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Redzone: a troca de Jimmy Garoppolo por todos os ângulos

Jimmy Garoppolo, quarterback do New England Patriots

(Crédito: Instagram/reprodução)

Uma das coisas que mais gosto de fazer na vida é saber que uma troca aconteceu e ir buscar opiniões alheias. Se tem gente que odeia a seção de comentários, eu a amo profundamente, com todos seus problemas, preconceitos, trocadilhos, piadas ruins e até opiniões muito razoáveis e bem pensadas.

Então, lá fui eu depois que soube neste lindo e belo site que Jimmy Garoppolo foi para o San Francisco 49ers.

Por causa dessa andada pelo quarteirão que dei, vou tentar resumir o que vi analisando por todos os ângulos. Estou usando essa expressão de propósito para você pensar no narrador do SporTV e seu bordão cafona.

O principal que quero dizer: se você que acha que o New England Patriots entregou Jimmy Garoppolo barato está errado. Ok, vou ser mais simpático porque ainda quero sua presença e companhia: você está errado.

A troca de Jimmy Garoppolo: o ângulo do San Francisco 49ers

Fazer uma reconstrução na NFL não é a mesma coisa que fazer uma reconstrução na NBA por um simples fator: ela nunca será completa se você não trouxer um quarterback de nível. Daqueles que é para apresentar para mãe e pai. Isso não acontece no basquete: times ganham com armadores mais ou menos, alas que não acertam bolas de três ou pivôs que são um poste (olá, Zaza Pachulia). Na NFL, você só ganha o Super Bowl se seu quarterback for muito bom, estiver iluminado (Joe Flacco) ou então assustar as defesas mesmo não jogando mais muita coisa (Manning no Super Bowl 50).

Por isso que os Browns, mesmo somando escolhas no Draft e bons talentos em algumas posições, tem uma reconstrução que está sob alvo de críticas agora. E, além disso, futebol americano é um esporte complexo, que exige grande química e entendimento entre todas as partes envolvidas. Por isso, os Niners fizeram bem em trazer o suposto “quarterback” do futuro logo no primeiro ano de sua reconstrução. Desconsidero o ano com Jim Tomsula e Chip Kelly.

Muito bem, dito tudo isso, afirmo o seguinte:

– Os 49ers não estão muito empolgados com Lamar Jackson de Louisville, Josh Rosen de UCLA ou Sam Darnold de USC, que também não deve entrar no Draft de 2018. Se estivessem, era só ter mais 7 ou oito derrotas nesta temporada e escolher um deles no Draft, já que o time terá uma escolha alta.

– Há meses ouvimos como a ligação entre Kyle Shanahan desde que ele estava em Washington e Kirk Cousins era mais do que paterna. Cousins ficará livre nesta offseason e os Redskins só colocam uma franchise tag nele se forem loucos, já que seu salário vai passar dos US$ 30 milhões. Os Niners, pelo visto, não querem correr o risco de brigar por Cousins na offseason, já que além de Washington, New York Jets, Jacksonville Jaguars, Arizona Cardinals (provavelmente), Denver Broncos (possivelmente) e Cleveland Browns (sempre) precisam de um QB.

– E o principal: Shanahan e John Lynch devem ter adorado cada um dos 63 passes completos que Garoppolo deu como jogador na NFL.

Com Jimmy G já em seus braços, eles podem pensar no futuro e desenvolver um playbook e um ataque que exponha todas as suas qualidades (boa precisão, rapidez na leitura). É como pensar na sua casa já tendo um terreno em sua posse.

Tudo muito bonito, certo? Sim, certo. Mas calma.

A troca de Jimmy Garoppolo: o ângulo do New England Patriots

Aaron Rodgers ficou três anos no banco de Brett Favre. Steve Young ficou quatro olhando Joe Montana jogar, mas teve “sorte” que Montana teve algumas lesões que permitiram ele atuar mais que Rodgers e Garoppolo. Ou seja, o reserva de Tom Brady, que estava em seu quarto ano absorvendo o máximo possível de um Hall da Fama, já estava no limite do tempo.

O problema: o contrato de calouro, a benção que muitos times exploram sem dó, estava acabando. E assim seu salário teria que pular exponencialmente. E pagar bem um jogador que está no banco do melhor de todos os tempos (ou segundo, terceiro, enfim, não seja chato) não faz sentido. Assim como não faz sentido para Garoppolo assinar um contrato para ser reserva sendo que poderia ser titular em vários times da liga. Tom Brady tem 40 anos, é verdade, mas ele não dá sinais de querer parar e seu jogo continua muito, muito acima da média.

Ou seja, o prudente a se fazer sempre foi trocar Garoppolo, por isso tantos rumores surgiram desde a metade da temporada passada. O estranho foi ter demorado tanto.

Uma razão para isso:

– Tudo que falei acima sobre a longevidade de Tom Brady, a qualidade de Jimmy Garoppolo e seu contrato acabando não são informações exclusivas minhas. Todos os times sabem disso. E, por isso, como em qualquer negociação, chegam com “vantagem”, ou poder, na hora de sentar na mesa. O preço só estava caindo a medida que o fim do contrato estava chegando. Chegou uma hora que o martelo teve que ser batido.

A troca de Jimmy Garoppolo: o ângulo de… Jimmy Garoppolo

Ele vai morar no centro tecnológico do mundo, será ainda mais rico em alguns meses com seu novo contrato e terá um treinador que é uma das melhores mentes ofensivas da liga. E melhor que tudo isso: ele não vai morar em Cleveland, passar frio nove meses no ano, jogar em uma franquia que é uma piada e para um treinador que deve ser demitido.

Além de tudo, o bicho é bonito. Vai se f%$#%.

Dito tudo isso, vamos para a polêmica

O New England Patriots se deu melhor do que poderia. Essa escolha de segunda rodada vai ser colada na primeira rodada, já que os Niners devem estar entre os três piores times da NFL em 2017. E o San Francisco 49ers corre um risco enorme. Das muitas opiniões que li, a maioria dizia que os Pats aceitaram pouco pelo seu quarterback reserva. Mas veja bem: as escolhas no Draft valem ouro porque os contratos de calouros tem preço fixo e esse preço é muito baixo. Para abrir mão de uma escolha de primeira rodada, você precisa ter certeza do que está recebendo ou ser burro como o Indianapolis Colts com Trent Richardson.

Garoppolo está LONGE de ser uma certeza. Ele parece ser muito bom, é verdade. Mas nos dois jogos que ele atuou ao abrir a temporada passada para os Patriots com Tom Brady suspenso, ele se beneficiou da genialidade de Josh McDaniels e Bill Belichick, que basicamente falaram assim para ele “pega Brandon Williams dos Cardinals e Jelani Jenkins dos Dolphins e faz bullying com eles.”

Ele não vai ter as armas para fazer bullying nos Niners como tinha nos Patriots. E ser um quarterback titular na NFL depois de ser reserva e entrar de vez em quando é algo brutal. Você tem dúvidas? Pegue seu telefone, faça uma ligação para Denver e pergunte para Brock Osweiler. Os Texans não fizeram um contrato de quatro anos e US$ 72 milhões com Osweiler porque são completamente tapados. Eles fizeram isso porque são um pouco tapados mas viram Osweiler jogar bem ao substituir (e colocar no banco, não nos esqueçamos) Peyton Manning.

Calma aí, vou voltar para o ângulo de Jimmy Garoppolo

Você leu acima o que falei sobre poder e vantagem ao sentar na mesa de negociações e como escolhas no Draft valem ouro, certo?

Imagina Jimmy Garoppolo chegando para negociar seu novo contrato com o San Francisco 49ers. John Lynch, manda-chuva dos Niners, diz:

“Não sei não, Jimmy. Acho que você não vai encontrar algo muito melhor em outro lugar.”

A resposta de Jimmy Garoppolo é muito simples:

“Vocês abriram mão de uma escolha ótima no Draft para me trazer no meio de uma temporada que vocês estavam 0-8 sabendo que meu contrato acabava em quatro meses. Se eu sair agora, vocês perderam uma escolha para me alugar por 8 jogos que não valeram nada”.

Pu%$ mer$%#, deve ser bom demais ser Jimmy Garoppolo agora.

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