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As lutas de Sam Mills, o maior ídolo do Carolina Panthers

Sam Mills em comemoração

Keep Pounding. Continue batendo, na tradução literal. Esse é o lema do Carolina Panthers, fundado em 1995. É isso que os torcedores gritam em campo, é isso que está estampado na camisa da equipe e na tradicional bateria pré-jogo. A origem dessa tradição vem do maior ídolo da franquia, o ex-linebacker e treinador da posição, Sam Mills

Falecido em 2005, o legado de Mills é carregado pela franquia que mantém uma estátua do ex-jogador em frente ao Bank of America Stadium. Além disso, seu filho, Sam Mills III, começou a carreira como treinador graças ao pai e atualmente faz parte da comissão técnica do Washington Football Team.

Parte da estátua de Sam Mills em Charlotte (Divulgação/Carolina Panthers)

Mills nasceu em 1959, no estado de Nova Jersey. Ou seja, muito antes de existir um Carolina Panthers e longe de Charlotte. Sua  renome na NFL, aliás, se origina em uma grande fase de seu rival, o New Orleans Saints.

Apesar de ser dono de grande habilidade atlética e instintos aguçados em campo, Sam Mills jogou sua carreira colegial na Montclair State University, uma instituição de menor expressão no futebol americano. Sua altura (1,77m) preocupava os olheiros de tal forma que entrou para os Red Hawks sem receber bolsa de estudos esportiva, um walk-on

Lá, entre 1977 e 1980, Mills deixou sua marca, liderando em número de tackles na Montclair, não só em uma temporada (142), como em uma única partida (22), sendo, também, até hoje detentor do recorde histórico dos Red Hawks (501 tackles), entre outras marcas que o levaram para o Hall da Fama do futebol americano universitário.

PROFISSIONAL ANTES DOS PANTHERS

Sam Mills não foi escolhido no Draft de 1981, mas foi contratado pelo Cleveland Browns e, no ano seguinte, pelo Toronto Argonauts, da CFL. Para sua infelicidade, não conseguiu integrar o elenco na temporada em ambos os casos. As preocupações com a altura continuaram existindo entre os treinadores. Suas participações nos treinos eram limitadas e, portanto, a possibilidade de se firmar em um time era reduzida.

Finalmente recebeu uma chance como profissional na extinta USFL, após o técnico principal dos Browns, Sam Rutigliano, indicar o jogador para Carl Peterson, general manager do Stars de Philadelphia (1983-1984) e Baltimore (1985).

Por lá, Mills impressionou com sua velocidade desde o primeiro treino, se tornando um dos principais jogadores da equipe, formando a unidade defensiva chamada “Doghouse Defense”. Em três temporadas, os Stars venceram dois títulos e o linebacker figura no “time de todos os tempos” da liga que faliu.

Ao fim de 1985, o head coach dos Stars, Jim Mora, rumou para o New Orleans Saints, da NFL, e levou Mills para sua defesa. Nos Saints, o jogador no meio do campo junto de Vaugh Johnson, com Rickey Jackson e Pat Swilling de outside linebackers, fez parte de um dos grupos de LBs mais dominantes da história da liga, a “Dome Patrol (patrulha do domo, fazendo referência ao estádio da franquia, o Mercedes-Benz Superdome).

O time de Nova Orleans por vinte anos não havia conseguido terminar uma única temporada com mais vitórias que derrotas. Nas seis temporadas seguintes a equipe reverteu essa tendência. Por outro lado, o time não passou do primeiro jogo nas três oportunidades em que foi aos playoffs.

O LINEBACKER DE CAROLINA

Ao fim do contrato com o Nova Orleans, na offseason de 1995, Sam Mills gostou da proposta da mais nova franquia de expansão, o Carolina Panthers. Os Saints até cobriram o valor, porém Mills se sentiu desrespeitado por não ter recebido uma oferta antes dos Panthers entrarem na jogada e, finalmente, optou por assinar com o time de Charlotte. 

Já veterano, Mills jogou às três primeiras temporadas da história do Carolina Panthers (que teve Clemson como sua casa na primeira temporada). A presença de um jogador como esse foi de extrema importância para um time começando sua jornada e, portanto, tentando encontrar uma identidade. O linebacker jogou todas as quarenta e oito partidas em que esteve com os Panthers, além de ter voltado para o Pro Bowl em 1996, depois de ter estado ausente do evento desde 1992. 

Ainda na segunda temporada do Carolina Panthers a equipe chegou na final de conferência após bater o temido Dallas Cowboys, mas saiu derrotada contra o Green Bay Packers (que em seguida venceu o Super Bowl). Depois de uma regressão do time, Sam Mills se aposentou da carreira de jogador.

COMO TÉCNICO

Juntamente com a idolatria que tem em Charlotte por escolher jogar em uma franquia de expansão, Mills aumentou seu legado ao se tornar assistente da comissão técnica no lado defensivo em 1998. Um ano mais tarde, foi promovido para técnico de linebackers.

Como treinador, o Sam Mills demorou para ver o sucesso da franquia. Pouco antes da temporada de 2003, em agosto, o ex-linebacker foi diagnosticado com câncer colorretal, junto com Mark Fields, um de seus LBs. Mesmo assim, seguiu trabalhando e viu o time conquistar sua segunda vaga na pós-temporada. Nesse cenário, antes do jogo de Wild Card contra o Dallas Cowboys, que Mills cunhou o lema Keep Pounding, em um discurso para o elenco. Os Panthers saíram vitoriosos e a frase ficou. Por outro lado, o objetivo final não foi alcançado após derrota para o New England Patriots no Super Bowl XXXVIII.

Quando diagnosticado, Sam Mills tinha a expectativa de viver só por mais três meses. No entanto, o ex-jogador faleceu em abril de 2005, ou seja, mais de um ano depois. Além de figurar no Hall da Fama do New Orleans Saints, Mills se faz presente no Hall de Honra do Carolina Panthers (equivalente ao formato dos Saints) e tem o número 51 (que usava em campo) aposentado pelo time de Charlotte.

O LEGADO DE SAM MILLS   

Em uma conversa com Ricky Proehl, Muhsin Muhammad, Al Wallace e Kevin Donnalley (membros do time de 2003), Mike Rucker disse:

“Não foi uma hashtag, não foi uma coisa que a gente postou no Instagram. Foi algo orgânico, foi real e foi genuíno. Significava algo na época, significa algo agora e eu acho que quando os caras são draftados até hoje e dizem ‘keep pounding’, eles talvez não saibam exatamente a origem disso e o porquê, mas sabem que significa algo.”

O ex-jogador e ex-técnico foi um dos temas da temporada de 2017 da série de documentários da NFL Films, “A Football Life” (A Vida de Futebol Americano), que contou com imagens de sua vida e carreira, além de entrevistas de familiares e companheiros de time. Entre esses, Jim Mora, que afirmou que Mills foi seu melhor jogador.

Intenso e veloz em campo, além de trabalhador, antes mesmo do Carolina Panthers existir, Sam Mills teve que provar seu valor na NFL e, com os Panthers, aumentou seu status na liga e como ser humano, se tornando o maior ídolo da franquia. Atualmente seu lema se tornou no símbolo da cultura do time e da luta contra o câncer. 

Foto destaque: Reprodução/Chuck Burton/AP

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