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Retrospectiva NBA 2015: Warriors campeões, Curry MVP e LeBron na caça

montagem nba

O ano de 2015 está acabando. Para o Brasil o ano não foi lá muito bom, mas para a NBA foi sim. A liga ganhou um novo time dominante, o Golden State Warriors, e uma nova superestrela e MVP: Stephen Curry. A final foi entre os Warriors, franquia que não ganhava o título desde os anos 70 e o Cleveland Cavaliers, que nunca foi coroado como a melhor equipe da temporada e tinha chegado a apenas uma final anteriormente. E a temporada que já está quase no meio também promete; por enquanto os dois finalistas de 2015 têm tudo para repetir o duelo em 2016. Mas aí já é se adiantar. Deixa para o próximo ano que amanhã começa.

(Crédito: Instagram/reprodução)

(Crédito: Instagram/reprodução)

Time do ano

Não tem nem como não ser o Golden State Warriors. 42-10 na temporada 2014/15 contando a partir de janeiro até os playoffs. Na pós-temporada, depois de varrer o New Orleans Pelicans, os californianos pegaram o Memphis Grizzlies, que chegou a abrir 2 a 1 na série com o jogo 4 em casa. Os Grizzlies supostamente tinham o antídoto para o jogo dos Warriors de bolas de três, passe, passe e passe e quintetos “baixos”, sem um pivô tradicional. A receita era marcação sufocante e jogo de garrafão com Zach Randolph e Marc Gasol. Mas a equipe achou seu ritmo, especialmente Stephen Curry, e os Warriors não perderam mais nenhum jogo na série.

Na final de conferência, o confronto com James Harden e o Houston Rockets se provou insuficiente para os texanos. Depois de uma série de sete jogos e uma virada depois de perder por 3 a 1, os Rockets logo estavam 3 a 0 atrás na série e o jogo 5 especial de Harden (45 pontos para o segundo na corrida pelo MVP), a série acabou em cinco jogos.

Na final da NBA, o rival seria o Cleveland Cavaliers. Os Cavaliers na primeira temporada com LeBron James de volta tiveram altos e baixos, sendo que chegaram a ficar abaixo de 50% de aproveitamento antes da virada do ano. O núcleo de James, Kyrie Irving e Kevin Love teve que ser reforçado e as adições de Iman Shumpert, Timofey Mozgov e J.R. Smith fizeram a equipe decolar. Segundo no leste, os Cavs varreram os Celtics na primeira rodada mas tiveram um desfalque importante com uma lesão no ombro de Kevin Love, o tirando da temporada. 4 a 2 contra os Bulls na semifinal e outra varrida, contra o melhor time do Leste na temporada regular (Atlanta Hawks), levaram o time para sua segunda final de NBA na história.

E logo no primeiro jogo veio outro desfalque para os vencedores do leste: capengando no fim da temporada, Kyrie Irving finalmente lesionou seu joelho sem reparação e foi outro desfalque para a equipe. Só que os Cavs, mesmo perdendo o jogo 1 na prorrogação, venceram o 2 na California (também prorrogação) e o terceiro em casa. Além de LeBron James, a dupla Tristan Thompson e Timofey Mozgov no garrafão estava matando os Warriors nos rebotes. A solução de Steve Kerr e comissão não foi encher seu garrafão mas sim apelar para a entrada de Andre Iguodala no quinteto titular e usar uma formação “super small”, com Draymond Green de pivô.

Deu tão certo que os Warriors venceram os três jogos seguidos por 21, 13 e 8 pontos e Iguodala foi considerado o MVP das finais. Depois de 40 anos, o Golden State Warriors era campeão da NBA novamente.

Mas não parou por ai: a equipe parece não ter entrado em férias e simplesmente amassou os rivais no começo da temporada 2015/16, com 24 vitórias para começar a temporada, batendo por muito o recorde anterior de 15. Com 32 jogos até agora, os californianos perderam apenas duas vezes, sendo a última delas no penúltimo dia do ano. Portanto, 2015 foi mesmo o ano dos Warriors e não tem nem como inventar. Para os que não fizeram as contas: 42-10 de janeiro até abril, 16-5 nos playoffs da temporada passada e 30-2 na nova temporada = 88-17 em 2015.

Stephen Curry MVP

Jogador do ano

Pelo segundo ano consecutivo a liga teve um MVP inédito. Depois de Kevin Durant, foi a vez de Stephen Curry. E se dava para argumentar que James Harden podia ter levado o título, este título de jogador do ano é sem dúvidas do camisa 30 do Golden State Warriors.

Desde que a temporada 2014/15 começou e especialmente no atropelamento que aconteceu em 2015, começando pelo final da temporada regular, mais finais e a quase meia-temporada até agora, Curry se tornou uma superestrela. Pela primeira vez em anos aceitamos discutir que mesmo LeBron James seja o mais completo jogador de basquete do planeta, ele não necessariamente é o melhor. Curry consegue aliar a habilidade de um Allen Iverson e o tiro certeiro de Larry Bird, além de liderar sua equipe a ganhar jogos e ainda ser gente boa e passar uma boa imagem fazendo tudo isso.

2015 foi ano de MVP, conquista de campeonato, escolhido pela Associated Press como melhor atleta (honra que apenas Bird, Michael Jordan e LeBron como jogadores de basquete têm) e agora esta honra do Quinto Quarto. Que ano!

Causo do ano

Pode um pivô da NBA, de 2,11 m, 120 quilos e nenhuma capacidade na linha do lance livre, fugir de um dono de franquia depois de dar sua palavra e protagonizar uma das novelas mais ridículas, engraçadas e marcantes da história da NBA? Sim senhor.

DeAndre Jordan estava infeliz com seu papel no Los Angeles Clippers. Com Chris Paul e Blake Griffin no elenco, ele nunca deixaria de ser a vela, o terceiro elemento. Especialmente no ataque já que ele ainda não desenvolveu essa parte em seu jogo além da enterrada na ponte aérea. E com a free agency veio Dallas prometendo tudo: protagonismo junto com Dirk Nowitzki e depois que ele se aposentasse, dinheiro, jogar pelo estado que nasceu e foi à universidade e envolvimento no ataque de uma franquia. E ele deu a sua palavra a Mark Cuban, dono dos Mavs, que Dallas seria sua casa. E todos noticiaram que o pivô seria um Maverick.

Só que ali apenas a palavra servia. O dia que os contratos podem ser assinados ainda não tinha chegado. E os Clippers foram atrás de DeAndre Jordan. Na casa dele. Doc Rivers, o dono da franquia, Steve Ballmer, e vários jogadores, incluíndo Paul e Griffin, foram convencer o amigo e ex-jogador em potencial a dar uma nova chance e acamparam na casa dele até a 0h01, quando o novo contrato podia ser assinado.

Jordan não respondeu mais Cuban, nem Chandler Parsons, jogador dos Mavs que ajudou em toda a negociação e virou amigão no período. Cuban ficou puto, Parsons virou ex-amigo e Jordan ficou em Los Angeles com um novo contrato. Este não só é o causo do ano como periga ser o da década.

Pior time de 2015

O Los Angeles Lakers era um bom candidato. Mas não tem como, o troféu tem que ir para a franquia mais pífia dos últimos anos, um verdadeiro atentado a sua história: o Philadelphia 76ers. O “processo” começado por Sam Hinkie segue a todo vapor mas agora o dono dos 76ers chamou Jerry Colangelo e este Mike D'Antoni para ver a injeção de experiência dá uma acelerada nas coisas.

Para não me alongar muito, apenas isto: 17-69 no ano de 2015, incluindo o honroso 3-31 nesta temporada. E Joel Embiid, a terceira escolha do Draft de 2014, ainda nem entrou em quadra.

(Foto: Reprodução/Facebook)

(Foto: Reprodução/Facebook)

Melhor transferência

Muita gente ainda não percebeu, mas o San Antonio Spurs está com uma mísera vitória a menos que o melhor time depois de 31 jogos da história da NBA. Nesta offseason, os Spurs se posicionaram oficialmente de time liderado por velhos a time com velhos e duas superestrelas nos próximos anos, graças à ascensão de Kawhi Leonard e a contratação de LaMarcus Aldridge.

Aldridge é a transferência do ano justamente por isso: a sucessão de Duncan já está ali no elenco e mesmo ele não sendo o mesmo LaMarcão de Portland, já que a bola não irá tanto para ele, as possibilidades que ele abre para Pop são infinitas. O camisa 12 está em regime de minutos (29 até agora contra 36 em média na carreira) mas mesmo assim tem média de 15 pontos e 8,8 rebotes. E tudo isso pensando nos playoffs, quando ele chegará com as pernas inteiras.

Os Spurs mais uma vez estão já saindo da curva enquanto os outros entram.

Pior transferência

Ia escolher Rajon Rondo para os Mavericks, mas ele foi trocado no dia 18 de dezembro de 2014, quebrando minhas pernas. Mas a escolhida também envolve um armador e o Boston Celtics. Isaiah Thomas não é um armador sensacional. Não é nem 10% o que seu quase xará Isiah Thomas foi. Mas sua troca evidenciou o turbilhão de dejetos que o Phoenix Suns propagou nos últimos dois anos. Thomas chegou para um elenco recheado de armadores, que além de ter draftado jogadores para a posição, ainda tinha Goran Dragic e Eric Bledsoe. E Dragic estava infeliz que depois da temporada de sua vida o time não para de trazer concorrentes e não complementos para o elenco.

No fim, tudo deu errado e não só os Suns negociaram Dragic como ainda mandaram Thomas para Boston em troca de Marcus Thornton (?) e uma escolha de primeira rodada que era dos Cavaliers, ou seja, lá da rabeira da primeira rodada. E isso por um sexto homem ou até armador titular que na temporada passada teve média de 19 pontos por jogo e nesta 20,8. E melhor ainda para os Celtics: o contrato dele é de apenas quatro anos e US$ 27 milhões.

Ou seja, considerado tudo isso, os Suns fizeram um péssimo acordo, dando uma boa arma ofensiva com um excelente contrato para quem o contrata por nada. E se considerarmos que Bledsoe vai perder todo o restante da atual temporada lesionado, pior ainda.

Jogo do ano

Um jogo 7 já é algo marcante. E do jeito que foi o duelo entre Los Angeles Clippers e San Antonio Spurs, mais ainda. Os Spurs eram os atuais campeões e tiveram a chance de decidir a parada no jogo 6, mas perderam no Texas. Os Clippers, com Chris Paul e Blake Griffin, buscavam finalmente mostrar que estavam prontos para decidir no grande estágio.

Aqui está o relato desse jogo, já que não posso me alongar tanto aqui. Mas tenho que dizer que a bola decisiva de Paul, que estava lesionado e mancando, nos últimos segundos foi o desfecho perfeito de um jogo sensacional e uma série magnífica.

(Crédito: divulgação)

(Crédito: divulgação)

Troféu Wesley Safadão: homenagem ao personagem mais carismático da NBA no ano

Imagina que você tem 19 anos e é considerado uma promessa de seu ramo, mas ainda não é famoso. No dia que é para ser o dia que o mundo te conhece, as pessoas que vão se beneficiar de seus talentos te vaiam. E não de forma discreta. Um garotinho até chorou. Você tentaria cavar um buraco, procurar a mãe e simplesmente sumir do mundo, certo?

O New York Knicks e seus fãs sofreram mais que Diabo na Cruz. Então a quarta escolha do Draft deveria ser usada para um salvador. Mas quando o nome Kristaps Porzingis foi anunciado, o mundo pensou WTF e depois “que porr%& Phil Jackson está fazendo?”. E mesmo com toda a desconfiança e vaia, o garoto da Letônia apenas prometeu que ia ser digno da confiança. E quando começou a temporada, simplesmente arrasou. Com 13,2 pontos, 8 rebotes e 2 tocos de médias e performances como a contra os Rockets – 24 pontos, 14 rebotes e 7 tocos -, que garantiu um troféu Brian Scalabrine, além da personalidade fria mas afável, Nova York vive uma Linsanity não tão forte mas com certeza muito mais duradoura com Porzingis.

O carisma, maturidade e personalidade de Porzingis o fazem merecer o troféu Wesley Safadão.

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