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Pesquisa: 9 entre 10 nativos americanos não se incomodam com nome Redskins

(Crédito: Instagram/reprodução)

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Uma nova pesquisa conduzida pelo jornal ‘Washington Post’ e publicada nesta quinta-feira (19) indica que 90% dos nativos americanos não se sentem ofendidos com o nome Washington Redskins e que a maciça maioria crê que a questão não é importante.

O jornal fez a pesquisa com 504 pessoas de várias partes dos Estados Unidos que se identificaram essencialmente como nativos americanos, incluindo alguns que vivem em reservas indígenas e aqueles que não fazem parte de uma tribo.

Os resultados da pesquisa do ‘Washington Post’ vão ao encontro de um outro levantamento de 2004, feito pelo ‘Annenberg Public Policy Center’, que concluiu que 78% das pessoas classificou o nome ‘Redskins’ como algo “não tão” ou “nada” importante.

Mais especificamente, a pesquisa do ‘Post’ mostrou que 8 de 10 nativos americanos responderam que não se sentiriam ofendidos se um não-nativo os chamassem pelo nome ‘Redskin’. E também frisa que apenas 1 entre 10 nativos americanos dizem que consideram esse problema “muito importante”.

Dan Snyder, proprietário do Washington Redskins, se mostrou satisfeito com o resultado da mais recente pesquisa, o que é absolutamente nada surpreendente.

“O time Washington Redskins, nossos torcedores e a comunidade sempre acreditaram que nosso nome representa honra, respeito e orgulho. A pesquisa de hoje do Washington Post mostra que os Nativos Americanos concordam com isso. Estamos gratos por este apoio maciço da comunidade de Nativos Americanos e o time vai orgulhosamente carregar o nome Redskins”, afirmou Snyder, em nota oficial.

Dan Snyder mantém há tempos sua postura de que nunca vai mudar o nome do time e Bruce Allen, presidente da franquia, já disse no ano passado que a equipe de Washington não mudaria de nome mesmo se isso fosse ajudar eles a conseguirem um novo estádio no distrito de Columbia. Os Redskins estão em busca de um local para um novo estádio, ainda que a concessão da atual casa só expire em 2027.

Mas os resultados da pesquisa do ‘Washington Post’ não contam com apoio de todas. Suzan Harjo, principal membro da parte queixosa que questiona as proteções da marca registrada do time, afirmou que o levantamento foi uma forma inválida de coletas as opiniões dos representantes das comunidades indígenas.

“Eu não aceito autoidentificação. Pessoas dizem que elas são nativas e elas não são nativas, por várias razões. Aquelas de nós que são líderes na comunidade indígena… sabem quem estamos representando. Nós também sabemos se estamos representando uma opinião minoritária. E este não é o caso aqui. A nossa experiência é completamente diferente da pesquisa da Annenberg e dessa (do Post). Eu simplesmente rejeito a coisa toda”, falou Harjo, ao ‘Washington Post’.

Na matéria do Washington Post também foram incluídos depoimentos de 12 nativos americanos. Desse grupo, dois se posicionaram de forma firme contra o nome da franquia, entre eles Clark Lee Walker, um Comanche de Austin, Texas.

“É antiquado, tanto quanto é ofensivo”, falou Lee Walker.

Já a maioria concordou com Rusty Whitworth, um Confederado Salish e Kootenai que vive na Reserva Indígena Flathead, em Montana.

“Ah, diabo, apenas os deixe mantê-lo (nome). Ele não está machucando ninguém”, declarou Whitworth.

O movimento Change The Mascot (“mudem a mascote”, em tradução literal) reiterou sua posição mesmo após a pesquisa do ‘Washington Post’.

“Os resultados desta pesquisa confirmam uma realidade que é encorajadora, mas não surpreende: os Nativos Americanos são resistentes e não permitiram que a depreciação de décadas por parte da NFL conosco definisse a nossa própria imagem. Entretanto, essa resiliência que traz orgulho não dá à NFL uma licença para continuar a comercializar, promover e lucrar com uma calúnia racial definida pelo dicionário, aquela que diz para as pessoas fora da nossa comunidade nos verem como mascotes”, falou Jackie Pata, diretor-executivo do Congresso Nacional de Índios Americanos e Ray Halbritter, representante da Nação Oneida, em comunicado.

Em 2014, uma pesquisa da ‘ESPN’ norte-americana mostrou que a população em geral acha a questão do nome ‘Redskins’ mais importante do que os próprios nativos americanos. No levantamento realizado há dois anos, 23% das pessoas se disseram a favor da mudança de nome da franquia. Já em 2013, uma outra pesquisa do ‘Washington Post’ mostrou que 28% dos residentes de Washington D.C. queriam a mudança do nome do time.

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