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Exclusivo: Quinto Quarto visita Dolphins e tenta ‘entender’ torcida

O mando de campo do Miami Dolphins é um mistério. A franquia da Flórida tem tudo para ter uma torcida fiel e que apoia o time a todo momento, contudo isso não acontece. Na verdade, muitas vezes o incentivo é pouco e as torcidas rivais chegam a fazer mais barulho.

Aproveitando esse cenário, vou tentar analisar os pontos que deveriam fazer a torcida dos Fins ser diferente das outras e por que muitas vezes esse cenário positivo não é concretizado. Como bônus, falarei no final o que acho do futuro da equipe, me baseando nas duas visitas às instalações do Sun Life Stadium.

Público

Muitos são levados a achar que, como Miami é uma região com muitos latinos, a presença nos estádios de futebol americano poderia ser menor. Isso não se concretiza. Fui ao jogo contra o Indianapolis Colts no fim da temporada de 2015 e existia público de todos os tipos: asiáticos, turistas, latinos, homens, mulheres e crianças.

Além disso, segundo Taylor Forlano, vendedor de ingressos do time de Miami que me tentou vender um tíquete de temporada, a franquia evoluiu nos últimos anos e eles encontraram um novo mercado (NFL ticket exchange), que está ajudando a aumentar a presença do público. Ele também disse que a resposta desse mercado e dos latinos vem sendo muito positiva. Forlano ainda ressaltou que os latinos estão aprendendo as regras e se esforçam para saber mais sobre o jogo.

No jogo contra o time de Indianápolis, o estádio estava cheio – com alguns buracos, para ser honesto – mas não dá para justificar uma falta de apoio com o pouco número de pessoas na partida.

Terra dos aposentados

Um dos fatores que acredito que seja prejudicial é: o sul da Flórida é uma região que recebe muitos aposentados, principalmente pelo clima quente. Com isso, muitos moradores não são nativos de Miami e, por isso, torcem para outra equipe e torcem para o seu time quando eles jogam no Sun Life, o que aumenta a torcida rival.

Por outro lado, as mesmas pessoas que ficam longe do seu time, adotam o carismático Fins como a sua segunda equipe. Na minha opinião, apesar de esse fato gerar público, ele não se transforma em incentivo, já que nunca se torce tanto para um segundo time quanto para sua equipe de coração.

Também é importante notar que geralmente os aposentados não têm filhos pequenos e, por causa disso, fica mais difícil de se criar uma base de fãs jovem e que tenha como principal time os Dolphins.

Saudades do meu time

Como oito dos 16 jogos na temporada são disputados fora de casa e dos outros oito, apenas cinco são contra equipes que não pertencem à sua divisão, às vezes uma cidade fica um longo período sem ver uma equipe. Quando aparece a oportunidade, os fãs, principalmente os que moram em Miami, no caso deste texto, aproveitam a chance.

Um caso claro foi o jogo entre o Miami Dolphins e o New York Giants, válido pela semana 14 da temporada de 2015. Os nova-iorquinos não jogavam em Miami há quase 20 anos e, para melhorar, a partida foi em um horário nobre (Monday Night Football). O resultado casa cheia e muitos fãs dos Giants, já que a franquia tem uma comunidade grande no Sul da Flórida.

Snow Birds

Seguindo a ‘pegada' dos aposentados, um fenômeno no Sul da Flórida são os snow birds, pessoas que basicamente se mudam para uma cidade quente enquanto o inverno toma as cidades do norte dos Estados Unidos e o Canadá.

Como essas pessoas são de outras cidades, o apoio não se converte para o Miami Dolphins e sim para possíveis rivais que vão jogar em Miami Gardens. Bons exemplos são os rivais de divisão New England Patriots e New York Jets, que jogam em locais muito frios.

Preço em conta e “tudo” vendido

Já parou para pensar quanto custa um ingresso da NFL? Bom, o preço varia muito. Contudo no anel superior e no meio de campo o preço estava com uma média de US$ 100,00, um preço de razoável para caro. Porém, quem quer mesmo acompanhar a equipe não precisa pagar tanto assim. No mesmo lugar, o ingresso da temporada custava US$ 400, basicamente você paga uma média de US$ 50 por jogos – cada temporada tem sete ou oito jogos em casa, já que às vezes os times perdem mando de campo para jogar em Londres. Para melhorar a situação, os ingressos podem ser revendidos, e o valor cai.

Passando do preço para o público, um fato que me assustou muito é que, segundo Taylor Forlano, os Fins venderam todos os seus tíquetes de temporada em 2015, algo muito positivo, apesar de esse número não corresponder a todos os lugares do estádio. E, parando para pensar, se a pessoa compra entradas para todos os jogos, ela é fã e deveria torcer.

O time não ajuda

Durante aproximadamente duas horas e meia de jogo, os torcedores tentaram empurrar os golfinhos. Na apresentação e em sacks, apareceu o tradicional grito de “Suuuuuuuh”, se referindo ao defensive tackle Ndamukong Suh.

Em grandes jogadas, principalmente protagonizadas por Jarvis Landry a torcida se levantava e fazia barulho. Até gritava “It’s another Dolphins’ FIRST DOWN” (É outro first down dos Dolphins).

Apesar disso tudo, a equipe que era comandada pelo então técnico interino Dan Campbell se auto sabotava e esfriava a torcida. Após boas jogadas defensivas, faltas bobas ou erros defensivos permitiam o avanço adversário. Em três ou quatro oportunidades na red zone, o time não anotou um touchdown sequer. Na primeira posse ofensiva após forçar o punt dos Colts, que começaram o jogo, as equipes especiais já fazem m…, ou melhor, besteira e deixam o time em uma situação ruim. Em seguida, a linha ofensiva se abre e Ryan Tannehill sofre um safety, dando um anti-clímax total para uma torcida que vinha embalada de um hino nacional – algo levado muito a sério por eles – e uma apresentação do time com direito a muito fogos de artifícios e helicópteros da polícia.

Show não falta

Que os americanos sabem fazer o show, todos sabem e os Fins não fogem à regra. Na entrada, muita comida, um pequeno museu com os dois troféus Vince Lombardi (VII e VIII, conquistados em 1972 e 1973), fotos e sessão de autógrafos com cheerleaders, loja oficial cheia, show de rock, possibilidade de se sentir no vestiário e utilizar os equipamentos dos jogadores. Há também algumas brincadeiras – como peso falso e a possibilidade de comparar a sua mão com de ídolos – e a chance de ser um snapper, kicker e quarterback de graça.

Dentro do estádio, mais lojas, intervalo com muitas atrações – a principal, cães que pegam frisbees – cheerleraders animando, chance de conseguir ganhar brindes e outras coisas. Resumindo, um cardápio completo para o fã ir ao estádio localizado na Don Shula Drive e ter uma tarde divertida com sua família.

Conclusão

O Miami Dolphins tem potencial para ser uma equipe com apoio popular. É possível ir à praia e ao jogo. Dá para se divertir. O público é diverso. Talvez o principal contratempo seja o time, que esfria a torcida, dificilmente consegue se classificar para os playoffs nas últimas temporadas e comete muitos erros bobos.

Por outro lado

As previsões de torcida são positivas dentro da organização. Os novos mercados que estão sendo explorados parecem ser promissores, os tíquetes de temporada do último ano foram vendidos, o estádio receberá um teto, que irá ecoar mais o som dos fãs. O time de Miami sempre joga com o sol a favor, já que eles propositadamente deixam o banco dos adversários contra o sol. Então, resta ao time ajudar para ser recompensado.

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