NFL

Ron Rivera e uma decisão acertada do Washington Redskins

Ron Rivera, técnico do Carolina Panthers

O Washington Redskins está de técnico novo. O time chegou a um aperto de mãos com Ron Rivera e ele será o novo head coach da franquia da capital dos Estados Unidos.

Segundo os jornalistas Ian Rapoport e Michael Silver, dois monstros da ‘NFL Network’, o contrato é de cinco anos de duração. E esse acordo longo é importante para que, ao menos na teoria, o treinador tenha tempo de implementar um trabalho interessante em Washington D.C.

No começo de dezembro, logo depois da demissão de Rivera pelo Carolina Panthers, eu mesmo escrevi um texto no qual selecionei quatro times que eu gostaria de vê-lo treinar. E o primeiro deles era o Washington Redskins.

Pronto, você já pode começar a me chamar de Brunostradamus (brincadeirinha).

Rivera teve um término melancólico de sua passagem de oito temporadas e meia pelos Panthers, depois de um ano de 2019 bem ruim para a franquia da Carolina do Norte. O desligamento do head coach mais vitorioso da história dos Panthers foi o resultado de um ano marcado por mais uma lesão do quarterback Cam Newton, Kyle Allen assumindo como QB titular e, após um começo promissor, uma queda brutal de desempenho do jovem signal caller e do time de maneira geral.

A temporada terminou com 5-11 para os Panthers, com Rivera deixando a organização quando ainda estava 5-7, e Rivera prometeu que voltaria a treinar na NFL. Não demorou nada, já que ele era um dos mais cobiçados do mercado.

E os Redskins tomaram uma decisão absolutamente acertada de sequer deixá-lo ser entrevistado por outras equipes. Rivera é um dos melhores head coaches da National Football League na última década e Dan Snyder sabe disso. O dono do Washington Redskins pode ser muito controverso, mas não é bobo.

Depois da saída de Bruce Allen do cargo de presidente/general manager dos Redskins, após 10 temporadas, ficou claro que a organização pretendia fazer uma mudança extremamente profunda em suas operações. E, assim, talvez Rivera possa ter um comando da montagem do elenco em Landover que ele nunca teve em seu trabalho na Carolina do Norte.

A saída de Rivera foi lamentada por muitos jogadores dos Panthers, mais notavelmente pelo tight end (e líder do time) Greg Olsen. E será certamente celebrada por muitos jogadores de Washington.

Antes mesmo da contratação oficial, o cornerback Josh Norman, que jogou com Rivera nos Panthers, disse que a chegada do head coach mudaria a cultura organizacional dos Redskins “da água para o vinho”, segundo a ‘ESPN’. Avaliação parecida fez o defensive tackle Gerald McCoy, dos Panthers, que passou menos de uma temporada trabalhando com Rivera em Carolina, mas mandou um recado poderoso para os jogadores dos Redskins: “a melhor coisa nas carreiras deles está prestes a acontecer”, segundo o ‘The Athletic’.

Não é preciso dizer muito mais sobre a ética de trabalho e respeito que Rivera tem entre os jogadores, fator não só importante, mas essencial, em um vestiário tão cheio de atletas de alto nível.

Além disso, e talvez mais importante ainda, Rivera sabe como trabalhar com jovens talentos. E isso será fundamental para estabelecer uma cultura vencedora novamente em uma franquia que só tem duas aparições nos playoffs nos últimos 12 anos.

Nos Panthers, Rivera lapidou Newton desde sua primeira temporada, em 2011, e transformou o QB em um MVP da NFL em 2015, em um dos maiores quarterbacks móveis da NFL e fez o time chegar ao Super Bowl 50.

Nos Redskins, ele terá um jovem QB em Dwayne Haskins. Ainda que ele seja um signal caller mais verde que um Palmeiras x Goiás, Rivera tem muitas ferramentas para trabalhar com um QB com o potencial de Haskins.

Mas não podemos nunca nos esquecer que Rivera é um treinador com mentalidade defensiva. E isso será ainda mais importante para uma equipe que teve a sexta pior defesa da NFL em jardas cedidas em 2019, com média de 381,5 por partida, e que também foi a sexta pior em pontos na liga, sofrendo 27,2 por jogo.

Um cara com a capacidade de Rivera, que terá ainda nomes defensivos interessantes com os cornerbacks Fabian Moreau e Quinton Dunbar, e um front seven com atletas como Matt Ioannidis, Ryan Kerrigan, Jonathan Allen e Montez Sweat, pode ter muito sucesso.

Há ainda a segunda escolha geral do draft de 2020 para comemorar, com ela possivelmente sendo utilizada para trazer um grande talento defensivo como o defensive end Chase Young, de Ohio State. Ou seja, há muito a celebrar.

O ano de 2020 vai começar com muita esperança para o torcedor dos Redskins.

Landover acaba de se tornar Landovera. Tudo bem se o trocadilho não foi dos melhores…

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