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Reggie Miller se daria bem na NBA atual?

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Não precisa ser um gênio para responder esta aqui. Depois de colocar Grant Hill como o primeiro da nossa relação e dizer que sim, ele se daria bem na NBA atual, mas precisaria arremessar mais de três, Reggie Miller não teria nem esse “mas”.

Para recapitular qual é a intenção desta série, que fazemos paralelamente no Instagram é teletransportar jogadores que tiveram seus auges em décadas passadas para o ano de 2020 e perguntar “X se daria bem na NBA atual?”. A maioria das respostas vai ser sim, com adaptações, claro.

E eu farei posts explicando como acho que seria essa adaptação, sem focar em jogadores que são óbvios, como Larry Bird, Magic ou lendas do tipo. Também vou tentar traçar um paralelo com um jogador atual para ser xingado com maior facilidade por você.

Voltando a Reggie Miller, o mais engraçado do eterno camisa 31 do Indiana Pacers é que ele só foi por duas vezes o maior arremessador de bolas de três em uma temporada: em 1992/93, com 167 (empatado com Dan Majerle) e em 1996/97.

Mas desde 1997/98, no meio de sua carreira, até 2009/10 ele esteve no topo da lista de maior arremessador de três da história, até Ray Allen tirar sua coroa. Stephen Curry provavelmente vai passar os dois e James Harden idem.

Para não respondermos a pergunta do título em dois parágrafos, vamos aprofundar um pouco.

Ele seria mais “limitado” hoje

Reggie não era dos mais habilidosos, também não era dos mais rápidos e com certeza não era atlético. Mas ele tinha o arremesso, com uma mecânica desenvolvida após anos e anos de tocos e humilhações impostas pela sua irmã mais velha, Cheryl Miller, uma das maiores jogadoras de basquete que já andaram com pés gigantes por este planeta chamado Terra.

No jogo dos anos 90 e 2000, com o ritmo nada acelerado e placares em playoffs que são hilários – nas finais do Leste de 2004 os Pacers fizeram 78, 67, 78, 83, 65 e 65 pontos – Miller precisava de todo um sistema para conseguir seus arremessos. Se você olha os vídeos do auge de Indiana com Miller e as jogadas, especialmente após timeouts, há tantos bloqueios e detalhamento nas jogadas que parece até futebol americano.

Sério, olha esta jogada que separei, nos minutos finais do jogo decisivo entre os Pacers e os Lakers nas finais de 2000.

E, claro, tem o clássico game winner contra os Bulls em que ele está embaixo da cesta, dá o pique, faz uma falta clamorosa e arremessa de três todo desequilibrado.

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Larry Bird, treinador dos Pacers entre 1997 e 2000 e GM/consultor por anos e anos já deu declarações que o jogo de hoje beneficia as estrelas pela maior liberdade e espaço para os jogadores brilharem. No começo de sua carreira Miller precisava entrar em uma trincheira para pontuar. Ele conseguia ter um jogo próximo a cesta e de mid range. Mas por seu porte físico esguio e menor atleticismo, achou seu nicho nas bolas de três, que produziram todos seus momentos lendários: os pontos contra os Knicks, o arremesso contra Jordan, etc.

Seu jogo já era extremamente eficiente e por isso ele ficava em números absolutos atrás de jogadores que eram adeptos do hero ball. Só que apesar dele não ser um grande garçom, Miller abria espaços e fazia os jogadores em volta se destacarem. Jalen Rose, Mark Jackson, Jermaine O’Neal, todos eles tiveram em Indiana seus grandes momentos. Não à toa os Pacers foram competitivos por mais de uma década com Miller como franchise player tendo 19 a 21 pontos de média.

Teletransportando para os tempos atuais, a movimentação da bola encontraria o camisa 31 para um corner 3 de forma constante. Ele em Houston, por exemplo, nem precisaria pisar no garrafão. Aliás, seus 6,6 arremessos por jogo em 1996/97, recorde na NBA, são quase o mesmo que Ben McLemore, com 22 minutos de média em quadra, tem pelos Rockets em 2019/20.

Quando digo mais limitado, não quero dizer que ele seria apenas um especialista. Ele tem mais basquete para criar arremessos e até finalizar com qualidade perto da cesta do que Kyle Korver. Mas nenhum treinador com cérebro iria desperdiçar o que ele sabe fazer melhor.

Uma comparação interessante é “Klay Thompson com mais tempo de bola na mão”.

 

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