NFL

Na busca por um recomeço, Matthew Stafford é cobiçado e deixa a NFL doidinha

Matthew Stafford

A NFL é a liga dos quarterbacks. São os jogadores mais valiosos, os que causam mais impacto e os que mais chamam a atenção. Bastou sair a notícia que Matthew Stafford, escolha número do Draft de 2009, pediu para ser trocado pelos Lions que o ‘planeta enefel’ virou de cabeça para baixo. Uma verdadeira loucura. As especulações são tantas que só temos uma certeza. Nos Lions ele não fica.

Imediatamente criaram-se algumas narrativas. Primeira, quais times poderiam trocar para ter o veterano. Segunda, os Lions acabam com carreiras promissoras. Terceira, não consigo ganhar aqui, então me tirem daqui o quanto antes.

Mas antes de analisar cada uma dessas narrativas, é preciso falar sobre a carreira de Matthew Stafford. Será que ele é tudo isso mesmo ou a franquia de Michigan é tão sofrível que ele desponta?

QBzão

Primeiro que Matthew Stafford não é mais um jovem promissor ou algo parecido. Já são 12 anos de Lions. Por outro lado, com 32 anos e várias lesões, o QB ainda tem condições de liderar uma equipe. Os exemplos são vários, como Tom Brady, Drew Brees e o recém-aposentado Philip Rivers. É possível ser um quarterback ativo mesmo após os 30 anos. E ele nunca foi dos mais móveis em campo e seu braço continua forte, é o que basta.

Mesmo cambaleando, ele conseguiu 4,084 jardas aéreas, 26 TDs e 10 INTs em 16 jogos na temporada 2020. Sim, ele jogou todas as partidas da temporada pelos Lions, algumas por puro capricho, já que não tinha condições, mas ele mandava e desmandava na equipe dos Lions.

Pois bem, ele ainda reúne condições e provou que consegue ser consistente mesmo após quase quatro técnicos diferentes em 12 anos, bem como quatro coordenadores ofensivos. Sua proporção entre touchdowns e interceptações não é das melhores, quase uma INT para cada dois TDs. Sua média na carreira de passes completados é de 62,6%.

Só que é preciso ressaltar que estamos falando de um QB que jogou pelos Lions. Matthew Sttaford foi constantemente sackado e isso tem uma influência enorme sobre seus números. É pressão atrás de pressão e pouquíssima proteção da linha ofensiva.

Mas o que faz o nome de um QB na NFL são vitórias marcantes. Essa qualidade, esse faro, Matthew Stafford tem. São 38 vitórias com o último drive, aquele para fechar a partida com chave de ouro e que mostra quão confiável ele é.

Enfim, é um tremendo quarterback que está buscando novos ares e que, não à toa, está deixando muita gente maluca com a oportunidade de contar com seus serviços. Visto que alguns repórteres que cobrem a NFL de pertinho já soltaram informações que alguns times entraram em contato com os Lions atrás do QB.

Matthew Stafford

Matthew Stafford (Reprodução/Twitter)

Todos querem, nem todos podem ter Matthew Stafford

Na hora de assinar o contrato e garantir aquela grana, ninguém pensa muito nas desvantagens. Mas Stafford assinou com os Lions e ainda tem mais dois anos de contrato que valem $ 43M, somando os bônus. Contando que o teto salarial vai ser reduzido para 2021, é um contrato alto e que nem todos os times podem pegar. Há possibilidade de reestruturar e buscar um acordo mais palpável.

Só que alguns times (WFT, Colts, 49ers, Rams, Panthers e Bears) estariam dispostos a fazer essa loucura gostosa que é pegar um QB com esse calibre. E aí vem a grande questão: quanto vale Stafford em termos de escolhas no Draft, mais jogadores, mais dinheiro?

É preciso usar alguma base de comparação. Em 2011, Carson Palmer, então com 32 anos e quase nas últimas, foi trocado por uma escolha de primeira e uma de segunda rodada. Sam Bradford, aos 29 anos e judiado demais, em 2016, foi trocado por uma escolha de primeira e uma de quarta rodada. Alex Smith, com 32 anos e bem consistente, saiu por apenas uma escolha de terceira rodada e mais um jogador. Matthew Stafford vale mais do que esses três.

O WFT aparece como um grande destino. Isso porque o time tem o veterano Alex Smith como QB, além de Taylor Heinicke e Kyle Allen que serão free agents. Nada muito confiável. Fora que o time tem oito escolhas no próximo Draft, sendo a mais alta a de número 19. Fora que o GM do WFT é Martin Mayhew, o homem que draftou Stafford em Detroit. Sem falar que o time foi aos playoffs da ultima temporada.

Com a aposentadoria de Philip Rivers, os Colts estão com a vaga de QB prontinha para Stafford. O time tem espaço no teto salarial e escolhas no draft para negociar. É um time que parece ter muito futuro e perfeito para só se trocar o quarterback. Mas os Colts precisam decidir se vão segurar T.Y. Hilton.

Os 49ers não parecem nada animados com Jimmy Garoppolo. E mesmo assolado por várias lesões, a equipe fez uma temporada decente. É uma equipe acertadinha e que pode se dar ao luxo de ceder até duas escolhas de primeira rodada. Inclusive, Garoppolo pode ser incluído na troca.

Os Broncos e os Bears possuem QBs que nada empolgam. O novato Drew Lock ainda está muito cru e o time de Denver poderia tentar algo com Stafford. Mitchell Trubisky não é o cara que irá levar os Bears ao topo da NFC. A equipe dos Bears tem muitas escolhas no Draft de 2021 e pode usá-las para conseguir um QB melhor.

Os Panthers também estão atrás de um quarterback que dê um novo horizonte ao time. Teddy Bridgewater tem um contrato pesado ($ 23M) e não anima muito. Patriots e Rams também podem ir nessa loucura gostosa que será a corrida por Matthew Stafford. O time de Bill Belichick já sabe que Cam Newton não é a solução e Matt Patricia, que está de volta, pode sinalizar algo sobre Stafford. Já os Rams podem, por que não, incluir Jared Goff no negócio.

E ainda temos que adicionar o fator Deshaun Watson a tudo isso. O QB dos Texans também pediu para ser trocado e deixou tudo ainda mais embaralhado.

Ah, vai que Drew Brees se aposente mesmo. Serão tantas emoções nesta offseason.

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Cemitério

Um time que não é campeão desde 1957, que não vence a divisão desde 1993, não tem como ser uma equipe que faça bom proveito de suas principais peças. Nos últimos 30 anos, três jogadores, um deles já no Hall da Fama, outro bem perto, e um com grandes chances, tiveram suas carreiras ‘desperdiçadas’ nos Lions.

Pior que isso, os Lions acabaram por forçar a aposentadoria de suas estrelas, tamanha a decepção que foram submetidos. Obviamente que os casos são de Barry Sanders e Calvin Johnson. É por causa deles que Stafford também está pulando fora.

O Hall da Fama Barry Sanders jogou pelos Lions de 1989 a 1998, foi aos playoffs cinco vezes e ganhou um único jogo. Com 30 anos, apenas 1.500 jardas do recorde de corridas de todos os tempos, Sanders se aposentou.

Perto de entrar para o Hall da Fama, Calvin Johnson, o ‘Megatron’, foi outro talento desperdiçado. Ele estava na equipe que fez 0-16 em 2008. O WR atingiu 10.000 jardas antes 30 anos e isso com algumas equipes bem ruins. Junto com Stafford, Megatron formou uma das parcerias mais explosivas da NFL, mas os dois só jogaram sete temporadas juntos. Com nove temporadas na NFL, Calvin Johnson preferiu a aposentadoria ao invés de seguir nos Lions.

Com esses exemplos, Stafford não quer seguir pelo mesmo caminho.

Matthew Stafford
(Reprodução/Twitter)

Vencer, vencer, vencer…

Na NBA isso já virou rotina. Se um jogador não consegue ser campeão em determinado lugar, ele pede para ser trocado, faz corpo mole e tudo que for preciso para sair. A NFL também está ficando meio assim. É óbvio que todos querem a glória eterna, mas apenas um time é campeão em cada temporada.

Aquela velha glória de ficar anos e anos em uma mesma franquia saiu de moda. Não basta ser um grande jogador se você não for campeão. Uma conquista é como se fosse um carimbo que automaticamente transforma jogadores em lendas.

Mas há uma diferença enorme entre os casos de Stafford e Watson. O QB dos Lions já passou 12 anos em Detroit, teve bons e maus momentos, mas marcou época e quer testar algo diferente, ver como é jogar em outra franquia.

Já Watson ainda está engatinhando na NFL e, com apenas quatro temporadas nas costas e após assinar uma extensão contratual, exige ser trocado para uma equipe que lhe dê condições de ser campeão. Não é bem assim que as coisas funcionam. Mas é o que mais acontecer com uma geração que vem para tudo ou nada, sem saber aproveitar a caminhada.

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