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Após novo estudo sobre ETC, NFL se manifesta: “Continuaremos trabalhando a saúde dos jogadores”

Capacete de futebol americano

Pesquisadores da Boston University divulgaram, na última terça-feira (25), as conclusões do mais compreensivo estudo realizado a respeito da encefalopatia traumática crônica (ETC), doença pós-traumas cerebrais. Novamente os cientistas estabeleceram conexão entre concussões e a doença, que provoca uma série de sintomas, incluindo perda de memória e distúrbios comportamentais como agressividade.

“Várias questões ainda não estão respondidas”, afirmou a Dra. Ann McKee, neurocientista do centro de ETC da Universidade, que comandou o estudo. Cerca de 200 cérebros doados pelas famílias de ex-jogadores de futebol americano em vários níveis foram examinados pelo time da Dra. McKee. Dos 111 órgãoes de ex-atletas da NFL, 110 apresentaram evidências de ETC.

Na quarta, a liga profissional se manifestou de forma protocolar. “Apreciamos o trabalho feito pela Dra. McKee e seus colegas pela contribuição que dão à constante busca para compreender a ECT. Estudos de caso como esses compilados são importantes para avançar a ciência sobre traumas cerebrais. As comunidades médias e científicas irão se beneficiar dessa publicação e a NFL continuará o trabalho com vasta gama de especialistas para melhorar a saúde de atuais e ex-atletas. Como notado pelo autores, ainda há muitas questões a serem respondidas a respeito da causa, incidências e prevalências de efeitos de longo prazo de traumas cerebrais como a ECT. A NFL está comprometida com pesquisas científicas sobre ECT e avançar na prevenção e tratamento de lesões cerebrais”, disse o comunicado.

A NFL ainda reafirmou o compromisso de 200 milhões de dólares que já investiu em pesquisa na área.

Entenda o novo estudo e a ECT

A encefalopatia traumática crônica é uma doença causada pelo excesso de traumas cerebrais, normalmente causados por pancadas na cabeça. Há duas décadas aproximadamente, vem sendo ligada a inúmeros casos de comprometimento de capacidades cognitivas de atletas e ex-atletas de futebol americano, hóquei e outras modalidades, como perda de memória, falta de controle de agressividade, depressão, dentre outros. Uma das grandes barreiras para o avanço das pesquisas sobre a doença é o fato de que ela só pode ser diagnosticada postumamente, examinando o tecido cerebral dos indivíduos à procura de indicativos de lesões. A ECT também se apresenta com várias intensidades e diversos sintomas, o que também dificulta a caracterização da patologia.

O caso mais famoso é o de Junior Seau, linebacker que jogou 19 anos na NFL, que se suicidou maio de 2012. O atleta, que apresentou por anos sintomas da ECT como insônia, foi encontrado morto em seu carro com um tiro no peito. O cérebro de Seau não fez parte do estudo recém-divulgado, mas já havia sido antes examinado pelo Instituto de Pesquisa de Lesões do Cérebro, que confirmou o diagnóstico de ECT do ex-jogador.

Ainda que não-conclusivo, o novo estudo da Boston University é mais um forte indicativo de como concussões e traumas na região da cabeça podem causar sérias complicações aos jogadores da NFL a longo prazo.

O banco de cérebros utilizado pela Dra. Ann McKee é o mais representativo desde que se iniciaram pesquisas a respeito da doença. Com órgãos de atletas de high school a NFL, os resultados apontam para a presença de marcadores de contínuas lesões cerebrais nos atletas. Quanto maior a exposições dos jogadores ao esporte, mais comum e evidentes são as lesões encontradas nos cérebros, indica o estudo.

O índice de quase 99% de ocorrência encontrado no estudo é estarrecedor, mas não deve ser refletido num campo maior como os mais de 1.300 jogadores que atuam anualmente na NFL. Não se espera que quase todo jogador da Liga tenha ECT, mas as pesquisas cada vez mais apontam para o fato de que a doença afeta os jogadores de forma muito desproporcional em relação ao restante da sociedade.

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