-10). Virou treinador do Warriors em 2014 e reencontrou Gregg Popovich na seleção: os dois foram campeões olímpicos juntos, em Tóquio-2020. Kerr agora assume o posto de Popovich para o Mundial de 2023 e os Jogos Olímpicos de 2024.

De grande reserva para um dos melhores técnicos da história

Antes de Steve Kerr, o Golden State Warriors não vencia a NBA há 39 anos. Com ele, já são seis finais e quatro títulos em apenas oito temporadas – e contando.

Seu início na liga foi avassalador: potencializou Curry e Klay, ganhou 21 de seus primeiros 23 jogos na profissão, fez o Warriors ter a melhor campanha, o ataque mais produtivo (média de 110 pontos) e mais coletivo (média de 27 assistências), além dos arremessos mais precisos da NBA (47,8% de acerto). Steve Kerr ainda hoje é o técnico estreante com mais vitórias na temporada regular (63).

Com o tempo, a excelência virou algo natural. Vendo em retrospectiva, não dá para se surpreender muito: Steve Kerr, um especialista em bolas de três nos tempos de jogador, acertou um time quase imparável nas bolas de três, um estilo que revolucionou a NBA por completo. Foi treinado por Phil Jackson e Gregg Popovich que certamente influenciaram em seu jogo. Contudo, o mérito é todo do Steve que trouxe essa maneira diferente e eficiente de jogar.

Como exemplo, temos a “previsão” de que o Warriors fracassaria na temporada, mas a franquia encontrou Jordan Poole como a 28ª escolha no draft e teve o retorno de Thompson após grave lesão. Por fim, recriou uma equipe competitiva para voltar às finais contra o Boston Celtics e adicionou mais um anel em sua dinastia nesses quase dez anos.

 

Foto destaque: Divulgação/Harry How/Getty Images

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