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Raio-X de Jimmy Garoppolo: bom soldado, agora ele precisa provar que pode brilhar

Jimmy Garoppolo, quarterback do San Francisco 49ers

A carreira de Jimmy Garoppolo não é muito convencional. Sim, vários QBs históricos pegaram banco de outros QBs históricos antes de provar que tinham seu mérito. Em San Francisco mesmo, Steve Young teve que ver Joe Montana em campo antes de ter sua chance. Mas esse caso, assim como o Brett Favre e Aaron Rodgers, foram de sucessões dentro da franquia.

Garoppolo teve que sair do lugar onde foi draftado e conquistou dois Super Bowls no banco para se destacar, chegando em uma equipe que estava 1-10. Ele venceu seus cinco jogos como titular para encerrar a temporada, conseguiu um contratinho de US$ 137,5 milhões e estourou o joelho no começo da temporada seguinte.

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A expectativa para esta temporada era finalmente de melhora e estabilidade depois de uma reconstrução complicada e cuidadosa com Kyle Shanahan e John Lynch. Como estamos falando de um time que está no Super Bowl LIV, pode-se dizer que deu tudo certo. Inclusive com Garoppolo.

Os números são ótimos: quase 70% de passes completos (69,1%), encostado em 4 mil jardas (3.978) e 27 passes para TD, conseguindo 13 vitórias na temporada regular..

Mas também denunciam algo: 13 interceptações e 10 fumbles são números preocupantes. Jimmy G gosta de entregar a bola, não há como negar isso. E talvez esse medo no fundo do cérebro avantajado de Kyle Shanahan causou o que vimos nos dois jogos anteriores.

O que Ryan Tannehill estava fazendo no começo dos playoffs, Garoppolo está fazendo no fim. Ele teve 131 jardas contra os Vikings e passou a bola míseras oito vezes contra os Packers, acertando seis para 77 jardas.

Claro que isso não pode ser analisado por si só, faz parte de um contexto: o jogo corrido entrou maravilhosamente bem nas duas partidas, com Raheem Mostert tendo uma partida história na final da NFC. Méritos também para a linha ofensiva e o sexto e sétimo integrantes dela, George Kittle e Kyle Juszczyk.

E ele foi um bom soldado: não houve um mínimo pio de insatisfação e reclamação sobre a constante escolha pelo jogo terrestre.

Ele sabe fazer mais, só é arriscado

Jimmy Garoppolo teve vários jogos bastante impressionantes nesta temporada. O caso mais saliente nós já falamos, a vitória no Superdome contra os Saints onde ele encarou Drew Brees de frente, converteu uma quarta para 2 com Kittle e venceu o jogo.

Sua partida contra os Cardinals em Arizona – 28 de 37, 317 jardas e 4 TDs – e contra Green Bay na temporada regular – 14 de 20, 253 jardas e 2 TDs – também são destacáveis.

Mas é claro que um jogador que teve 23 turnovers na temporada regular causa dúvidas. E com uma arma tão boa podendo ser usada e que não traz tanto risco, é difícil questionar Shanahan nesse sentido. Ainda mais porque os Niners não são unidimensionais, algo que os Titans, por exemplo, eram um pouco.

Primeiro: Shanahan é um mestre do playcalling ofensivo. Pode notar que ele tem um roteiro que é sacana com defesas rivais. Ele tem armas para agredir os rivais de várias formas: corridas para a lateral e Deebo Samuel no backfield esticam a defesa. Kittle é uma ameaça constante em todo tipo de rota. Kyle Juszczyk é uma chave-mestra tanto para apoiar o jogo corrido como “deslizar” em um play action e receber a bola sem marcação.

Se o time tivesse um wide receiver de elite, ai seria até sacanagem. Mas, enfim, o time pode fazer tudo isso e deixar a defesa preocupada a todo instante e simplesmente correr com a bola pelo meio com Mostert ou Matt Breida.

Então dito tudo isso, é claro que se o jogo corrido entrou e a defesa está cansada e pensando em mil alternativas, Garoppolo vai ser deixado de lado.

Jimmy Garoppolo ainda tem a confiança

Tudo bem que o troféu de MVP de Super Bowl quase sempre vai para o QB, por isso Garoppolo estar em segundo, atrás de Patrick Mahomes, não é algo revolucionário e super-significativo. Mas Kittle, Samuel, Mostert ou até Bosa poderiam estar mais próximos em odds, o que não acontece.

O camisa 10 não está entre os cinco melhores de sua posição, mas pode assumir o protagonismo desta partida e ser uma ameaça. E como pode se esperar tudo de Shanahan, não fique surpreso se ele colocar a bola nas mãos de seu QB para ele decidir, depois de semanas voando sem ser notado.

Veremos se Jimmy Garoppolo tem o necessário para brilhar no maior palco possível do esporte. Nick Foles, por exemplo, também era o segundo na lista de favoritos para o MVP do Super Bowl, mas pagava um pouco a mais. Ele tem a confiança do seu elenco e dos apostadores.

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