NFL

Travis Kelce acerta extensão com os Chiefs; não existe teto salarial em Kansas City?

Travis Kelce, tight end do Kansas City Chiefs

Vamos fazer um texto no formato perguntas e respostas.

A NFL tem um teto salarial para todos os times né? Eles só podem pagar um tanto para todos os seus jogadores, certo?

Sim.

O Kansas City Chiefs não é uma exceção, correto? Ser campeão ou ter a torcida mais barulhenta não faz diferença. 

Positivo.

Os Chiefs tinham US$ 166 milhões na folha salarial em 2019, ano da conquista do Super Bowl. Para 2020, o time entrou com US$ 177 (você não leu errado) em espaço na folha salarial. Como o time não para de gastar e mesmo assim está dentro da regra?

Explicar os contratos da NFL e como funciona o teto salarial da NFL é como tentar entender o Congresso Nacional e seu funcionamento. Para cada regra há cinco exceções, para cada comportamento bizarro há sempre uma explicação e tudo que é falado ali pode ser renegociado depois.

Os Chiefs assinaram três enormes contratos nesta offseason. Patrick Mahomes, Chris Jones e, agora, Travis Kelce. Mas tem como semi-explicar tudo isso: o contrato de Jones paga mais nos últimos anos e menos nos primeiros dois. Além disso, para 2021, vários jogadores sairão da folha de pagamentos, um deles sendo Sammy Watkins, que é caro. Dá também para cortar jogadores veteranos como Eric Fisher e reestruturar o contrato de outras estrelas, como Tyreek Hill. Tudo isso está bem discriminado neste artigo da Sports Illustrated.

Nesse contexto, surge o contrato de Kelce que explicarei mais abaixo.

Quer dizer que o ano de 2021 será o das decisões difíceis em Kansas City?

Correto.

Vale a pena pagar tudo isso para Travis Kelce?

Uma das razões para o ataque do Kansas City Chiefs ser o que é sem dúvidas é o camisa 87. Se Tony Gonzalez começou a revolução dos tight ends e Rob Gronkowski pode ter sido o auge da posição, Kelce e o agora também riquíssimo George Kittle são a continuação. O jogador dos Chiefs é o quinto em recepções e em jardas recebidas independente da posição. Isso é algo até humilhante para os wide receivers.

O atleta ainda tinha dois anos do contrato antigo, portanto sua extensão de quatro anos leva ele até 2026. Com US$ 14,25 milhões por ano em média, ele não terá um salário maior que Kittle. E seu cap hit em 2020 e 2021 é “baixo”. Tá ai explicada a engenharia financeira.

Ao mesmo tempo que o contrato é ótimo e bem pensado, o jogador já tem 30 anos, a posição é ingrata e exige fisicamente. A primeira das seis aposentadorias de Rob Gronkowski foi aos 30 anos. Nos últimos anos vimos como pagar toda a galera por bom resultados em campo gerou resultados mais ou menos após as assinaturas e cortes no futuro. O Los Angeles Rams é o caso mais marcante.

Legal, estamos falando disso, mas tem o COVID-19 lá fora. Isso não importa?

Claro que importa e pode fazer 2021 ser ainda mais difícil para os Chiefs. A queda na receita é uma realidade e ela pode ser ainda pior se a temporada tiver percalços. Por enquanto teremos uma temporada “normal”, só sem torcida. Difícil imaginar que isso corra tranquilo com tanta gente em cada elenco e sem ser em uma bolha como a NBA. Cada impacto nos cofres de um jogo adiado ou até uma parada na temporada será sentida em um teto salarial mais restritivo para o próximo ano.

Esse corte no cap pode fazer o ano de 2021 ser ainda mais de tesouradas do GM Brett Veach. Aqui está a folha para o próximo ano dos Chiefs, que chega a 200 milhões.

Você está dizendo então que não tinha que ter assinado?

Por isso que a NFL e a NBA são maravilhosas. Com o teto salarial, os melhores times precisam tomar decisões difíceis e não podem sair renovando com seus campeões como bem desejarem. Assim as forças sempre se equilibram.

Os Chiefs tinham que pagar Mahomes e Kelce. Assim como os Eagles pagaram seus melhores jogadores. Até o caso dos Rams é algo justificável, por mais que os joelhos de Todd Gurley já indicassem problemas.

Só que com toda essa turma assinada, começa o desafio: ganhar uma vez muitos times fazem. Ser competitivo por anos e anos e anos é um a cada década. A janela na NFL e na NBA é de cinco anos: você faz uma série de Drafts ótimos, tem um QB competente e um monte de gente com contrato de calouro. Aos poucos você vai pagando suas estrelas e tenta vencer rapidamente. A janela se fechará quando você tem estrelas muito caras e nada de classe média, já que o complemento do elenco será feito com jogadores baratos.

Até o New England Patriots que tinha o cheat Tom Brady, um Hall of Famer que aceitava receber muito menos, já não tem mais essa bênção. Cam Newton é uma incógnita e se ele for muito, muito bem, ano que vem exigirá um belo aumento. Bill Belichick não terá medo em tomar uma decisão difícil.

Brett Veach terá que tomar várias já no ano que vem. Por enquanto está a farra do boi. Isso não irá durar.

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