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Dr. Bennet Omalu afirma que obsessão pela ETC está obscurecendo a verdade

Dr. Bennet Omalu

(Crédito: reprodução)

O Dr. Bennet Omalu, responsável pela descoberta da encefalopatia traumática crônica (ETC ou CTE, em inglês), está preocupado com a grande atenção recente que está sendo dada à doença. Para ele, isso está obscurecendo a verdade sobre a saúde cerebral dos jogadores de futebol americano.

“Tem havido tanta fascinação com a ETC que estamos indo no caminho errado. ETC é apenas uma doença em um espectro de muitas doenças causas pelo trauma cerebral. Se ele não tem ETC, isso não significa que não tenha dano cerebral. (…) Eu sempre disse que toda criança que joga futebol americano tem 100% de risco de exposição a danos cerebrais. E sempre disse que, em nível profissional, 100% teria danos cerebrais de algum tipo até certo ponto. Os cérebros então podem ter ou não ETC”, declarou.

Omalu falou nesta sexta-feira (4) de sua casa, em um evento para promover seu livro intitulado Truth Doesn’t Have a Side (“A Verdade Não Tem Um Lado”, em tradução literal).

Patologista forense, Omalu identificou pela primeira vez a ETC durante uma autópsia realizada em Mike Webster, ex-center do Pittsburgh Steelers, em 2002. O diagnóstico – e as inúmeras negações de uma ligação disso com o futebol americano – foram contadas no filme Concussion (Um Homem Entre Gigantes, em tradução para o Brasil). No filme de 2015, Omalu é interpretado por Will Smith.

No mês passado, pesquisadores de Boston estudaram 202 cérebros doados pelas famílias de jogadores de futebol americano falecidos e quase 90% tinham CTE em algum nível, incluindo em 110 de 111 ex-jogadores da NFL.

Bennet Omalu, que não fez parte desse estudo, disse que as preocupações em relação à ETC acabam desviando o foco, já que mesmo um resultado negativo para a presença da doença não significa que um jogador não tenha sofrido danos no cérebro enquanto jogava futebol americano.

“Não existe um golpe seguro na cabeça. E então, quando você toma pancadas repetidas na cabeça, isso aumenta os riscos de danos permanentes no cérebro. Quando você começa a ter centenas ou milhares de golpes, há um risco de 100% de exposição ao dano cerebral permanente. O cérebro não possui capacidade razoável de se regenerar. Isso é algo que sempre soubemos”, frisou.

A NFL se comprometeu a doar US$ 100 milhões em 2016 para pesquisas sobre o cérebro, mas o próprio comissário da liga Roger Goodell afirmou recentemente que há “muito mais perguntas do que respostas” sobre a conexão entre a ETC e o futebol americano.

Omalu garante que não está tentando atacar a NFL e que, para ele, são os pais que têm que pensar melhor na saúde de seus filhos que jogam futebol americano.

“Eu não ataco a NFL. Eu não devo. A NFL é uma corporação. Esse é um mercado livre. O que as corporações fazem? Elas tentam ganhar dinheiro vendendo um produto ou serviço. A NFL não está no negócio de saúde. Não é uma organização de pesquisa. Se você acha que a NFL não está fazendo nada, bem, o que você espera? Eles estão no negócio de fazer dinheiro. O problema são os pais”, analisou.

Para Omalu, os pais precisam fazer uma pergunta a si mesmos: “eu amo o futebol americano mais do que amo o meu filho?”.

Omalu comparou o dilema a um homem que descobre que sua esposa o traiu.

“Ele pode negar porque ama essa mulher. Ele pode pensar que não há maneira de ser verdade. Eventualmente, ele aceita que isso aconteceu. Eu acho que é isso que os Estados Unidos estão experimentando agora. Os Estados Unidos estão apaixonados pelo futebol americano, mas está lutando com a verdade. Mas, assim como o homem apaixonado, dê tempo a ele”, finalizou.

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