NFL

Washington Redskins deve mudar seu nome: o que pensar sobre isso?

A história da mudança do nome do Washington Redskins não é algo novo. Desde que começamos o Quinto Quarto, já escrevemos um monte de notas sobre pessoas fazendo campanhas, idas e vindas nos tribunais – a franquia chegou a perder a marca -, pesquisas e até jornalistas que se recusaram a falar o nome. Em 2013, Bob Costas, um dos grandes nomes do jornalismo esportivo americano, disse em cadeia nacional no intervalo de um Sunday Night Football que o nome era um insulto e que não falaria mais ele.

Nesta sexta (3), o time lançou um comunicado sobre estar promovendo discussões internas para realizar a mudança. Claro que a franquia vai falar que é pelo momento de protestos e discussões que estão sendo geradas, mas pode ter certeza que há pressão financeira para isso.

Como tudo nesta vida atual desgracenta que vivemos, o assunto foi politizado. Eu entendo o argumento “tudo que você faz nesta vida é um ato político”, mas ao mesmo tempo entendo que toda discussão quando levada para o campo político se dilui e interesses se formam. Parece que, se você falar que o nome Redskins não é nada demais, você tem uma cueca com a cara de Donald Trump, uma bandeira com o rosto de Bolsonaro no quarto e mata crianças pobres na rua. Ao mesmo tempo, parece que se você acha que Washington Redskins é de mau gosto você sonha com a Hillary, quer a Dilma de volta na presidência e chora quando lembra o discurso de Fidel Castro na ONU.

Gostaria que toda discussão partisse de argumentos e pontos em comum, sem que comece uma rotulação infinita que visa deixar o outro lado humilhado e desacreditado. A “desumanização” do outro é o ponto inicial da tirania e do fascismo. Aqui no Brasil, já começamos esse processo há muito tempo. Infelizmente bem antes de 2018.

Voltando ao assunto do texto, você pode acreditar que mudar o nome Washington Redskins é um ato da turma do politicamente correto, que pouco se importa com o time, a tradição ou até a pesquisa bastante usada que 90% de nativos americanos não ficam ofendidos com o nome. Acredito até que, se fizermos uma pesquisa no Quinto Quarto perguntando o que você acha do assunto, a maioria vai se opôr à troca.

Mas também é totalmente justo perguntar: qual é o sentido de manter o nome?

O termo redskin é visto com conotação negativa. Ele não significa apenas “pele vermelha”, tendo um significado histórico pesado para um povo que foi completamente dizimado em sua própria terra.

Eu chegar aqui e falar que “não é nada demais” não tem muito peso, para não dizer que não tem peso algum. E a questão dos nativos americanos é bem próxima dos nossos nativos também. O mesmo aconteceu aqui no Brasil. É a mesma dor e o mesmo passado com o qual não lidamos bem na época e chega uma hora que ele precisa ser entendido.

Portanto, qual é o ponto de manter o nome de uma equipe de futebol americano que causa ofensa a pelo menos 10% de membros de uma pesquisa? Que gera desconforto em jornalistas e muitas outras pessoas e campanhas de organizações envolvidas com as comunidades?

Importa se a campanha “mudem o nome” tem a maioria da população do lado? Sim, mas não pode ser o único fator. Porque hoje pode ser 10%, daqui a 15 anos pode ser 80%. Coisas que eram normais até pouco tempo hoje não são. Isso é algo tremendamente natural em tudo na vida.

Não é por mais ou menos gente concordar que o termo deixa de ser mais ou menos doloroso para alguns. Não é uma questão de democracia e vontade da maioria, mas de respeito.

Eu já sei perfeitamente o que quem defende a manutenção do nome está pensando agora: “isso não para em Redskin”. E aqui é interessante estabelecer algo que poderia causar meu cancelamento se alguém se importasse comigo. Não vamos fingir que quem está defendendo essa mudança e os direitos de minorias tem sempre as melhores intenções e é um anjo na terra.

Há muitos que não visam a educação do outro, a melhora da sociedade e o convívio em paz entre todos. Há quem humilha, destrói, persegue e não se preocupa em entender, ensinar e até em coisas básicas de um estado democrático de direito. Não é porque a causa é nobre que se pode destruir seres humanos e reputações nas redes sociais e depois, quando for provado que não era bem assim, sair de fininho e passar para a próxima causa e destruição.

Por isso, digo novamente: é importante que toda discussão seja mantida com respeito, até o ponto máximo possível, tentando ao máximo entender a razão pela qual uma pessoa pode estar falando algo que eu discordo veementemente. Até, obviamente, um limite: racismo, homofobia, intolerância religiosa e preconceito social precisam ser combatidos. A melhor forma para isso sempre será a educação. Afinal todos têm MUITO a aprender antes de termos uma sociedade minimamente decente, algo que parece estar longe de acontecer hoje.

Portanto, para responder a pergunta sobre qual é o ponto, o sentido de manter o nome, só consigo enxergar orgulho, um “eu não vou ceder a essas pessoas”.

Só que se não acontecer agora, essa mudança continuará sendo um assunto até acontecer. E no final você começa a esquecer o Washington Redskins como o time de Doug Williams, primeiro quarterback negro a vencer o Super Bowl, e passa a só lembrar do time como “aquele com nome que algumas pessoas nem gostam de falar”.

Comments
To Top