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Don Shula nos deixa, mas seu legado para o futebol americano é eterno e impactante

Don Shula, ex-técnico do Miami Dolphins

Há dias de notícias muito tristes em nossas vidas. Faz parte da inevitável rotina. Esta segunda-feira (4) é um desses dias, já que Don Shula faleceu aos 90 anos de idade.

Se você acompanha o futebol americano e National Football League há menos tempo e não conhece esse nome, não se sinta culpado. Apenas saiba de antemão que ele é o maior técnico da história do futebol americano. Bill Belichick que me desculpe, fica em segundo lugar neste posto, mas não muito atrás. Não é apenas o número de vitórias em Super Bowls que conta. Mas, antes de me criticar, leia este texto.

É por isso que eu, editor de NFL do Quinto Quarto, resolvi preparar este texto neste dia tão triste para nós que amamos a bola oval. Para apresentar um pouco (bem pouco mesmo, já que ele fez muita coisa para este esporte maravilhoso) do legado desta lenda.

Primeiramente, vamos nos referir ao comunicado do Miami Dolphins, que divulgou a nota de falecimento e disse que Shula morreu “pacificamente em sua casa”.

“Don Shula foi o patriarca do Miami Dolphins por 50 anos. Ele trouxe a mentalidade vencedora para a nossa franquia e colocou os Dolphins e a cidade de Miami no cenário esportivo nacional. Nossos pensamentos e orações mais profundas vão para Mary Anne, juntamente com seus filhos Dave, Donna, Sharon, Anne e Mike”, afirmou a franquia da Flórida em nota.

Dito isto, vamos falar agora do que deixou de marcas o técnico mais vitorioso da história da NFL.

O retrospecto de Shula na NFL (incluindo playoffs) foi de 347 vitórias, 173 derrotas e seis empates durante 33 temporadas como head coach (26 no Miami Dolphins e sete no Baltimore Colts). Apenas em duas das 33 temporadas em que comandou os Dolphins e os Colts seus times tiveram aproveitamento abaixo de 50%.

Em sua carreira, foram:

  • Seis Super Bowls disputados (dois títulos);
  • 19 classificações aos playoffs em 33 anos como técnico;
  • Quatro vezes eleito Técnico do Ano da NFL pela ‘Associated Press’;
  • Entrada no Hall da Fama do Futebol Americano Profissional (PFHOF) em 1997.

E um time invicto, o único da história da liga até hoje.

O Miami Dolphins da temporada 1972 terminou a temporada regular com 14 vitórias em 14 jogos e, nos playoffs, venceu seus três compromissos até conquistar o Super Bowl VII em cima do Washington Redskins, com um triunfo por 14 a 7.

Desde então, apenas o New England Patriots de 2007, de Belichick, chegou perto do feito. Foram 16-0 na temporada regular, mais duas vitórias nos playoffs, mas a derrota por 17 a 14 para o New York Giants no Super Bowl XLII acabou com o sonho da segunda temporada perfeita na história.

Shula deixou as coisas ainda melhores após a temporada perfeita e voltou a ganhar o Super Bowl com os Dolphins em 1973. Mas não de maneira invicta. 12-2 na temporada regular e, após vitórias sobre Cincinnati Bengals e Oakland Raiders nas duas primeiras rodadas dos playoffs, veio o triunfo por 24 a 7 sobre o Minnesota Vikings, no Super Bowl VIII.

Em 1971, antes dos dois títulos consecutivos e no primeiro jogo de título da série de três seguidos aos quais ele liderou os Dolphins, o time da Flórida perdeu por 24 a 3 para o Dallas Cowboys (Super Bowl VI).

Ele ainda comandou os Dolphins em mais dois Super Bowls, totalizando cinco no total, mas foram mais duas derrotas: 27 a 17 para os Redskins (Super Bowl XVII, na temporada 1982) e 38 a 16 para o San Francisco 49ers (Super Bowl XIX, na temporada 1984).

Nos tempos de Baltimore Colts, Shula ainda chegou ao Super Bowl III como head coach, perdendo para o azarão New York Jets, do quarterback Joe Namath, por 16 a 7, na final da temporada 1968, Mas ele não deixou isso o abalar. Foi essa resiliência que o tornou a lenda que ele se tornou.

Talvez por isso, como destacou a incrível Judy Battista, do ‘NFL.com’, em um brilhante texto sobre Shula, havia nos anos 80 uma placa no Orange Bowl, então estádio dos Dolphins, na qual se lia: “Shula é deus”.

Ele também foi jogador na NFL, tendo sido selecionado na nona rodada do draft de 1951 pelo Cleveland Browns, recebendo um salário de US$ 5 mil (o que mostra muito como era o futebol americano da época) e atuando como defensive back até 1957 com as camisas de Browns, Colts e Redskins. Somou 21 interceptações.

Marv Levy, ex-técnico da NFL e ex-general manager do Buffalo Bills, uma vez não deixou dúvidas de quem ele achava que era o maior técnico de todos os tempos no futebol americano.

“São 30 anos de 10 vitórias – oh, meu Deus. Suas equipes sempre foram menos penalizadas; ele ensinou futebol americano de equipe. Ele honrou muito o jogo. Por mais que ele quisesse vencer, ele queria fazê-lo pelas regras. Ele é um atirador direto. Ele não era um cara de abraços, apenas direto e honesto, e tão bom para o esporte quanto qualquer outro”, falou Levy, em entrevista ao ‘New York Times’ há vários anos.

Dan Marino, lendário quarterback que se tornou o que foi devido a Shula, expressou lindas palavras depois da triste notícia:

“Coach Shula deixará muitas saudades. Ele incorporou a definição de ‘grandeza’. Ele trouxe a atitude vencedora com ele todos os dias e tornou todos ao seu redor melhores. Eu quero agradecê-lo por sempre ter acreditado em mim. Ele me tornou um melhor jogador e uma pessoa melhor. Meus pensamentos e orações vão para toda a família Shula”.

Roger Goodell, comissário da NFL, também deixou palavras marcantes após a morte de Shula.

“Don Shula será sempre lembrado como um dos maiores treinadores e colaboradores da história do nosso jogo. Ele teve um impacto extraordinariamente positivo em tantas vidas. O treinador mais vencedor da história da NFL e o único a liderar uma equipe em uma temporada perfeita, o treinador Shula viveu uma vida de futebol sem paralelo. Como jogador, treinador do Hall of Fame e membro de longa data e co-presidente do Comitê de Competição da NFL, ele foi um professor e mentor notável que por décadas inspirou excelência e integridade exemplares”, frisou o mandatário da liga.

Shula ainda deixou algumas sementes vivas de sua genialidade na NFL.

Ambos os filhos homens de Shula trabalharam como treinadores na liga. Mike Shula é o atual treinador de quarterbacks do Denver Broncos e David Shula foi head coach do Cincinnati Bengals de 1992 a 1996. Ele também atuou em uma temporada no Baltimore Colts, em 1981.

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