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Confira, na íntegra, o discurso de aposentadoria de Peyton Manning

(Crédito: Instagram/reprodução)

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O dia 7 de março de 2016 ficará sempre gravado na memória dos que amam o futebol americano. Peyton Manning pendurou as chuteiras de forma oficial. E, provavelmente, a data não foi um acaso, já que no dia 7 de março de 2012, Peyton se despedia do Indianapolis Colts, após ter sido cortado. Vale lembrar que, no dia 7 de fevereiro de 2016, exatamente um mês antes da coletiva de aposentadoria, o camisa 18 levantava o troféu do Super Bowl 50. Tudo muito calculado, digno da precisão de um dos maiores gênios da posição mais importante do football.

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E, para que fique registrado este dia, você pode conferir aqui, no QUINTO QUARTO, todo o pronunciamento de Peyton Manning no dia em que ele oficializou sua despedida dos gramados.

Leia, na íntegra, o discurso de despedida de Manning da NFL:

“Em meu primeiro jogo na NFL, eu completei meu primeiro passe para o running back do Hall da Fama Marshall Faulk. Eu lancei um touchdown neste mesmo jogo para Marvin Harrison, que entraria para o Hall da Fama neste último mês de agosto.

O quarterback do nosso oponente, o Miami Dolphins, era, após meu pai, meu jogador favorito, o Hall of Famer Dan Marino, que na primeira terceira descida do jogo completou um passe post de 25 jardas. E foi o lançamento mais incrível que eu já vi.

Posteriormente, eu completei um passe para o tight end Marcus Pollard, no meio, e alguém me atingiu realmente forte e, depois que eu me levantei, eu disse a mim mesmo: ‘sei que eu posso jogar nesta liga’.

Mais tarde naquela temporada complicada, jogamos e perdemos para Baltimore. Foi o primeiro jogo em que os Colts retornada para Baltimore desde que eles tinham se mudado em 1984. Nós não exatamente tivemos uma recepção calorosa naquele dia. Os torcedores estavam gritando para mim e eu fiquei pensando: ‘ei, eu tinha apenas oito anos então, larguem do meu pé’.

Eu encontrei ele uma vez antes, mas quando o jogo acabou, eu tive a chance de apertar a mão de Johnny Unitas. Ele disse para mim: ‘Peyton, siga em frente. Estou torcendo por você’.

Bem, eu segui em frente. Eu continuei por 18 anos e espero que aquele velho número 19 (Unitas) esteja lá com seu flat top (corte de cabelo) e talvez com seus calçados high top pretos e eu espero que ele saiba que eu continuei. E talvez ele fique um pouco orgulhoso de mim.

Há apenas algo relacionado a 18 anos. Dezoito é um bom número e hoje eu me aposento do futebol americano profissional.

Eu quero agradecer as pessoas de Nova Orleans e do sul da Louisiana. Nova Orleans é minha cidade-natal e, é claro, eles torcem pelo próprio time, os Saints, mas eles também torcem quem é de lá e aquela cidade e estado sempre me deram apoio desde o começo.

Há quase 19 anos, eu anunciei minha decisão de renunciar de renunciar ao draft e permanecer na Universidade do Tennessee para o meu último ano. Foi uma das decisões mais inteligentes que já tomei. Eu apreciei meu tempo em Knoxville, especialmente o último ano. E eu quero que os torcedores dos Vols de todos os lugares conheçam o papel único que vocês tiveram em minha vida.

Obrigado à organização Indianapolis Colts e todos os torcedores ao redor desde país. Vocês não podem imaginar o quanto eu curti meus 14 anos lá ou o calor que minha família sente por vocês. Eu estaria errado se não mencionasse Jim Irsay, Bill Polian, alguns grandes técnicos, o pessoal da comissão e uma série de maravilhosos companheiros de Colts, muitos dos quais serão amigos pela vida toda.

Quando eu fui draftado pelos Colts, Indianápolis era uma cidade de basquete e automobilismo, mas não levou muito para os Colts converterem a cidade e o estado de Indiana em entusiastas do futebol americano.

Terminamos a minha temporada de calouro com 3-13 e, neste processo, eu estabeleci o recorde de calouro na NFL de interceptações, recorde que ainda me pertence. Todo ano eu torço para um quarterback novato quebrar esse recorde. Andrew Luck, Matthew Stafford, Eli Manning, Cam Newton. Eu ainda brinco com Eli dizendo que ele teria quebrado se tivesse sido titular em todos os 16 jogos.

No começo da minha passagem por Indy, as dificuldades do time eram angustiantes. Meu avô me ligava semanalmente para perguntar se seus locutores favoritos, John Madden e Pat Summerall, estariam transmitindo nosso jogo. ‘Paw Paw’, eu dizia, ‘estamos apenas 2-8 neste momento. Vamos jogar contra os Bengals 3-7. Madden e Summerall não transmitem esses tipos de jogos’.

Pulando para o meu segundo ano, quando as coisas tinham começado a caminhar um pouco para nós. Estávamos jogando contra o Dallas Cowboys, com Troy Aikman e Emmitt Smith, Michael Irvin e Deion Sanders. Eu chamei Paw Paw: ‘adivinhe, Madden e Summerall estão transmitindo nosso jogo’. Ele disse: ‘não posso acreditar’.

Ele estava exultante e muito orgulhoso, e nós derrotamos os Cowboys nesta semana e deixamos o mundo saber que os Colts tinham chegado. Não tenham dúvidas, nós estávamos chegando e passamos a fazer algumas coisas fenomenais como vencer ao menos 12 jogos por sete anos seguidos e, é claro, vencer o Super Bowl XLI. E eu estava verdadeiramente honrado e orgulhoso de ser parte daquilo.

Há um ditado que diz: ‘trate um homem como ele é e ele permanecerá como ele é. Trate um homem como ele poderia ser, e ele vai se tornar o que ele deve ser’.

Quando eu visitei Denver, quatro anos atrás, se John Elway tivesse sentado e me dito: ‘Peyton, é isso que vamos fazer. Vamos vencer mais de 50 jogos, ganhar quatro títulos de divisão seguidos, perder apenas três jogos dentro da divisão em quatro anos e nenhum deles será fora de casa, vamos bater os Patriots em duas finais de conferência e você vai ganhar o Comeback Player of the Year da NFL, outro MVP, seu ataque vai estabelecer recordes de uma única temporada em jardas de passe, você vai quebrar mais alguns recordes, e vamos a dois Super Bowls’, eu acho que eu teria levado a sério.

John, você me disse isso, não é mesmo?

Gratidão é a palavra que vem à minha mente quando penso no Denver Broncos. Eu quero agradecer a Pat Bowlen e sua família, a Joe Ellis, John Elway, John Fox, Gary Kubiak e suas comissões técnicas e toda o pessoal de suporte nesta grande organização.

Para todos os meus companheiros de Denver, obrigado pelo que vocês fizeram por esse velho quarterback. E, é claro, minha gratidão aos torcedores dos Broncos de todos os lugares.

Ao longo da minha carreira na NFL, eu tive cinco técnicos que me ajudaram a melhorar em minha profissão e me ajudaram a me tornar um melhor ser humano: Jim Mora, Tony Dungy, Jim Caldwell, John Fox e Gary Kubiak.

Embora eu, obviamente, tenha mudado de times, eu tive o mesmo representante no futebol americano por quase duas décadas. Devo muitos agradecimentos a Tom Condon. Ele me representou com classe em cada conjuntura e sempre será um grande amigo.

Eu quero agradecer a um grupo tremendo de amigos que apoiaram minha carreira no futebol americano e estiverem ao meu lado em jogos do colegial até Tennessee, Indy e até essa incrível vitória dos Broncos no Super Bowl, mês passado. Vocês sabem quem são e o que significam para mim.

Não há maneira de mensurar ou propriamente expressar o que uma família como a minha pode significar. Mãe, pai, Cooper, Eli, toda a família, vocês são os melhores. Ashley, seu apoio é o mais potente como motivação que um homem pode ter.

Ashley e meus filhos, Marshall e Mosley, estiveram ao meu lado apenas por alguns anos, mas eles mudaram minha vida para sempre. Uma semana antes do Super Bowl, nossa filha Mosley perguntou para mim: ‘pai, esse é o último jogo?’.

‘Sim, Mosley, é o último jogo da temporada’.

‘Claro que eu quero que você ganhe aquele troféu’.

‘Eu também, Mosley. E é isso que vamos tentar fazer’.

Então ela perguntou: ‘pai, esse é o último para sempre?’. E então eu apenas balancei a cabeça com espanto porque eu estava pensando ‘Mort e Adam Schefter conseguiram fazer minha filha de cinco anos cultivar uma nova fonte’.

Quando alguém esgota completamente uma experiência, não pode fazer nada além de reverenciá-la. Eu reverencio o futebol americano. Eu amo o esporte. Então vocês não têm que se perguntar se vou sentir falta. Absolutamente. Com certeza eu vou. Nossas crianças são pequenas agora, mas quando elas crescerem, vamos ensinar a elas a curtir as pequenas coisas na vida, porque um dia eles vão olhar para trás e descobrir que essas realmente eram as grandes coisas.

Então, aqui estão as coisas aparentemente pequenas que, quando eu olho para o meu espelho retrovisor, vejo que se tornaram muito maiores.

Eu vou sentir falta do jantar no St. Elmo’s, em Indianápolis, após uma vitória. Minhas batalhas com jogadores como Lynch, Lewis, Thomas, Bruschi, Fletcher, Dawkins, Seau, Urlacher, Polamalu, Harrison, Woodson e Reed. E com técnicos como Fisher, Ryan, Belichick, Kiffin, Phillips, Rivera, LeBeau, Crennel, Capers, Lewis, o falecido Jim Johnson, e muitos outros. Eu sempre senti como se estivesse jogando contra aquele middle linebacker, ou aquele safety ou aquele treinador defensivo.

Eu vou sentir falta de identificar as blitzes com Jeff Saturday, de Reggie sentado no banco ao meu lado. De aperfeiçoar um handoff falso para Edgerrin James. Vou sentir falta de Demaryius Thomas me falando que me amava e me agradecendo por ter ido para Denver após cada touchdown que eu lançava para ele.

Vou sentir falta de bolar uma jogada com Tom Moore e Adam Gase que termina em um touchdown no domingo. Nas sextas-feiras, vou sentir falta de escolher as bolas de jogo com os funcionários do equipamento. De conversar sobre futebol americano com as equipes de transmissão e, depois ainda, vou sentir falta de recapitular o jogo com meu pai. E também de verificar se os Giants ganharam e de ligar para Eli enquanto ambos estávamos nos ônibus de nossos times.

Vou sentir falta daquele aperto de mão com Tom Brady e vou sentir falta das viagens de avião após uma grande vitória, com 53 companheiros de time em pé nos corredores, rindo e celebrando durante todo o voo. Vou sentir falta de jogar na frente de grandes torcedores, tanto em casa quanto fora. Eu até mesmo vou sentir falta dos torcedores dos Patriots em Foxborough, e eles também devem sentir a minha falta, porque eles com certeza conseguiram muitas vitórias sobre mim.

E isso é importante, os torcedores de todos os lugares precisam saber quanto eles significaram para mim ao longo dos anos. Torcedores, vocês são a parte central do que torna esse esporte notável. Eu recebi mais cartas de vocês do que posso contar. Cartas de torcedores que me tocaram, me fizeram refletir, dar risadas e me ajudaram a agir.

Eu aprendi muito com meus erros, tropeços e derrotas no futebol americano. Eu também aprendi que esse esporte é uma plataforma poderosa que me deu uma voz que pode ecoar bem além do jogo. O futebol americano me ensinou a não ser levado por obstáculos e contratempos, mas sim para ser liderado por sonhos. Devido a alguns bons genes, eu sou espero o suficiente para saber que essas lições podem enriquecer quem eu sou e para onde vou a partir daqui.

Estou totalmente convencido que o fim da minha carreira no futebol americano é apenas o começo de algo que eu ainda não descobri. A vida não está se encolhendo para mim, ela está se transformando em todo um mundo novo de possibilidades.

Os especialistas vão especular que meu esforço e conduta ao longo dos últimos 18 anos tiveram a ver com maestria e trabalho para dominar cada aspecto do jogo na NFL. Bem, não acreditem neles. Porque cada momento, cada gota de suor, cada noite de preparação com olhos turvos, cada anotação que fiz e cada frame de filme que eu assisti tiveram a ver com uma coisa: reverência para este esporte.

Quando eu recapitular minha carreira na NFL, eu saberei sem dúvida alguma que dei tudo que tinha para ajudar meus times a saírem com uma vitória. Havia outros jogadores que eram mais talentosos, mas não havia ninguém capaz de se preparar melhor do que eu e, por causa disso, não tenho arrependimentos.

Tem uma escritura, 2 Timóteo 4:7: ‘eu combati o bom combate e eu terminei a carreira. Mantive a fé’.

Bem, eu combati um bom combate. Eu terminei a minha carreira no futebol americano e, após 18 anos, é a hora. Deus abençoe todos vocês e Deus abençoe o futebol americano.”

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