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Top Quinto: cinco monstros do basquete prejudicados pela era Jordan

Charles Barkley Jordan era jordanMichael Jordan foi uma benção para a NBA, em todos os sentidos possíveis e imagináveis. Ele pegou a tocha que Larry Bird e Magic Johnson mantiveram acesa nos anos 80 e levou a liga a outro nível nos 90, firmando a NBA nos Estados Unidos e fazendo ela ganhar vez mais espaço nos televisores ao redor do globo e criando a chamada Era Jordan.

Mas seu Chicago Bulls, um dos times que mais fizeram bullying na história do esporte, impediram grandes jogadores e ótimos times de chegar ao mais alto lugar. E é uma tristeza que esses cinco jogadores a seguir não tenham sequer um anel para coroar suas carreiras.

Não colocarei Gary Payton e Clyde Drexler nesta lista porque apesar deles terem sido vítimas dos Bulls de Jordan, eles conseguiram em outros lugares, que não Seattle e Portland, capturar seus merecidos títulos. Os abaixo nem isso conseguiram 🙁

Hater da Era Jordan #1: Charles Barkley

É difícil colocar em poucas palavras o monstruoso jogador que foi Charles Barkley. Ala-pivô com 1,98 m, armadores eram mais altos que ele. Com problema para controlar peso, a bunda dele era maior que a da Carla Perez em alguns momentos de sua carreira. E mesmo assim ele foi um dos maiores da história, revolucionando sua posição. E ficou a duas vitórias de ser campeão da NBA com o Phoenix Suns. Adivinhem para quem ele perdeu.

Barkley compensava sua baixa estatura para a posição com uma impulsão e posicionamento impecáveis, além da sua figura “atarracada” permitir que ele ganhasse no corpo de seus rivais e ser uma máquina de rebotes: 11,7 por partida na carreira e 14,6 na sua melhor temporada. E claro, seu jogo ofensivo era algo a parte: se ele era mais baixo, o jeito era ser mais rápido, ter um arsenal de movimentos e um bom arremesso de média distância. E Barkley tinha isso, muitas vezes puxando ele mesmo os contra-ataques para terminar com uma enterrada sem que seu marcador sequer tivesse cruzado o meio da quadra.

MVP da liga na temporada em 1992/93 e com 26,6 pontos de média naqueles playoffs, ele era a estrela dos Suns que enfrentariam os Bulls de Jordan e tentariam impedir o (primeiro) triplete. A série foi bizarra: os Bulls venceram os dois primeiros jogos, ambos no Arizona. Em Chicago os Suns venceram o jogo 3 em uma tripla prorrogação e o jogo 5, levando a série para casa novamente. Mas o mando de campo, que pouco tinha valido até ali, continuou não valendo nada e o jogo 6 foi vencido pelos Bulls.

Polêmico por suas declarações e algumas atitudes, Barkley teve tremenda má sorte. Além de ter Jordan pela frente em boa parte da carreira, ele foi draftado pelo Philadephia 76ers, que apesar de ter sido campeão no ano anterior, suas estrelas, Julius Erving e Moses Malone, já estavam na descendente. Em Phoenix ele tinha Kevin Johnson e Dan Majerle, mas era uma companhia menos estrelada que a de Jordan. E depois, quando jogou pelos Rockets do supertrio que também contava com Hakeem Olajuwon e Clyde Drexler, os três já tinham passado do auge. E assim Sir Charles ficou sem anel.

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Hater da Era Jordan #2: Reggie Miller

Dá para citar poucas pessoas que na hora da decisão apareciam de forma mais brilhante que Reggie Miller. A carreira dele é uma sequência de melhores momentos nos últimos minutos das partidas e ninguém pode negar que ele foi um dos melhores arremessadores da história da NBA.

Mas não só tinha um Michael Jordan no meio do caminho como tinha dentro da própria divisão.

Vaiado pela torcida quando foi escolhido pelos Pacers, o esguio ala-armador ficou em Indiana por 18 temporadas. Apesar de ter finalmente chegado na final da NBA em 2000 (derrota para o Los Angeles Lakers em seis jogos), os Pacers eram mais fortes nos anos 90. A equipe atingiu seu melhor ritmo logo no período que Jordan estava aposentado pela primeira vez. Mas uma derrota na Final do Leste para o New York Knicks em sete jogos e outra derrota em sete jogos no ano seguinte para o finalista Orlando Magic não deixaram Reggie aproveitar esse vácuo. Aí Michael voltou.

E não teve jeito de fugir. Os Bulls estavam em sua última temporada com toda a gangue reunida. Os Pacers tiveram seu melhor desempenho na história (58 vitórias). Na final da conferência Leste Reggie e Michael bateram de frente. Foram sete jogos. Em Indiana, no jogo 4, Reggie teve a bola da vitória na mão, saiu da marcação, empurrou claramente Jordan e meteu de 3 para vencer a partida. Mais um momento clutch.

Mas Jordan mais uma vez subiria sua produção nos jogos decisivos, tanto na defesa como no ataque, e a série terminou com vitória dos Bulls em sete jogos. Reggie ainda jogaria a final de NBA contra os Lakers e participaria de uma equipe que venceu 61 jogos (2003/04), mas o anel nunca veio.

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Crédito: Pinterest/reprodução

Hater da Era Jordan #3:John Stockton

Líder em assistências na história da NBA, John Stockton e seu fiel escudeiro Karl Malone tinham um pick n’roll imparável. Mas sabe quem parava aquele Jazz? Nem preciso responder.

O Jazz na verdade sempre refugou no último momento, não por pipocagem ou algo do tipo, mas uma combinação de falta de peças com má sorte mesmo. Stockton e Malone se uniram ainda na década de 80 e as derrotas na pós-temporada se empilharam por dez anos: quatro derrotas em semifinais e três em finais de conferência. Até que na temporada 1996/97 e 97/98 eles conseguiram chegar na final da NBA e finalmente encarar os Bulls. Resultado: duas derrotas em seis jogos, com duas pedradas na cabeça nos momentos finais. A bola de Kerr na primeira. E…

Vejam que Stockton faz uma bola de três überclutch faltando 40 segundos para botar o Jazz três à frente no jogo 6, sendo que o 7 seria em casa. Mas Jordan, que já tinha feito 41 pontos, ainda tinha fome para mais 4. E assim a história foi feita.

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Hater da Era Jordan #4:Karl Malone

Se você cita Stockton, sempre tem que citar Malone e vice-versa. A lista pode ser “melhores jogadores brancos” ou “melhores alas-pivô da história”, não interessa, eles entram como duo.

Como já citei todas as intempéries da dupla, cito ainda o rescaldo de Malone. Depois dessa dupla voadora na traquéia dos Bulls, o Jazz ainda teve suas chances, e muita gente esquece disso. Malone foi MVP em 1998/99 e continuou na equipe até a temporada 2002/03 com Stockton na parada também. Mas as cinco participações em pós-temporada depois disso não passaram das semifinais de conferência.

Mas Malone não estava terminado, mesmo quando Stockton já estava. Ele se mudou para Los Angeles para fazer parte de um dos supertimes mais amedrontadores da história: junto com Gary Payton ele foi contratado pelos Lakers, que já eram tri, e tinham Shaquille O’Neal e Kobe Bryant mais Phil Jackson de treinador. Outra coisa que muitos se esquecem é que aquela equipe não foi totalmente um fracasso: eles começaram a temporada com 18 vitórias em 21 jogos. Mas Malone machucou, o rombo entre O’Neal e Kobe aumentou ainda mais e a química foi embora. Inclusive até hoje se especula que Malone e Kobe se odeiam porque o primeiro se “engraçou” com a esposa de Kobe. Mesmo assim a equipe chegou até a final da NBA. Mas Karl Malone tinha mesmo a maldição e o Detroit Pistons levou em cinco jogos.

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Hater da Era Jordan #5:Patrick Ewing

Cinco eliminações em playoffs para o Chicago Bulls. Cinco. Até quando Michael Jordan era visto com desconfiança por ter um jogo muito individual, ele e seus Bulls venceram os Knicks (1088/89). E os Knicks desde 1984 até 1999 era o time de Patrick Ewing.

O pivô era imponente em todos os sentidos, mas saindo de Georgetown seu jogo ofensivo era uma dúvida. Defensivamente se sabia que ele era uma fera. Mas tamanha imposição física e vontade de expandir seu repertório fez o seu ataque brilhar na liga, chegando no auge na temporada 89/98 (28 pontos por jogo). Mas Ewing teve uma luta inglória contra o Chicago Bulls. Enquanto Jordan tinha Pippen, Dennis Rodman no segundo triplete e mais vários bons jogadores, Ewing nunca jogou com um futuro membro do Hall da Fama.

Assim como Miller e na verdade toda a liga, Ewing saboreou o momento que Jordan se aposentou. E ajudou o fato dele ter Pat Riley, treinador cinco vezes campeão, ao seu lado em Nova York. Riley montou um time ultradefensivo, até violento, com Ewing como líder claro e alguns bons coadjuvantes (como o subestimado John Starks), mas nada de Scottie Pippen versão NY. A equipe chegou às finais em 93/94 e levou até o sétimo jogo, mas Ewing perdeu no duelo de pivôs para Hakeem Olajuwon, que deu show, e o mais completo Houston Rockets bateu os Knicks. Na temporada seguinte, derrota para o Indiana Pacers de Miller nas semifinais do Leste.

Em 1998/99, já com Jeff Van Gundy como treinador, os Knicks conseguiram chegar à final, mas Ewing, lesionado, só viu o San Antonio Spurs de Gregg Popovich, Tim Duncan e David Robinson começar sua dinastia. A maldição da Era Jordan era tanta que nem sem ele na liga o camisa 33 teve seu anel.

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